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ELEIÇÕES 2026 05/Out/2026 às 12:44 COMENTÁRIOS
ELEIÇÕES 2026

Eleita senadora, Bia Kicis fala em impeachment de ministros do STF na primeira entrevista: "É isso que o povo quer"

Publicado em 05 Out, 2026 às 12h44
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Bia Kicis

Eleita para o Senado pelo Distrito Federal, Bia Kicis (PL) não demorou a indicar quais serão algumas de suas prioridades na nova Casa. Logo após a confirmação do resultado das urnas, a atual deputada federal voltou a defender o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), colocando o confronto com a Corte entre as pautas que pretende levar ao Senado a partir de 2027.

A manifestação ganha relevância porque cabe justamente ao Senado processar e julgar ministros do Supremo em casos de crimes de responsabilidade. A eleição de Kicis ocorreu em meio a um avanço expressivo do PL na Casa, que elegeu 19 novos senadores em 2026 e chegará à próxima legislatura com uma bancada significativamente maior.

 Bia Kicis fala em impeachment logo após ser eleita

Em entrevista concedida após a vitória, Bia Kicis afirmou que pretende atuar para que os Poderes voltem, em sua avaliação, a funcionar dentro dos limites estabelecidos pela Constituição.

“É fundamental que os Poderes voltem a funcionar dentro do desenho constitucional”, declarou.

Na sequência, a senadora eleita apontou duas prioridades políticas. Uma delas é a anistia aos condenados que classifica como “presos políticos”. A outra é diretamente relacionada ao Supremo.

“Outra pauta muito importante vai ser o impeachment do ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Kicis. A declaração foi reproduzida pela própria Rádio Senado na cobertura de sua eleição.

Não se trata de uma bandeira nova da parlamentar. Durante sua passagem pela Câmara, Kicis se tornou uma das principais críticas do STF dentro do Congresso e já havia defendido medidas contra integrantes da Corte.

A diferença agora é institucional. Como deputada, Kicis não tinha voto em um eventual processo de impeachment de ministro do Supremo. Como senadora, terá.

Senado tem poder para julgar ministros do STF

É justamente essa característica que tornou a eleição para o Senado uma das prioridades da direita em 2026.

A Constituição estabelece que compete privativamente ao Senado processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal nos crimes de responsabilidade.

Isso significa que a Câmara dos Deputados não participa da votação de um eventual impeachment de ministro do STF da mesma maneira que participa de um processo contra o presidente da República.

O procedimento começa no Senado. Pedidos podem ser apresentados à Casa, mas sua tramitação depende inicialmente da Presidência do Senado.

Caso um processo avance até o julgamento, a condenação exige o voto de dois terços dos senadores, ou seja, 54 dos 81 integrantes da Casa.

Portanto, aumentar o número de senadores favoráveis à abertura desses processos era uma condição política necessária para grupos que defendem o afastamento de integrantes do Supremo.

PL elegeu 19 novos senadores

O resultado das eleições de domingo alterou a composição política do Senado.

O PL foi o partido que mais elegeu senadores em 2026. Foram 19 novos parlamentares, que se juntarão aos nove integrantes da legenda que permanecem no exercício do mandato.

Entre os eleitos estão nomes identificados com o bolsonarismo, como Bia Kicis e Michelle Bolsonaro no Distrito Federal, Gustavo Gayer em Goiás, Carlos Jordy no Rio de Janeiro, Filipe Barros no Paraná, Sanderson no Rio Grande do Sul, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro em Santa Catarina.

O crescimento da bancada não significa, isoladamente, que exista o número de 54 votos necessário para afastar um ministro do STF.

Para alcançar esse patamar, seriam necessários votos de senadores de outros partidos. Além disso, qualquer processo dependeria de superar etapas anteriores dentro da própria Casa.

Ainda assim, a nova composição aumenta o peso de parlamentares que fizeram das críticas ao Supremo uma de suas principais bandeiras eleitorais.

Bia Kicis teve quase 900 mil votos no Distrito Federal

Bia Kicis conquistou uma das duas cadeiras do Distrito Federal que estavam em disputa.

Com 100% das urnas apuradas, a parlamentar recebeu 886.616 votos, correspondentes a 27,44% dos votos válidos para o Senado.

A primeira colocada foi Michelle Bolsonaro, também do PL, que recebeu 938.496 votos, ou 29,05%. Leila do Vôlei (PDT) ficou em terceiro lugar, com 686.340 votos, enquanto Erika Kokay (PT) terminou em quarto, com 610.950.

Michelle e Kicis superaram a marca histórica de Cristovam Buarque em 2010 e registraram as duas maiores votações para o Senado no Distrito Federal desde a redemocratização.

DF terá bancada feminina no Senado

O resultado também produziu uma situação inédita.

Com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis eleitas e Damares Alves (Republicanos) ainda com mandato, o Distrito Federal terá três mulheres ocupando simultaneamente suas três cadeiras no Senado.

Segundo a Agência Senado, é a primeira vez que uma unidade da Federação terá uma bancada totalmente feminina na Casa.

Bia Kicis deixará a Câmara depois de dois mandatos como deputada federal.

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Advogada e procuradora aposentada do Distrito Federal, ela foi eleita deputada pela primeira vez em 2018 e reeleita em 2022. Em 2021, tornou-se a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, um dos colegiados mais importantes do Congresso.

Impeachment de ministros foi bandeira da eleição

A declaração de Kicis logo após a vitória ajuda a explicar por que a disputa pelo Senado ganhou dimensão nacional em 2026.

Setores ligados ao bolsonarismo transformaram a eleição de senadores em parte central de sua estratégia política justamente porque é nessa Casa que tramitam pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo.

Alexandre de Moraes tornou-se o principal alvo desse movimento.

As críticas estão relacionadas sobretudo à atuação do ministro em investigações sobre ataques às instituições democráticas, disseminação de desinformação e tentativa de golpe de Estado, além de decisões envolvendo integrantes e aliados da família Bolsonaro.

Os defensores do ministro argumentam que suas decisões foram tomadas dentro das competências do Supremo e submetidas ao controle colegiado da Corte. Seus críticos sustentam que Moraes ultrapassou limites constitucionais e defendem sua responsabilização pelo Senado.

A eleição de uma bancada maior de senadores alinhados à segunda posição tende a levar esse conflito institucional para dentro da Casa a partir de 2027.

Impeachment ainda enfrenta obstáculos

Mesmo com o crescimento do PL, a retirada de um ministro do Supremo está longe de depender apenas do tamanho da bancada do partido.

O Senado possui 81 integrantes, e a destituição de um ministro exige apoio de dois terços da Casa.

Além disso, existe uma diferença entre apresentar um pedido de impeachment, conseguir que ele seja analisado e reunir votos suficientes para uma eventual condenação.

A Presidência do Senado ocupa posição decisiva nesse processo.

É por isso que, além do número de senadores eleitos, a disputa pelo comando da Casa deverá assumir importância especial na próxima legislatura.

A fala de Bia Kicis, feita praticamente no momento em que conquistou seu mandato de oito anos, mostra que a ofensiva contra integrantes do Supremo não ficou restrita à retórica da campanha.

A senadora eleita já indicou que pretende levar a pauta para dentro da instituição que possui constitucionalmente o poder de decidir o futuro de um ministro da mais alta Corte do país.

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