Redação Pragmatismo
Jair Bolsonaro 02/May/2019 às 13:00 COMENTÁRIOS

Jair Bolsonaro é diferente de tudo o que já se viu no Brasil

O caso Bolsonaro é diferente de tudo o que se viu no Brasil antes e depois da democratização. O que está ocorrendo não são apenas erros de políticas públicas que poderão ser consertados a partir das próximas eleições: estão promovendo desmontes irreversíveis, que se refletirão sobre o presente e sobre as futuras gerações

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Jair Messias Bolsonaro (Imagem: Alan Santos | PR)

Luis Nassif, Jornal GGN

O país ainda não se refez do trauma do impeachment de Dilma. O desmonte institucional, induzido por Aécio Neves e convalidado pelo Supremo Tribunal Federal, produziu um caos geral. Assim, há sempre o prurido de reincidir e banalizar o impeachment como saída para as crises institucionais.

Mas o caso Bolsonaro é diferente de tudo o que se viu no país antes e depois da democratização. O país está entregue a um celerado, com ligações diretas com as milícias do Rio de Janeiro, comandando um bando de alucinados que assumiram posição de destaque no Ministério e que tem como único objetivo a destruição de todo sistema formal construído ao longo da história.

Saiba mais: O mapa das ligações de Bolsonaro com as milícias

O que está ocorrendo não são apenas erros de políticas públicas que poderão ser consertados a partir das próximas eleições: estão promovendo desmontes irreversíveis, que se refletirão sobre o presente e sobre as futuras gerações.

A maneira como estão exercendo o poder, atropelando a noção de freios e contrapesos, esmagando o espaço político de quem pensa de forma diferente, subverte a noção de democracia. Em qualquer circunstância, uma ameaça de tal monta à democracia precisa ser combatida com a arma definitiva da própria democracia: o impeachment.

Leia também: O que sobrou do Brasil após o golpe de 2016?

No campo ambiental, há um Ministro acusado de negocista, desmontando o sistema de defesa do meio ambiente, escondendo mapas ambientais, indispondo o país com a comunidade global civilizada, com reflexos inevitáveis sobre as exportações do agronegócio. E afastando fiscais que ousaram, em outros tempos, multar Bolsonaro por pesca ilegal. É o absolutismo nas mãos de pessoas sem nenhum nível, com comportamento das milícias.

Na educação, um celerado que anuncia cortes de verbas às universidades, como consequência da tal guerra cultural. E, em vez de programas educacionais, incentiva o conflito entre professores e alunos.

Na economia, um Ministro sem a menor noção do mundo real, movendo-se exclusivamente pela ideologia, desmontando uma instituição com a história do BNDES, comprometendo as estatísticas do IBGE, ameaçando as redes de proteção social que, até agora, impediram a explosão final da violência e da miséria. Está matando os instrumentos de financiamento da infraestrutura, sem colocar nada no lugar.

Na presidência, uma família de desequilibrados, com ligações diretas com as milícias e, agora, estimulando a guerra no campo, criminalizando movimentos sociais, e interferindo em rebeliões internas de países vizinhos, expondo não apenas os vizinhos, mas o próprio Brasil, às consequências de uma guerra, comprometendo século e meio de tradição diplomática.

Liberais podem julgar que o interesse nacional está no mercado; desenvolvimentistas acreditam que está no Estado. Os Bolsonaro, pelo contrário, não têm a menor noção sobre o interesse nacional. E, junto com governadores irresponsáveis, como Wilson Witzel, do Rio, e João Dória Jr, de São Paulo, ampliando a violência policial como resposta à crise social.

O cenário pela frente é óbvio.

No campo econômico, o ideologismo cego de Guedes não permitirá a recuperação da economia e do emprego. A cada mês, mais aumentará o exército dos desempregados e dos desanimados com o próprio país.

Na outra ponta, um presidente enlouquecido tentando eliminar o espaço político de todos que não concordem com suas loucuras. E estimulando a violência de ponta a ponta do país.

Como dois e dois são quatro, persistindo nessa loucura se terá em pouco tempo o caos social, a ampliação da miséria, do desalento, o crime organizado expandindo seu controle sobre o Brasil formal e as explosões sociais.

É impossível que os demais poderes, STF, Alto Comando, presidência da Câmara e do Senado, partidos políticos, assistam passivamente a essa destruição do país. É preciso parar Bolsonaro! Não se trata mais de disputa entre esquerda e direita, entre lulismo e antilulismo, mas de uma aliança tácita entre os setores minimamente responsáveis, para não permitir o desfecho trágico dessa loucura.

Cada dia a mais de governo Bolsonaro representa anos de destruição do futuro, até que o caos torne a selvageria irreversível.

É hora de parar Jair Bolsonaro!

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Comentários

  1. nelodecarvalho Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    O Brasil nunca foi um país democrático, erra o texto quando supõe que Bolsonaro está destruindo a democracia, não se pode destruir o que não existi nem nunca existiu. Por outro lado, Bolsonaro representa as mazelas do Brasil que sempre existiram e estavam ocultas. Quem sabe o verdadeiro mérito de Bolsonaro foi e é de escancarar todos os males escondidos desta sociedade e nação. Vamos ser sincero, Bolsonaro é só o fruto podre de uma sociedade que não tem como se gabar de construir algo a não ser a miséria do seu próprio povo. Bolsonaro representa o fracasso de uma nação, fracasso que se manifesta nas desigualdades sociais, no racismo e, agora, também, no fascismo.

  2. chichano goncalvez Postado em 06/Jul/2019 às 00:44

    Só mesmo sendo muito, muitttttissimo analfabeto politico para votar em chefe de quadrilha.

  3. Jonas Oberziner Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    O Bolsonaro foi eleito pelo voto e não adianta chorar. E quem votou nele tinha e tem horror ao PT (partido que apoia um genocida como o Maduro) e compactua com grande parte de suas idéias. Ele não está destruindo o país, e sim fazendo um desmonte no aparelhamento criado pela quadrilha. O mimimi é livre, mas o Lula NÃO seus retardados.

    • AiltonR Rodrigues Gomes Filho Postado em 06/Jul/2019 às 00:44

      Livres são Queiróz, Temer, Aécio e uma cambada de safados, mas vc não tá nem aí pra issso....