URGENTE: Flávio Bolsonaro desiste de participar de debate da Globo após Gilmar Mendes determinar inclusão de Renan Santos

Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de participar do último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno poucas horas antes do início do programa, nesta quinta-feira (1º). A retirada ocorreu praticamente simultaneamente à decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que obrigou a emissora a incluir Renan Santos (Missão) entre os participantes. Outra decisão, tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também havia acabado de proibir a Globo de explorar no programa a ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Oficialmente, Flávio atribuiu a desistência à decisão do TSE sobre Lula e falou em “censura” e “interferência do Judiciário”. Nos bastidores, porém, surgiu outro componente. A jornalista Malu Gaspar afirmou na GloboNews que o candidato do PL havia condicionado anteriormente sua presença à ausência de Renan Santos. “Ele tinha exigido antes que não viria por causa do Renan Santos”, relatou a jornalista.
Gilmar Mendes coloca Renan Santos no debate
A primeira grande reviravolta ocorreu poucas horas antes do programa.
Gilmar Mendes determinou que a Globo assegurasse a participação de Renan Santos, candidato do Missão que havia ficado de fora da lista original de convidados.
A decisão contrariou entendimentos anteriores do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e da ministra Cármen Lúcia, do STF. Nunes Marques havia considerado que as regras estabelecidas para o debate não obrigavam a Globo a convidar Renan. Cármen, por sua vez, entendeu que o instrumento jurídico utilizado pelo candidato não era adequado e que a controvérsia deveria ser tratada pela Justiça Eleitoral.
Gilmar chegou a uma conclusão diferente.
O ministro observou que o próprio regulamento da Globo previa a possibilidade de convidar, em determinadas circunstâncias, o candidato mais bem colocado na pesquisa Quaest de 28 de setembro. Renan tinha 3% e preenchia esse critério diante da desistência de Lula.
“Eleitor confronta diretamente as alternativas”
Gilmar também chamou atenção para a importância democrática do último debate antes da votação.
Segundo o ministro, a eleição de 2026 teve até aquele momento o menor número de debates presidenciais de primeiro turno desde 1998.
Para Gilmar, a exclusão de Renan não poderia depender exclusivamente da vontade da emissora caso o candidato atendesse aos critérios previstos pelo próprio regulamento.
“O palco de um debate presidencial, sobretudo o último antes do primeiro turno, não é apenas um espaço televisivo”, escreveu o ministro ao defender que o eleitor tivesse a possibilidade de comparar diretamente as candidaturas.
Gilmar também considerou relevante o fato de Renan Santos já ter sido convidado pelo Grupo Globo para outras etapas da cobertura eleitoral, incluindo uma sabatina no *Jornal Nacional*. Segundo ele, esse tratamento teria criado uma expectativa legítima de participação no confronto final.
Flávio desiste pouco depois
A inclusão de Renan Santos alterou o cenário do debate a poucas horas de sua realização.
Segundo o próprio Renan, Flávio Bolsonaro anunciou a retirada apenas três minutos depois de sua participação ter sido oficialmente garantida.
“Flávio Bolsonaro cancelou participação três minutos após a minha ser oficializada”, afirmou o candidato do Missão, que acusou o adversário de ter medo de enfrentá-lo. Trata-se da interpretação de Renan sobre a desistência, contestada pela justificativa pública apresentada pelo candidato do PL.
Flávio vinha mantendo forte confronto político com Renan durante a campanha. O candidato do Missão concentra parte de sua estratégia em críticas ao bolsonarismo e disputa uma parcela do eleitorado de direita que rejeita tanto Lula quanto a família Bolsonaro.
Jornalista da Globo diz que Flávio exigia Renan fora
Horas depois, uma informação revelada pela jornalista Malu Gaspar, da GloboNews, colocou a inclusão de Renan no centro da discussão sobre a desistência.
Ao analisar o cancelamento do debate, Malu afirmou que Flávio Bolsonaro já havia estabelecido anteriormente uma condição para participar.
Segundo a jornalista, ele não iria ao programa caso Renan Santos também estivesse presente.
“Ele tinha exigido antes que não viria por causa do Renan Santos”, afirmou. Malu acrescentou que Flávio poderia, portanto, ser acusado de ter evitado o confronto com o candidato do Missão.
A Globo não divulgou comunicado confirmando essa condição atribuída a Flávio. A informação foi apresentada pela jornalista durante a cobertura da própria emissora.
O dado, entretanto, acrescentou uma nova dimensão à cronologia: Flávio havia confirmado presença quando Renan estava excluído; Gilmar Mendes determinou a entrada do candidato do Missão; pouco depois, Flávio anunciou que não compareceria.
Flávio atribuiu desistência à decisão sobre Lula
Publicamente, Flávio Bolsonaro apresentou outra justificativa.
No mesmo dia, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, havia proibido a Globo de manter no cenário um púlpito vazio identificado com o nome de Lula, que já havia informado que não participaria do debate.
A decisão também impediu que os candidatos presentes dirigissem perguntas ao presidente ausente.
O entendimento da ministra foi de que permitir ataques ou perguntas a um candidato que não teria possibilidade de responder imediatamente poderia ultrapassar os limites da organização jornalística do debate.
Flávio classificou a decisão como censura.
“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE”, escreveu.
O candidato anunciou que faria uma transmissão própria no mesmo horário.
Flávio havia prometido comparecer mesmo sem Lula
A decisão representou uma mudança em relação ao que Flávio vinha dizendo publicamente.
No domingo anterior, durante uma agenda eleitoral, o candidato do PL havia confirmado presença no debate e desafiado Lula a comparecer.
Na ocasião, deixou claro que pretendia participar mesmo que o presidente permanecesse ausente. Seria, inclusive, a primeira participação de Flávio em um debate presidencial durante a campanha de 2026.
Lula havia decidido não comparecer e optou por conceder uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário.
A estratégia seguia uma escolha adotada anteriormente pela campanha petista, que priorizou entrevistas individuais em vez dos principais debates do primeiro turno.
Justiça impede exploração da ausência de Lula
A decisão do TSE retirou justamente um dos elementos que poderia ser explorado pelos adversários durante o programa.
Sem o púlpito identificado com Lula e sem a possibilidade de dirigir perguntas ao presidente ausente, a Globo teria de realizar o confronto apenas entre os candidatos presentes.
A emissora já havia utilizado o recurso da cadeira ou púlpito vazio em outras eleições. Em 2006, por exemplo, Lula também disputava a reeleição e faltou a um debate promovido pela Globo durante o primeiro turno.
A campanha do petista argumentou em 2026 que o formato poderia ser utilizado para transformar a ausência do presidente em elemento permanente de exposição negativa sem possibilidade de contraditório.
Renan Santos passa de excluído a participante
A decisão de Gilmar também encerrou, naquele momento, uma longa disputa jurídica de Renan Santos para entrar no debate.
A Globo havia estabelecido critérios de representação parlamentar para os convites. O Missão tinha apenas um deputado federal, Kim Kataguiri, e não atingia a exigência originalmente adotada pela emissora.
Renan, entretanto, aparecia competitivo nas pesquisas e havia participado de outras sabatinas promovidas pelo grupo.
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A situação ficou ainda mais controversa depois que Romeu Zema conseguiu decisão favorável de Nunes Marques para participar. O Novo argumentou que deveria ser considerada sua bancada atual de cinco deputados, e não apenas o número de parlamentares originalmente eleitos pela legenda em 2022.
Gilmar entendeu que, diante das próprias regras criadas pela Globo e da ausência de Lula, não havia justificativa suficiente para manter Renan fora.
Renan pede para Flávio reconsiderar
Depois da desistência, Renan Santos chegou a fazer um apelo público para que Flávio Bolsonaro mudasse de ideia e comparecesse ao confronto.
O candidato do Missão sustentou que os eleitores tinham direito de assistir ao embate e acusou o adversário de evitar o confronto direto.
Renan também provocou Flávio a criticar Gilmar Mendes diretamente depois da decisão do ministro.
A provocação tinha significado político porque Gilmar mantém há anos uma relação marcada por aproximações e divergências com integrantes da família Bolsonaro.
Globo cancela debate
A sucessão de acontecimentos terminou com uma decisão ainda mais radical.
Pouco antes do horário previsto, a Globo cancelou completamente o debate.
Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema haviam confirmado presença. Renan Santos havia acabado de conquistar judicialmente o direito de participar. Lula já havia recusado o convite, enquanto Flávio desistiu no início da noite.
Em comunicado, a Globo criticou as intervenções judiciais e afirmou que as decisões tomadas horas antes do programa modificaram regras previamente acertadas e produziram “insegurança jurídica”. A emissora também sustentou que houve interferência indevida na liberdade dos veículos de comunicação para organizar debates eleitorais.
Com o cancelamento, a programação foi alterada às pressas.
Uma noite de reviravoltas
O último debate presidencial antes do primeiro turno terminou, portanto, sem sequer começar.
Em poucas horas, o TSE impediu a Globo de explorar visualmente a ausência de Lula; Gilmar Mendes garantiu judicialmente a presença de Renan Santos; Flávio Bolsonaro desistiu de comparecer; e a emissora decidiu cancelar todo o evento.
A sequência também produziu uma contradição política inevitável para a campanha de Flávio.
Dias antes, o candidato havia desafiado Lula publicamente a enfrentá-lo e assegurado que estaria no debate mesmo sem o presidente. Quando chegou a noite do confronto, porém, Flávio também ficou de fora.
Oficialmente, alegou censura do TSE. Mas a coincidência temporal entre a entrada de Renan e sua saída, somada à informação revelada por Malu Gaspar de que Flávio havia condicionado sua presença à exclusão do candidato do Missão, transformou a desistência em um dos episódios mais controversos da reta final do primeiro turno.
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