Simone Tebet: "A partir de agora estamos em guerra contra o fascismo, guerra contra a família Bolsonaro, guerra contra os que negaram vacina no braço do povo brasileiro"

Simone Tebet (PSB) elevou o tom contra o bolsonarismo na reta final da campanha eleitoral. Candidata ao Senado por São Paulo, a ex-ministra do Planejamento declarou que está em “guerra contra o fascismo” e contra a família Bolsonaro e resgatou a atuação do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 para justificar a ofensiva política.
“A partir de agora estamos em guerra. Guerra contra o fascismo, contra a família Bolsonaro, contra aqueles que negaram vacina no braço do povo brasileiro e foram responsáveis pela morte de milhares de pessoas. Eles não passarão”, declarou Tebet.
A fala ocorreu no sábado (5), durante um ato eleitoral em São José do Rio Preto, no interior paulista. Tebet estava ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de Marina Silva, que também concorre ao Senado.
Tebet endurece discurso na reta final
A declaração representa uma mudança de intensidade no discurso de uma política que construiu boa parte de sua trajetória nacional apresentando-se como uma liderança de centro e defensora da conciliação.
Agora, porém, Tebet argumenta que a disputa eleitoral ultrapassa divergências comuns entre partidos e envolve a defesa da democracia e das instituições brasileiras.
O principal alvo nacional de seu discurso é Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em São Paulo, Tebet também direcionou críticas ao governador Tarcísio de Freitas, que tenta a reeleição.
Pandemia volta ao centro do discurso
Ao mencionar aqueles que “negaram vacina no braço do povo brasileiro”, Tebet resgatou um dos períodos que mais marcaram sua projeção nacional: a CPI da Covid.
Ainda senadora pelo Mato Grosso do Sul, ela teve participação destacada nas discussões sobre a condução da pandemia pelo governo Bolsonaro e tornou-se uma das vozes mais críticas à demora na aquisição de vacinas e à promoção de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19.
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A crítica não surgiu agora. Quando anunciou apoio a Lula no segundo turno da eleição de 2022, Tebet afirmou que o Brasil havia passado quatro anos mergulhado em conflitos e disse que “a negação atrasou a vacina”.
Na ocasião, ela havia terminado o primeiro turno em terceiro lugar, com quase 5 milhões de votos, e decidiu apoiar Lula apesar das divergências que mantinha com o PT.
De adversária de Lula a integrante de seu governo
A aproximação entre Tebet e Lula foi construída justamente naquela eleição.
Em 5 de outubro de 2022, três dias depois do primeiro turno, ela anunciou que votaria no petista contra Jair Bolsonaro. O MDB havia optado pela neutralidade, mas Tebet tomou uma posição individual.
“Depositarei nele o meu voto, porque reconheço, no candidato Lula, o seu compromisso com a democracia e a Constituição, o que desconheço no atual presidente”, afirmou na época.
Após a vitória de Lula, Tebet assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento e permaneceu na Esplanada durante três anos. Em 2026, deixou o governo, filiou-se ao PSB e entrou na disputa por uma cadeira no Senado por São Paulo.
Mulheres são alvo da estratégia de Tebet
Durante o ato em São José do Rio Preto, Tebet dirigiu parte de seu discurso especificamente às eleitoras.
A candidata afirmou que as mulheres terão papel decisivo para derrotar eleitoralmente Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e Tarcísio de Freitas na eleição paulista. A estratégia busca transformar a resistência feminina ao bolsonarismo em mobilização eleitoral também nas disputas estaduais.
Tebet disputa uma das duas vagas paulistas ao Senado. Marina Silva (Rede), outra integrante do campo governista, concorre à segunda. Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostrou Marina com 14% e Tebet com 12%, ambas competitivas em uma disputa ainda marcada por elevado número de eleitores sem candidato definido.
“Eles não passarão”
A expressão escolhida por Tebet para encerrar a fala — “eles não passarão” — reforçou o caráter deliberadamente antifascista de seu discurso.
A frase remete historicamente ao lema “No pasarán”, popularizado pelas forças antifascistas durante a Guerra Civil Espanhola e posteriormente incorporado por movimentos políticos de diferentes países como símbolo de resistência ao autoritarismo.
No caso brasileiro, Tebet empregou a expressão para enquadrar a eleição de 2026 como uma continuidade do embate político iniciado anos antes contra o bolsonarismo.
Há quatro anos, quando rompeu a neutralidade de seu então partido para apoiar Lula, Tebet dizia que seu “grito” seria pela defesa da democracia. Agora, já tendo integrado o governo Lula e enfrentando nas urnas candidatos ligados ao ex-presidente, abandonou o vocabulário conciliatório naquele palanque e adotou uma formulação muito mais contundente: “Estamos em guerra”.
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