Redação Pragmatismo
Eleições 2018 04/Oct/2018 às 13:08 COMENTÁRIOS

Para além das últimas pesquisas Ibope e Datafolha

As últimas pesquisas de IBOPE e Datafolha colocaram boa parte do eleitorado do campo democrático em pânico. No entanto, há razões para interpretar os números que dissipam bastante a surpresa que causaram

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João Feres Júnior e Luna Sassara, Jornal GGN

As últimas pesquisas de IBOPE e Datafolha colocaram boa parte da esquerda democrática do país em pânico, em especial a campanha de Fernando Haddad (PT). Mas há razões para interpretar os números que dissipam bastante a surpresa que causaram.

Confira os números:
— O novo Datafolha para a eleição presidencial de 2018
— O novo Ibope para a eleição presidencial de 2018

Vejamos, Haddad de fato ficou na mesma, oscilando um ponto percentual para baixo, e Bolsonaro cresceu quatro pontos, passando de 28% a 32%. De onde teriam vindo essas novas intenções de voto no candidato do PSL?

Uma rápida análise dos resultados comparando com a pesquisa passada do mesmo instituto mostra que brancos desceram de 10% para 8% e os “não sei” caíram 1 %. É bastante razoável supor que o eleitorado indeciso seja mais arredio em relação à política tradicional e, por isso mesmo, no ato de sua decisão, opte por aquele que se apresente como outsider.

Outra que perdeu ponto foi Marina Silva (REDE), que oscilou de 5% para 4%. Também adepta ao discurso de outsider, é bem provável que os eleitores que desistiram de Marina sejam majoritariamente aqueles da franja mais à direita de seu eleitorado, intensamente antipetistas e, portanto, afeitos a votar no ex-capitão. O tucano Geraldo Alckmin também perdeu um ponto percentual. Por ser o candidato que mais sofreu concorrência direta da campanha de Bolsonaro, particularmente pelo voto de direita paulista, é também provável que os eleitores que deixaram a preferência do tucano tenham ido para o candidato do PSL, em um movimento de antecipação do segundo turno.

Mas na esquerda não houve antecipação do segundo turno, pelo contrário. Ciro Gomes conseguiu sustentar-se nos 11%, e isso enquanto desfecha campanha feroz contra o candidato do PT. Ou seja, seus eleitores não vão antecipar o segundo turno votando em Haddad. Tampouco o farão parcela dos eleitores de Marina Silva, ideologicamente mais difusos.

Se supormos um nível de votos brancos e nulos da ordem de 10%, índice mais alto que o resultado atual da pesquisa do Datafolha, que deu 8%, concluímos que Bolsonaro só leva a eleição no segundo turno se alcançar 45% das preferências do eleitorado votante, o que lhe dará maioria dos votos válidos. Para tal, ele precisaria abiscoitar todos os votos de Alckmin, de Amoedo e de Álvaro Dias, por exemplo, ainda no primeiro turno.

O segundo turno são outros quinhentos — quer dizer, não tão diferentes assim, mas haverá mais tempo para os atores tomarem posições em torno das duas candidaturas e decidirem o futuro do nosso país.

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