Paraíba receberá mais de R$ 23 milhões para o audiovisual após acordo com o MinC

O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB), formalizou nesta terça-feira (24), em Recife, um acordo com o Ministério da Cultura para ampliar e descentralizar os investimentos no setor audiovisual. A iniciativa integra a política nacional de Arranjos Regionais e deve injetar mais de R$ 23 milhões na cadeia produtiva do estado, combinando recursos estaduais e federais.
O aporte reúne diferentes fontes de financiamento. Do total, R$ 15 milhões virão do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), gerido pelo governo federal, enquanto o governo estadual entra com R$ 3 milhões. A Secult-PB também destinará outros R$ 3 milhões via ICMS Cultural e Patrimonial — Indução Cinematográfica, além de R$ 2,6 milhões oriundos da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), em seu segundo ciclo. A ação faz parte de um esforço mais amplo coordenado pelo governo federal, que prevê cerca de R$ 630 milhões em investimentos no audiovisual em todo o país.
A lógica central do programa é reduzir a concentração de recursos nos grandes centros e estimular a produção em diferentes regiões. Segundo o secretário de Cultura da Paraíba, Pedro Santos, a estratégia passa pela criação de editais regionalizados, com alcance ampliado e distribuição mais equilibrada dos recursos. A expectativa é que o modelo favoreça o acesso de novos realizadores e fortaleça a diversidade de produções no estado.
Na prática, os investimentos devem impulsionar toda a cadeia do audiovisual paraibano. Estão previstas ações que vão desde o desenvolvimento e produção de obras — incluindo curtas, médias, animações e conteúdos voltados ao público infantil — até iniciativas de formação técnica, criação de núcleos criativos, estímulo a cineclubes e preservação da memória audiovisual. Também está no radar a implantação de um acervo digital do cinema paraibano, além de medidas voltadas à circulação e formação de público.
Os editais que operacionalizam esses recursos devem ser lançados ainda no primeiro semestre, após os trâmites de validação junto ao Ministério da Cultura. A expectativa é que o pacote não apenas aumente o volume de produções locais, mas também gere impacto econômico direto, com a criação de empregos e novas oportunidades no setor.
Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o reposicionamento da política pública para o audiovisual reforça o papel estratégico da cultura no desenvolvimento. Segundo ela, o setor não apenas movimenta a economia, mas também contribui para a inclusão social, a redução da violência e a ampliação de perspectivas para as novas gerações.
Ao apostar na descentralização e na diversidade de formatos e linguagens, o programa sinaliza uma mudança de eixo: menos concentração, mais capilaridade — e a tentativa de transformar o audiovisual em vetor de desenvolvimento regional.



