Flávio Bolsonaro e alta cúpula da Globo têm almoço reservado, horas antes da sabatina do Jornal Nacional
Candidato foi recebido pessoalmente por João Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais. Encontro provocou reação da campanha de Lula, que questionou o tratamento dispensado aos presidenciáveis

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participou, na sexta-feira (16), de um almoço reservado com a alta cúpula do Grupo Globo, poucas horas antes de sua sabatina eleitoral na emissora. O encontro ocorreu na sede da empresa, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, e contou com a presença de João Roberto Marinho, presidente do conglomerado de comunicação, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais. A reunião foi revelada pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, e posteriormente confirmada pela própria Globo. A proximidade entre o almoço e a entrevista provocou questionamentos da campanha do presidente Lula sobre a imparcialidade no tratamento aos candidatos.
Flávio foi recebido pelo presidente do Grupo Globo
Segundo a apuração do Metrópoles, Flávio Bolsonaro compareceu ao almoço acompanhado do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral de sua campanha presidencial, e de um assessor de imprensa.
Este foi o segundo encontro do candidato com integrantes da direção da Globo. O primeiro ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral, durante uma série de visitas do senador a grandes veículos de comunicação.
A reunião de sexta-feira aconteceu poucas horas antes da sabatina conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, exibida após o Jornal Nacional.
O presidente Lula havia participado da mesma série de entrevistas na noite anterior, quinta-feira (15), mas não teve um encontro semelhante com os dirigentes da empresa.
Globo confirma reunião e nega participação do jornalismo
Procurada pela imprensa, a Globo confirmou oficialmente o encontro com Flávio Bolsonaro.
Em nota, a empresa afirmou que se tratou de uma visita institucional e destacou que não houve participação de lideranças de seu departamento de Jornalismo.
A emissora também explicou que reuniões de cortesia entre executivos de empresas de comunicação e candidatos a cargos eletivos fazem parte de sua rotina institucional.
Segundo a CNN, a visita foi solicitada pela campanha de Flávio Bolsonaro. A Globo informou que a equipe de Lula não apresentou pedido equivalente, razão pela qual não ocorreu uma reunião semelhante com o presidente.
A explicação da empresa, entretanto, não encerrou os questionamentos políticos sobre a conveniência de receber um candidato à Presidência em um almoço reservado justamente no dia de sua entrevista eleitoral.
Campanha de Lula considera encontro inadequado
A reunião provocou reação imediata de integrantes da campanha de Lula.
O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha presidencial, classificou o episódio como inoportuno e inadequado. Segundo ele, a igualdade de tratamento entre os candidatos deveria ser preservada, especialmente durante o período eleitoral.
O ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, também manifestou preocupação com o encontro.
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A crítica central da campanha não se refere à realização de reuniões institucionais entre candidatos e empresas de comunicação, mas à diferença de tratamento percebida entre os dois concorrentes durante uma semana de entrevistas de grande repercussão nacional.
Lula questiona a imparcialidade da emissora
O próprio presidente Lula comentou o episódio durante uma caminhada de campanha em Ipatinga, Minas Gerais, na noite de sexta-feira.
Em discurso aos apoiadores, o presidente criticou a Globo e afirmou desconfiar da postura da emissora em relação à sua candidatura.
Lula também associou suas divergências com o grupo de comunicação a temas como a regulamentação das apostas esportivas, o fim da escala de trabalho 6×1 e as investigações envolvendo o Banco Master.
As declarações representam a avaliação política do presidente. Não há, nas informações publicadas sobre o almoço, comprovação de que a direção da Globo tenha negociado favorecimento editorial, interferido no conteúdo da sabatina ou estabelecido compromissos eleitorais com Flávio Bolsonaro.
O debate sobre a relação entre mídia e poder político
A reunião coloca em evidência uma discussão recorrente nas democracias sobre os limites e a transparência das relações entre dirigentes de grandes grupos de comunicação e candidatos a cargos públicos.
Encontros institucionais não são, por si só, irregulares. Empresas jornalísticas mantêm interlocução com autoridades, representantes partidários e lideranças políticas.
Durante uma campanha presidencial, entretanto, a proximidade entre esses encontros e eventos jornalísticos de grande audiência pode provocar questionamentos sobre a percepção pública de independência editorial.
No caso de sexta-feira, o fato documentado é que Flávio Bolsonaro foi recebido pela presidência do Grupo Globo horas antes da entrevista, enquanto Lula não participou de uma agenda equivalente. A empresa afirma que a diferença ocorreu porque apenas a campanha do candidato do PL solicitou a visita.
O episódio evidencia a importância de critérios transparentes nas relações entre veículos de comunicação e agentes políticos, sobretudo em um segundo turno presidencial marcado por uma disputa acirrada e pelo papel decisivo da informação na formação da opinião pública.
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