Redação Pragmatismo
Cinema 13/Jan/2026 às 16:09 COMENTÁRIOS
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Malafaia, Nikolas e Mário Frias atacam Wagner Moura após prêmio histórico: "Artista cretino. Filme bostileiro"

Publicado em 13 Jan, 2026 às 16h09

Após reconhecimento inédito no Globo de Ouro, vitória de Wagner Moura vira alvo de ataques de líderes bolsonaristas, que transformam o sucesso internacional do cinema brasileiro em ataques obsessivos ao ‘comunismo’ e fantasias distorcidas sobre a Lei Rouanet

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A vitória de Wagner Moura no Globo de Ouro 2026, como Melhor Ator de Drama pelo filme O Agente Secreto, provocou uma reação imediata de lideranças e figuras públicas ligadas ao bolsonarismo. O reconhecimento internacional — inédito para o cinema brasileiro nessa categoria — foi seguido por uma sequência de ataques pessoais e políticos nas redes sociais, liderados pelo pastor Silas Malafaia, pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) e pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

A controvérsia teve início após a coletiva de imprensa do prêmio, realizada no domingo (11), em Los Angeles. Ao comentar o momento político recente do Brasil, Wagner Moura fez críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem classificou como fascista. As declarações repercutiram amplamente no Brasil e foram o estopim para uma escalada de ataques que misturaram insultos pessoais, acusações ideológicas e críticas ao financiamento público da cultura.

Em publicação no X (antigo Twitter), Silas Malafaia chamou o ator de “artista cretino” e afirmou que o reconhecimento internacional seria resultado de uma suposta “compra de consciência” por meio de recursos públicos destinados à cultura. O pastor também atacou Moura por viver nos Estados Unidos, sugerindo que ele deveria morar em Cuba, em um discurso que reforça a retórica anticomunista recorrente em setores da direita brasileira.

O deputado Mário Frias, ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, adotou um tom semelhante. Em uma série de postagens, afirmou que Wagner Moura seria “sustentado por um Estado corrupto” e o acusou de apoiar ditaduras latino-americanas. Frias também criticou o fato de o ator viver nos Estados Unidos enquanto, segundo ele, defenderia ideias contrárias ao capitalismo e às liberdades democráticas. Em outra publicação, o parlamentar afirmou que Bolsonaro segue “pautando o debate político mesmo em silêncio” e elogiou a política cultural do ex-presidente, que, segundo ele, teria “democratizado e moralizado” a distribuição de recursos públicos.

Já Nikolas Ferreira optou por uma abordagem indireta. O deputado republicou um comentário que ironiza a celebração da esquerda brasileira ao prêmio, questionando uma suposta contradição entre críticas ao imperialismo norte-americano e a valorização de uma premiação organizada nos Estados Unidos. O post repostado por Nikolas utiliza o termo “filme bostileiro”, expressão pejorativa comum em ambientes digitais para ridicularizar o Brasil e sua produção cultural.

O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou duas estatuetas no Globo de Ouro: Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama. A obra foi amplamente elogiada por sua abordagem crítica sobre a ditadura militar brasileira e pela forma como trata a violência de Estado e a resistência política. As conquistas foram celebradas por artistas, intelectuais e por lideranças políticas, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que classificou o longa como essencial para preservar a memória histórica do país.

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