Morre Benito di Paula, aos 84 anos, um dos grandes nomes da música brasileira
Autor de clássicos como “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”, cantor e pianista marcou gerações com sua mistura de samba e romantismo. Artista também protagonizou um episódio de protesto contra o uso político de uma de suas canções

O Brasil se despede de um dos grandes nomes de sua música popular. O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada pela assessoria do artista, que estava internado no Hospital 9 de Julho e enfrentava um câncer de próstata havia aproximadamente um ano. Dono de uma voz inconfundível e de um estilo próprio ao piano, Benito atravessou gerações com canções que se tornaram parte da memória afetiva dos brasileiros.
Natural de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, o músico conquistou projeção nacional na década de 1970 ao desenvolver uma sonoridade que combinava samba, piano e romantismo. Entre seus maiores sucessos estão “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown” e “Se Não For Amor”. Com uma carreira de décadas, manteve uma ligação especial com o público e continuou participando de apresentações. Em julho deste ano, esteve no espetáculo “Benito 85”, idealizado pelo filho, Rodrigo Vellozo, como uma celebração de sua trajetória artística.
Quando Benito di Paula protestou contra o uso político de sua música
Em outubro de 2017, Benito protagonizou um episódio que ganhou repercussão nacional ao protestar contra o uso não autorizado de sua composição “Tudo Está no Seu Lugar” em uma paródia apresentada pelo então deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS), na Câmara dos Deputados.
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A reação do artista teve uma razão profundamente pessoal. A canção havia sido composta como uma homenagem à mãe, depois que Benito conseguiu proporcionar a ela uma moradia digna. Ao ver a obra transformada em instrumento de manifestação política, o músico gravou um vídeo expressando indignação e afirmando que não havia autorizado aquela utilização.
Na ocasião, Benito ressaltou que a composição não tinha finalidade político-partidária e declarou que não possuía envolvimento com a política partidária. O episódio evidenciou a importância afetiva que atribuía às próprias criações e o cuidado com o significado de suas músicas.
Um legado que atravessa gerações
A morte de Benito di Paula representa uma perda para a música brasileira. Seu repertório reuniu histórias de amor, lembranças familiares, sentimentos cotidianos e melodias que permaneceram populares muito além da época em que foram lançadas.
Com o piano como marca registrada e uma interpretação imediatamente reconhecível, o artista construiu uma identidade musical própria e deixou canções que continuam presentes na vida de diferentes gerações.
Até a divulgação das informações sobre sua morte, não haviam sido anunciados detalhes sobre o velório e o sepultamento.
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