Malafaia, Nikolas e Mário Frias atacam Wagner Moura após prêmio histórico: "Artista cretino. Filme bostileiro"
Após reconhecimento inédito no Globo de Ouro, vitória de Wagner Moura vira alvo de ataques de líderes bolsonaristas, que transformam o sucesso internacional do cinema brasileiro em ataques obsessivos ao ‘comunismo’ e fantasias distorcidas sobre a Lei Rouanet

A vitória de Wagner Moura no Globo de Ouro 2026, como Melhor Ator de Drama pelo filme O Agente Secreto, provocou uma reação imediata de lideranças e figuras públicas ligadas ao bolsonarismo. O reconhecimento internacional — inédito para o cinema brasileiro nessa categoria — foi seguido por uma sequência de ataques pessoais e políticos nas redes sociais, liderados pelo pastor Silas Malafaia, pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) e pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
A controvérsia teve início após a coletiva de imprensa do prêmio, realizada no domingo (11), em Los Angeles. Ao comentar o momento político recente do Brasil, Wagner Moura fez críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem classificou como fascista. As declarações repercutiram amplamente no Brasil e foram o estopim para uma escalada de ataques que misturaram insultos pessoais, acusações ideológicas e críticas ao financiamento público da cultura.
Em publicação no X (antigo Twitter), Silas Malafaia chamou o ator de “artista cretino” e afirmou que o reconhecimento internacional seria resultado de uma suposta “compra de consciência” por meio de recursos públicos destinados à cultura. O pastor também atacou Moura por viver nos Estados Unidos, sugerindo que ele deveria morar em Cuba, em um discurso que reforça a retórica anticomunista recorrente em setores da direita brasileira.
O deputado Mário Frias, ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, adotou um tom semelhante. Em uma série de postagens, afirmou que Wagner Moura seria “sustentado por um Estado corrupto” e o acusou de apoiar ditaduras latino-americanas. Frias também criticou o fato de o ator viver nos Estados Unidos enquanto, segundo ele, defenderia ideias contrárias ao capitalismo e às liberdades democráticas. Em outra publicação, o parlamentar afirmou que Bolsonaro segue “pautando o debate político mesmo em silêncio” e elogiou a política cultural do ex-presidente, que, segundo ele, teria “democratizado e moralizado” a distribuição de recursos públicos.
Já Nikolas Ferreira optou por uma abordagem indireta. O deputado republicou um comentário que ironiza a celebração da esquerda brasileira ao prêmio, questionando uma suposta contradição entre críticas ao imperialismo norte-americano e a valorização de uma premiação organizada nos Estados Unidos. O post repostado por Nikolas utiliza o termo “filme bostileiro”, expressão pejorativa comum em ambientes digitais para ridicularizar o Brasil e sua produção cultural.
O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou duas estatuetas no Globo de Ouro: Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama. A obra foi amplamente elogiada por sua abordagem crítica sobre a ditadura militar brasileira e pela forma como trata a violência de Estado e a resistência política. As conquistas foram celebradas por artistas, intelectuais e por lideranças políticas, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que classificou o longa como essencial para preservar a memória histórica do país.



