Redação Pragmatismo
Notícias 27/Jun/2026 às 16:28 COMENTÁRIOS
Notícias

Pai pediu ajuda ao ChatGPT para matar o próprio filho de 8 anos; polícia recuperou mensagens

Publicado em 27 Jun, 2026 às 16h28

Pai planejou a morte do próprio filho, uma criança de apenas 8 anos, com a ajuda do ChatGPT no Espírito Santo. O homem acabou denunciado pela própria OpenIA, que identificou as conversas e encaminhou às autoridades brasileiras. O Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça informou que este é apenas o terceiro caso do tipo registrado no Brasil.

homem pai ajuda chatgpt

Um pai foi preso no Espírito Santo por planejar a morte do filho de 8 anos. Ele foi denunciado após conversar sobre o caso com o ChatGPT. A OpenAI, criadora do assistente de inteligência artificial, informou o ocorrido ao FBI, que repassou as informações às autoridades brasileiras.

O pai usava o ChatGPT como uma espécie de diário enquanto planejava matar o próprio filho, de 8 anos, para não pagar pensão alimentícia à ex-companheira.

O homem foi preso em 19 de junho, um dia antes da data que havia escolhido para cometer o crime. Antes, escreveu no ChatGPT que estaria com uma arma, uma corda e veneno e que realizaria atentados em espaços públicos. “Quando identificamos conversas que indicam um risco iminente e crível de dano a outras pessoas, podemos notificar as autoridades competentes”, disse a empresa.

Nas mensagens, o homem escreveu que tentou contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para matar o filho, mas que a proposta foi recusada após informar que a vítima era uma criança. “Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer”, disse, em uma das mensagens.

Assistentes como o ChatGPT monitoram tudo o que é dito em conversas, ainda que a maior parte da revisão seja feita por sistemas automatizados, disse Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“No caso do pai do Espírito Santo, a fronteira foi cruzada porque havia vítima identificada, método, meios e data próxima. Ou seja, o alerta disparado foi de máxima severidade”, afirmou.

A OpenAI diz que começa a análise por meio de sistemas automatizados, que incluem modelos de IA capazes de categorizar conteúdos e fazer análises mais complexas sobre o contexto da conversa.

A etapa inclui ainda bancos de dados que reúnem arquivos já sinalizados, como acontece nos casos de exploração sexual infantil, e listas de termos proibidos na conversa.

Caso a conversa seja sinalizada por esses mecanismos, ela é enviada para moderadores humanos. Eles analisam a atividade para indicar se houve violação de políticas e se o usuário realmente pode cometer um ato de violência.

Os moderadores podem classificar a atividade como um caso de baixo risco ou desativar a conta e entrar em contato com pessoas e organizações mais capazes de resolver a situação, como aconteceu no Espírito Santo.

A investigação

O FBI, equivalente americano à Polícia Federal, encaminhou a denúncia ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que direcionou o material à Polícia Civil do Espírito Santo.

As informações foram enviadas, então, à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Espírito Santo, que realizou a prisão em cumprimento a mandados judiciais. O delegado Ícaro Olímpio disse que o homem negou a acusação, mas foi detido com base no histórico de conversas com o ChatGPT fornecido pela OpenAI.

Recomendações

COMENTÁRIOS