Mulher que disse “tenho nojo de preto” ao atacar casal em BH permanece em liberdade
Natália Burza Gomes Dupin desceu para buscar uma encomenda e, inicialmente, cuspiu no chão ao ver o casal. Instantes depois, ela falou em voz alta: "Eu tenho nojo de preto". Agressão racista foi registrada por câmeras de monitoramento, mas não aconteceu nada com a mulher até agora. Nas redes, Natália chama Bolsonaro de "melhor presidente da história do Brasil"

Um casal negro foi vítima de injúria racial no último domingo (30), dentro de um edifício residencial em Belo Horizonte (MG). As agressões foram praticadas por uma moradora identificada como Natália Burza Gomes Dupin, que permanece em liberdade mesmo após o episódio ter sido registrado por câmeras de segurança.
As vítimas são Eneida Aparecida Gusmão Bouças, de 43 anos, e Fabio dos Santos Bouças, de 51. Eles estavam no prédio para visitar o filho, Miguel Bouças, morador do local. Segundo o relato, Natália desceu para buscar uma encomenda e, ao se deparar com o casal no hall do edifício, os encarou de forma hostil e cuspiu no chão, sem dizer nada.
Minutos depois, ela retornou ao mesmo espaço e, em voz alta, proferiu a frase: “Eu tenho nojo de preto.” A cena foi captada pelo sistema de monitoramento do prédio. No vídeo, é possível ouvir claramente as ofensas racistas dirigidas ao casal.
Miguel afirmou que nunca havia tido qualquer tipo de contato com a agressora e que o ataque foi completamente inesperado. Segundo ele, os pais aguardaram a verificação das imagens para confirmar o que haviam ouvido antes de registrar a ocorrência.
“A gente só estava vivendo nosso Natal em paz, nosso ano novo em paz, e agora precisa fazer toda essa mobilização em função de um ato racista”, disse.
Após o episódio, a família procurou a administração do condomínio. Foi nesse momento que, segundo o casal, surgiram relatos de outros episódios de racismo atribuídos à mesma moradora, o que reforça a suspeita de reincidência.
“Com essas informações, tivemos conhecimento de que há outros registros envolvendo a mesma pessoa, o que indica que não se trata de um caso isolado”, afirmaram.
Um boletim de ocorrência foi registrado, e a Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar o crime de injúria racial. As partes envolvidas devem ser ouvidas nos próximos dias na Delegacia Especializada em Investigação de Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas, em Belo Horizonte. A investigação segue em andamento.
“Seguiremos buscando justiça e responsabilização, não apenas por nós, mas porque esse tipo de violência não pode continuar sendo tolerado”, declarou o casal.
Histórico de reincidência
Natália Burza Gomes Dupin já havia sido presa em dezembro de 2019, também em Belo Horizonte, suspeita de injúria racial contra um taxista na região Centro-Sul da capital mineira. De acordo com a Polícia Militar, o profissional perguntou se ela precisava de um táxi — a mulher estava acompanhada do pai, um idoso — e recebeu como resposta que ela “não andava com preto”.
Na ocasião, Natália teria cuspido no pé do taxista e afirmado: “Eu não gosto de negro, sou racista, sou racista mesmo.” Durante a abordagem policial, ainda desacatou os militares, chamando uma sargento de “sapata”.
Ela foi autuada em flagrante pelos crimes de injúria racial, desacato, desobediência e resistência. Passou uma noite no sistema prisional e foi solta no dia seguinte após decisão judicial, mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil.
Passados mais de cinco anos, um novo episódio com características semelhantes volta a colocar seu nome no centro de uma investigação criminal. Até o momento, apesar das imagens, do histórico e do inquérito em curso, nenhuma medida restritiva foi adotada contra a agressora.



