Redação Pragmatismo
Jair Bolsonaro 05/Jul/2019 às 16:00 COMENTÁRIOS

8 maluquices que só o governo Bolsonaro foi capaz de produzir

Imaginava-se um governo retrógrado e amador, mas ninguém conseguiria prever o circo completo

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Jair Bolsonaro e equipe de Ministros (Imagem: Marcos Corrêa | PR)

Thaís Chaves e Giovanna Galvani, Carta Capital

Há seis meses, os brasileiros observaram Jair Bolsonaro subir a rampa do Palácio do Planalto e tomar posse como presidente da República. As expectativas eram dúbias e os horizontes, incertos. Sabia-se de uma pretensão em aprovar medidas impopulares, como a reforma da Previdência e o decreto das armas, mas nada poderia prever o circo que se formava nos bastidores da política brasileira.

1↘ A trupe dos ministros

Para chefiar um dos 22 ministérios, Bolsonaro preferiu confiar boa parte das cadeiras a uma trupe que endossasse seu discurso ideológico, raiz de sua popularidade.

O ministro da Educação protagoniza um dos episódios mais agitados da gestão Bolsonaro até aqui: o corte de 30% no orçamento discricionário das universidades públicas, primeiramente causado por ‘balbúrdia’, mas que teve sua real barganha política exposta quando se revelou a necessidade de apoio à reforma da Previdência.

Abraham Weintraub tentou fazer a conta com chocolatinhos, mas errou a porcentagem. Depois, esbravejou dizendo que a “extrema-imprensa” que inventava estatísticas. Continua nessa tendência, mas agora conta com uma coreografia hollywoodiana. Para provar seu conhecimento limitado, confundiu Kafka com a carne cafta, e deu-se a explicação perfeita para o porquê dele estar à frente da pasta da ignorância, suprema em uma gestão do bolsonarismo.

Damares Alves, à frente do ministério dos Direitos Humanos, da Mulher e da Família, integra a ampla frente de 2 ministras mulheres em conjunto com Tereza Cristina, da Agricultura. Apesar da falta de representatividade, Damares tem como prioridade estabelecer azul para meninos e rosa para meninas.

Em defesa da família – mas só de um padrão, já que o gayzismo é coisa de esquerdista – e do ‘nascituro’, ela denuncia horrores da realidade socioeconômica brasileira, como as aulas de bruxaria para crianças do Nordeste. Grave.

2↘ Os elementos-problema

Zero-um, zero-dois, zero-três e infinitos problemas para o capitão. Entre a primeira queda de um ministro do governo, a acusação de enriquecimento ilícito e formação de associação criminosa e crimes virtuais e desentendimentos dentro do próprio partido, Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro foram responsáveis por diversos escândalos nos primeiros seis meses de governo.

E não estavam desamparados nem pela base do eleitorado robô, nem filosoficamente. Árduos defensores de Olavo de Carvalho, que colocou fogo na fogueira entre os militares e a ala ideológica do governo, foi o filho ‘pitbull’ que apresentou ao pai o guru intelectual do governo, que impera sem diploma, sem relevância e com o nato ódio gratuito aos inimigos.

3↘ Diga-me com quem andas e te direi quem és

O círculo bolsonarista também é recheado de figuras que comprometem a reputação do presidente. Jair, próximo da igreja evangélica, recentemente viu um casal de amigos pastores sendo preso nos EUA por não declarar 56 mil dólares em um voo. O dinheiro estava escondido em uma Bíblia do casal. Os dois, inclusive, são organizadores da Marcha para Jesus, evento que o presidente participou no último mês.

 

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Messias ANTICRISTO. Sou cristã e, de acordo com os ensinamentos de Cristo, posso afirmar que um verdadeiro Cristão não apoia um homem que tem paixão doentia por ARMAS, que tem sede doentia de armar a população, sede PSICOPATA de ver derramamento de sangue. Cristo pregou o amor, o perdão! Cristo é amor e justiça, mas justiça não se faz com guerra nem com sangue. Esse ser intragável deveria estar num manicômio e não dirigindo DE RÉ o país ! . #evangelicos #marchaprajesus #libertemlula #lulalivre #PedePraSair #VazaJato #lavatoga #forabolsonaro #impeachmentbolsonaro #professores #todospelaeducação #jairmearrependi #caixa2bolsonaro #prouni #fies2019 #sisu2019 #sisu2018 #enem #elenão #universidade #prouni2019 #nordeste #eleicoes2018 #elenao #lulapresopolitico #resistencia #nordestinos #bolsonaronão #educacaopublica #partidodostrabalhadores

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Não há como se esquecer também de Fabrício Queiroz, motorista e assessor de Flávio, amicíssimo da família Bolsonaro, que recolhia parte da remuneração dos servidores de gabinete de Flávio na Alerj para contratar colaboradores informais para alavancar a campanha do primogênito.

O deputado, aliás, homenageou na Alerj em 2007 Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-PM apontado como chefe do Escritório do Crime, importante milícia carioca. Nóbrega é acusado de estar envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco. A relação do capitão e dos filhos com os milicianos não parou por aí: Élcio Queiroz, um dos apontados como executor de Marielle, tem fotos com o presidente. Ronnie Lessa, outro apontado como executor dos tiros na vereadora, mora no condomínio do capitão. Sua filha namorou o “04”, Renan Bolsonaro.

4↘ Patrulha virtual

Para provar que merece ficar até o fim do mandato, Bolsonaro também inaugurou um novo tipo de protesto no Brasil: a manifestação positiva a si próprio. Milhares de verde-amarelistas tomam, de vez em quando, espaços no Brasil para apoiarem ministros corrompidos e reformas impopulares para tentar resgatar a popularidade do ex-capitão, que não caminha bem.

5↘ Chefe linha-dura ou autoritário sem motivo?

Em seis meses de governo, o presidente perdeu três de seus ministros. Tudo começou em fevereiro, quando o capitão demitiu Gustavo Bebbiano, que ocupava o cargo de secretário-geral da Presidência. Bebbiano presidiu o PSL em 2018 e é implicado no esquema de candidaturas laranjas do partido. Recentemente, ele voltou a aparecer na esfera pública, tecendo críticas aos filhos do presidente, que “atrapalham” o governo.

No início de abril, foi a vez do colombiano Ricardo Vélez, que era ministro da Educação. Sua saída se deu em meio aos conflitos entre militares e olavistas.

Também por conta de atritos com o guru Olavo de Carvalho e os filhos do capitão, o general Santos Cruz, que comandava a secretaria do Governo, também foi despachado.

Outras posições do governo também tiveram seus nomes trocados, como o presidente da Funai, originalmente comandada por Ribeiro de Freitas; o presidente dos Correios, por Juarez da Cunha; e Joaquim Levy, que renunciou o cargo de presidente do BNDES.

6↘ A busca pelo poder no STF

Bolsonaro não é o maior fã do Supremo Tribunal Federal. Desde sua campanha eleitoral, dizia querer aumentar para 21 a quantidade de ministros no STF. O objetivo é formar maioria ideológica. Entre seus apoiadores na instituição, ele questiona a falta de um ministro evangélico. Além do foco divino, Bolsonaro aposta ainda (ainda?) em Sérgio Moro. O capitão espera que o ex-juiz ocupe o cargo de Celso de Mello, que se aposenta em 2020.

7↘ O aniversário do golpe

O presidente nunca escondeu seu apreço pela ditadura militar. Às vésperas do aniversário do golpe, determinou que as unidades militares celebrassem a data. A determinação causou controvérsias, a ponto do Ministério Público defender que celebrar um regime antidemocrático configura crime de responsabilidade. Ainda assim, em 31 de março, o governo divulgou um vídeo em defesa do golpe de 1964, alegando que os militares salvaram o Brasil de uma suposta ameaça comunista.

Veja o vídeo:

8↘ Homenagens, digamos, inusitadas

O presidente não “passou o pano” apenas para os militares brasileiros. Em evento da nova diretoria da Itaipu, junto ao presidente paraguaio Mario Abdo Benítez, ele elogiou Alfredo Stroessner, ditador que comandou o Paraguai de 1954 a 1989. Na mesma data, elogiou os ditadores brasileiros marechal Castello Branco, Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Este último descreveu como “saudoso e querido”.

Recentemente, prestou solidariedade ao MC Reaça, cantor que se suicidou após agredir a amante, que acreditava estar grávida. “Tinha o sonho de mudar o país e apostou em meu nome por meio de seu grande talento”, escreveu o presidente no Twitter. Veja:

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