Redação Pragmatismo
Justiça 12/Jun/2019 às 15:00 COMENTÁRIOS

Rede abandona Moro e diz que ele "cometeu crime tal qual corrupção"

Partido Rede Sustentabilidade retira apoio a Sergio Moro: “O fim do combate à corrupção não pode justificar meios jurídicos escusos. Moro cometeu crime tal qual corrupção”, diz líder do partido no Senado

Rede abandona Moro cometeu crime tal qual corrupção
Randolfe Rodrigues, senador pela Rede-AP (Imagem: Geraldo Magela | Agência Senado)

Jornal GGN

Fui favorável à operação Lava Jato. Nós sempre tivemos como princípio o combate à corrupção. Mas o fim do combate à corrupção não pode justificar meios jurídicos escusos”, respondeu o líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (AP), para o blog de Tales Faria, do UOL.

Randolfe se refere ao escândalo revelado pelo site “The Intercept Brasil” mostrando gravações das conversas do então juiz Sérgio Moro com a força-tarefa da Lava Jato.

A Rede foi a sigla dentro do Congresso que mais luto para manter o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) subordinado ao Ministério da Justiça. Não conseguiu. Agora, Randolfe mostra que o partido está abandonando o hoje ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

Segundo o líder da Rede no Senado, as gravações mostram o “cometimento de injustiça” proposital de Sérgio Moro no inquérito que levou à prisão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O que, para ele, “é um crime de igual teor quanto a corrupção”.

Ele ressalta, entretanto, que não se pode jogar todo o trabalho da Lava Jato fora: “Não posso dizer que o [ex-presidente da Câmara] Eduardo Cunha [que está preso] é inocente. Não posso esquecer que assisti aquela sala cheia de dinheiro do [ex-deputado e ex-ministro] Geddel Vieira Lima. Têm ações e operações da Lava Jato que precisam ter sequência”, explicou.

Agora tem que separar o joio do trigo. Aquela [ação] em relação ao ex-presidente Lula é uma delas”, completou.

O senador entende que Moro não tem mais condições de permanecer como ministro da Justiça e, ainda, que “é praticamente impossível que venha a ser ministro do Supremo Tribunal Federal”.

Aqui no Senado, tenho certeza que ele não teria os 41 votos necessários”, prosseguiu Randolfe.

O parlamentar avalia que o erro do ex-juiz foi a vaidade: “Ele preferiu servir a governos. Resolveu promover a sua carreira, tentando ser no futuro, talvez, ministro do STF ou presidente da República“, explica.

Randolfe vê claramente, nas gravações, que Moro atuou de duas formas: como aliado de uma das partes, o Ministério Público e, segundo, nas eleições à presidência do país, “em seguida assumindo uma vaga no governo que se sagrou vitorioso”, observa.

O líder da Rede pontua ainda que o presidente Jair Bolsonaro já deixou de apoiar Moro desde a disputa pelo controle do Coaf: “[Ele] rifou [Moro] quando o governo deixou o Coaf ir para o Ministério da Economia e agora o ministro está se tornando um peso para o governo de Jair Bolsonaro, tanto é que o presidente tem evitado se solidarizar”.

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Leia a coluna de Tales Faria na íntegra.

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