Redação Pragmatismo
Eleições 2018 04/Oct/2018 às 16:03 COMENTÁRIOS

Manuela D'Ávila é a principal vítima de fake news na eleição de 2018

Manuela D'Ávila luta contra exército de 'fake news' de fãs de Bolsonaro e até de figuras públicas que apoiam o candidato. São montagens grotescas, disseminação de informação falsa e até manipulação de falas da candidata

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RBA

A candidata a vice na chapa de Fernando Haddad (PT), Manuela D’Ávila (PCdoB), enfrenta na campanha um cenário de ataques fundamentados em mentiras. As fake news, que acabam protagonizando parte do cenário eleitoral deste ano, a impactam diretamente. Ela é um dos principais alvos da campanha do candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), que frequentemente usa de discursos de ódio e mentiras para difamar adversários.

Além dos compromissos de campanha, Manuela e sua equipe tentam trabalhar na desconstrução dessas mentiras que se proliferam como vírus por redes sociais ligadas aos apoiadores de Bolsonaro. São desde montagens grotescas, disseminação de informação falsa até manipulação de falas da candidata para tirá-las de contexto e utilizá-las como arma retórica.

Terça (2), a campanha de Manuela se manifestou sobre um dos últimos ataques. Uma montagem em que ela aparece com uma camiseta escrita “Jesus é travesti”. A mentira foi amplamente divulgada com mensagens moralistas no sentido de que mães, famílias e cristãos não deveriam votar nela. Sobre a mentira, ela disse:

Eles dizem proteger a moral e os bons costumes, mas são os primeiros a usar este tipo de estratégia suja nas campanhas (…). Prestem atenção! Mentiras não passarão! Nos ajude a compartilhar a verdade.”

A chapa de Haddad e Manuela, que é apoiada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, montou um esquema para tentar monitorar e combater as mentiras dos apoiadores de Bolsonaro.

O site Combata Fake News, hospedado na página de Lula desmonta as mentiras. O cidadão que quiser colaborar na luta contra o jogo sujo nas eleições também pode enviar as fake news que aparecerem nas redes para o WhattsApp da campanha, que é (11) 99322-3275.

Em outra foto que divulga mentiras, apoiadores de Bolsonaro mostram Manuela com uma feição menos saudável do que de costume e com tatuagens do médico argentino, um dos líderes da Revolução Cubana, Ernesto Che Guevara, e do líder da Revolução Russa Vladimir Lênin. Sobre o caso, Manuela se posicionou.

O machismo e a misoginia seguem com suas manguinhas de fora. Depois de ler uma foto sobre meu cabelo, agora começam as fotos manipuladas. Vejam o tipo: aumentaram minhas olheiras (são grandes mesmo, acordo às 5h com minha filha! E ainda a amamento pro desespero dos que sexualizam esse ato lindo da natureza) e fizeram tatuagens no meu corpo”.

Em outro caso possível de exemplificar, a manipulação das informações. A mais grave mentira disparada contra Manuela foi que ela teria envolvimento com a facada que Bolsonaro recebeu em um comício em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro. Mesmo desmascarada a mentira, o boato ainda circula.

Alguns veículos maliciosos chegam a manchetar “Vice de Haddad pode estar envolvida em ataque a Bolsonaro”. Ao ler o texto que segue a chamada, é encontrada apenas a informação de que a candidata acionou a Justiça Eleitoral contra o boato que a difama. Acontece que, para continuar a espalhar mentiras, apenas a manchete já funciona.

Até mesmo o absurdo entra na conta. Após o candidato Cabo Daciolo (Patriota) falar sobre uma teoria conspiratória envolvendo um suposto plano comunista para a América Latina, a União das Repúblicas Socialistas da América Latina (Ursal), Manuela fez piada do caso.

Em um vídeo com tom irônico, disse que chamaria o ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica para ser o presidente do país fictício.

O tom jocoso não foi suficiente para mostrar o sarcasmo. Circulam nas redes dos apoiadores de Bolsonaro que Manuela conspira para implementar a Ursal. Eles acreditam como dogmas nas mentiras que beneficiam seu candidato.

Neste cenário nebuloso em que o debate político é escanteado e a mentira e difamação fazem a campanha do líder das pesquisas, cabe a dúvida e a checagem como ferramentas para que o cenário não fique ainda pior.

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