Redação Pragmatismo
Justiça 11/Jun/2019 às 21:00 COMENTÁRIOS

Extremistas querem deportar jornalista que revelou 'Lavajatogate'

Campanha pela deportação de Glenn Greenwald vira grito de guerra da direita. Jornalista que revelou o esquema da Lava Jato é um dos mais premiados do mundo. "Tentativa de censurá-lo e até de expulsá-lo confirma que o poço não tem fundo no Brasil", comenta colega

Extremistas querem deportar jornalista que revelou 'Lavajatogate'
Glenn Edward Greenwald (Imagem: Fernando Frazão | ABr)

Leonardo Sakamoto*

Após publicar uma série de reportagens trazendo diálogos comprometedores que envolvem o então juiz federal Sérgio Moro e procuradores da força tarefa da Lava Jato, o site The Intercept Brasil passou a ser atacado por pessoas exigindo o seu fechamento. E o jornalista Glenn Greenwald, um dos autores das matérias e um dos fundadores do site, tornou-se alvo do ódio de bolsonaristas e daqueles que não aceitam críticas à operação.

A xenófoba hashtag #DeportaGreenwald chegou a figurar entre as mais compartilhadas desta segunda (10), no Twitter, pedindo sua expulsão. Glenn, que é norte-americano e mora no Brasil, sendo casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), também vem sofrendo ataques homofóbicos desde que trouxe as informações a público.

Ganhador do Prêmio Pulitzer 2014, um dos mais importantes do jornalismo mundial, Glenn Greenwald foi um dos responsáveis, junto com Edward Snowden, ex-funcionário da CIA, por mostrar como o governo de seu país monitorava ilegalmente e em massa a comunicação dos cidadãos.

Uma parcela da sociedade não entende ataques a jornalistas como um ataque à liberdade de expressão, um pilar da democracia. Vê isso como uma manifestação banal do descontentamento. Incendiada por conteúdos superficiais distribuídos pelas redes sociais e não acostumada ao debate público de ideias, à aceitação da diferença de opinião e à empatia pelo outro, parte para a ignorância. Cede aos discursos fáceis e toscos de analistas, apaixona-se pela violência de seus líderes.

Algumas lideranças sabem o tamanho de sua caixa de ressonância, o fanatismo de alguns de seus seguidores, que agem como torcida organizada, e o gigantismo de redes simpáticas a eles ou por eles controladas. Ao ter consciência disso e não agir para evitar ataques, tornam-se cúmplices das consequências de seus atos. Dizem não incitar a violência com suas palavras. Mas, como já disse aqui, muitas vezes não são eles que atacam, mas é a sobreposição de seus discursos ao longo do tempo que distorce o mundo e torna a agressão banal. Ou, melhor dizendo, “necessária” para tirar o país do caos e levá-lo à ordem. Acabam por alimentar a intolerância, que depois será consumida por fãs malucos ou seguidores inconsequentes que fazem o serviço sujo.

Você pode não gostar da cobertura do The Intercept Brasil ou de outros sites, jornais, revistas, canais de rádio e de TV, do posicionamento de colunistas e blogueiros e discordar profundamente da pauta conduzida por um veículo. A imprensa, como qualquer outro ator social, pode e deve ser criticada. Caso veja erro ou má fé em um conteúdo publicado por uma empresa jornalística, alguém retratado deve buscar, junto ao veículo de comunicação, seu direito de resposta. E se isso for insuficiente, procurar na Justiça a reparação.

Contudo, o que vemos em abundância são ataques traduzidos na invasão da vida privada dos profissionais, distorcendo fatos, expondo dados pessoais, ameaçando seus filhos e pais. Por vezes, essa violência transborda a rede e vai para a rua, para o restaurante, para a porta da casa. Não raro, transforma-se em socos, pontapés, pedradas, cusparadas, empurrões. A perseguição é sempre mais violenta quando o alvo são mulheres (quando o ataque também ganha cunho sexual), além de negros e da população LGBTTQ.

O processo de ataque aos jornalistas se assemelha à tortura – instrumento de trabalho do açougueiro Brilhante Ustra, assassino da ditadura militar, apontado como herói pelo presidente Jair Bolsonaro. Não é usado para que o jornalista em questão seja punido pelo que supostamente fez, mas para que, traumatizado, nunca mais tenha coragem de fazer novamente.

Nesse sentido, o presidente da República tem sido um exemplo para os inconsequentes que atacam jornalistas. Em um momento, se vale de uma notícia claramente falsa para atacar uma repórter do jornal O Estado de S.Paulo. Em outro, comete assédio contra uma da Folha de S.Paulo durante uma entrevista. Na esteira disso, milhares de seguidores em fúria acusam, condenam e promovem um linchamento punitivo nas redes.

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Pelas declarações de Glenn Greenwald e de sua equipe, isso não vai mudar o curso da investigação. Afirmam ter recebido uma grande quantidade de informação de uma fonte anônima e muita coisa ainda deve ser divulgada. O que não significa que não estão tomando cuidado. Ser jornalista no Brasil pode ser mais perigoso do que cobrir guerras.

Fui convidado para falar em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, no dia 4 de junho, sobre a violência contra jornalistas e comunicadores, que vem crescendo em todo o país, e o que isso significa para a democracia. Organizada pelas Comissões de Direitos Humanos e Minorias e pela Comissão de Cultura, contou com a participação da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e da ONG Artigo 19, além de parlamentares.

Lembrou-se que o respeito à integridade dos jornalistas, sejam eles de veículos tradicionais ou alternativos, mídia grande ou pequena, liberal ou conservadora, segue sendo um dos pilares da democracia.

O Brasil já é um dos países mais violentos para jornalistas e comunicadores, com pessoas assassinadas no exercício da profissão. Além de acabar com a impunidade de quem incita e quem comete violência, ação a ser tomada pelo Estado, é fundamental reduzir a ultrapolarização do debate público – que vem normalizando ataques a quem divulga algo diferente do que um grupo ideológico quer ouvir, seja à esquerda, seja à direita.

Casos como o de Glenn Greenwald deveriam ser acompanhados de perto pelo Congresso Nacional, pelo Ministério Público Federal e pelo Conselho Nacional de Justiça.

Cabe à sociedade decidir se quer uma imprensa livre, mesmo que discorde dela, e sair em sua defesa. Ou se está satisfeita com a proposta colocada à mesa nas eleição de 2018: substituir a pluralidade e o contraditório por mensagens falsas postadas em grupos de WhatsApp que confirmam uma limitada visão de mundo.

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*Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo

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Comentários

  1. Greenwald cita relações de Moro e Dallagnol com a Globo para os próximos capítulos Postado em 11/Jun/2019 às 22:45

    […] também: Extremistas querem deportar jornalista que revelou ‘Lavajatogate’ The Intercept sofre ataques após revelar esquema entre Moro e Dallagnol Jornalismo brasileiro […]

  2. Wadãoroubus Postado em 05/Jul/2019 às 16:21

    Isso é um absurdo. Só jornalistas que chamem alcoólatra de alcoólatra merecem a deportação.

  3. Wadãoroubus Postado em 05/Jul/2019 às 16:21

    Só falta ligarem para o dono da E Bay e pedirem a demissão dele.

  4. Janaína Caires Oliveira Postado em 05/Jul/2019 às 16:21

    Grupo hacker denúncia Glenn Greenwald por conluio utilizando criptomoedas no caso The Intercept...Que ele responda pelo ato e pague esquerdopata segue a risca a cartilha: Chame-os do que vc é, Acuse-os do que vc faz.

  5. Janaína Caires Oliveira Postado em 05/Jul/2019 às 16:21

    Agora, um grupo hacker chamado apenas de Pavão Misterioso, divulgou várias denúncias que relacionam Glenn Greenwald a um cracker, que supostamente foi pago com criptomoedas. O tal cracker foi escolhido para quebra o sigilo das conversas, atuando de maneira ilícita para conseguir as tais conversas... Segundo o grupo Pavão Misterioso, a ação do The Intercept teria tido motivação partidária, já que Glenn Greenwald é casado com David Miranda, membro do partido do PSOL que substituiu Jean Willys após ele ter saído do país por receber ameaças. Através das postagens no Twitter do Pavão Misterioso, Glenn é acusado de tentar anular a Lava Jato. A denúncia do Pavão Misterioso O grupo Pavão Misterioso destacou quais são os membros importantes durante a interceptação de mensagens e que estariam na então conspiração para tentar derrubar Sérgio Moro e favorecer os partidos de esquerda do Brasil. Segundo o grupo, os membros importantes da operação são: Pierre Omidyar Evgeniy Mikhailovich Bogachev Gleen Greenwald Intercept David Miranda e Jean Willys Na série de tuítes é explicado que Pierre Omidyar, dono do Ebay, foi o responsável por financiar todo o ataque contra Sérgio Moro e a operação Lava Jato. As mensagens dizem exatamente (publicaremos o conteúdo sem nenhuma alteração): “PIERRE OMYDIAR, o dono do Ebay, o site que nunca deu prejuízo desde a criação, Francês descendente de, quem diria, Iranianos, com uma luta acirrada contra o conservadorismo, o homem que financiou a queda de Viktor Yanukovych na Ucrânia e uma das estrelas do Panamá Papers.” Durante a série de tuítes também é falado de Evgeniy, o hacker russo que conseguiu a acesso às mensagens. “Evgeniy Mikhailovich Bogachev, o hacker vaidoso que ao usar um quase homônimo tornou tudo claro como as águas, pois no destino final dos valores, Pollingsoon virou poolson, como veremos a seguir.”

  6. Janaína Caires Oliveira Postado em 05/Jul/2019 às 16:21

    De acordo com as informações originais do The Intercept, as informações tinham sido entregues ao jornal. Já as denúncias de hoje indicam que elas podem ter sido compradas e encomendadas. Como teria sido feita a compra das informações SABE DE NADA O "INOCENTE" IGUAL O LULADRÃO, QUE JÁ ACUMULA 10 PROCESSOS.....O grupo de hackers informa que o hacker russo foi contratado através de uma série de transações com criptomoedas através de várias corretoras em diversos países. Segundo relato, Glenn Greenwald tentou usar as criptomoedas para esconder o caminho do dinheiro, mas esqueceu de que as transações entre as corretoras são rastreáveis. “Aos que crêem que são.palavras ao vento aqui, disponibilizaremos no decorrer o rastro do dinheiro de uma corretora brasileira até Anapa, Rússia, e se fará a grande [sic] Foi cedida a informação p q alguém pagaria mais de 300 mil dólares na cotação de [sic]. Estamos sob ataque e censura, então serei breve, alguma boa alma brasileira usando o login do intercept iniciou o passeio do dinheiro Na sequência o dinheiro passeia pelo Panamá e vira Ethereums, caindo numa corretora que opera em Anapa, Rússia, é convertida em rublos e num arroubo de vaidade, um dos maiores hackers do mundo erra.usa o nome Viktor poolson para transferir o dinheiro para Shangai.