Redação Pragmatismo
Justiça 10/Jun/2019 às 19:30 COMENTÁRIOS

Há três anos, Moro debochava de acusações de que era ‘juiz-investigador’

Vídeo: Há três anos, durante palestra, Sergio Moro debochou de acusações de que ele era um ‘juiz-investigador’. Neste domingo (9), reportagens especiais publicadas pelo The Intercept comprovaram a veracidade da tese

Moro debochava de acusações juiz-investigador ministério público lava jato
Sérgio Fernando Moro (Imagem: Rodolfo Buhrer | Reuters)

RBA

Há três anos, o ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, debochou de quem o acusava de ser “juiz-investigador”. O vídeo abaixo traz fala de Moro em palestra na Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), em Curitiba.

Ontem (9), o site The Intercept Brasil revelou trocas de mensagens entre Moro e o procurador Deltan Dalagnol, que mostram justamente orientações, dicas e combinação de operações entre acusação e julgador.

Ações ilegais que culminaram na condenação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e de outros políticos e empresários.

Na palestra, Moro afirmou que ficava irritado e que eram infundadas as críticas ao trabalho dele, que o consideravam um “juiz investigador”.

Se ouve muito por aí, ‘a estratégia de investigação do juiz Moro’. Eu falo assim, a culpa é toda do Ministério Público e da Polícia Federal e dos órgãos auxiliares, porque eu não tenho estratégia de investigação nenhuma. Quem investiga e decide o que vai fazer é o Ministério Público e a polícia. O juiz ele é reativo. O juiz normalmente deve cultivar essas atitudes passivas”, disse.

As conversas entre Moro e Dallagnol revelam que o ex-juiz não apenas adotara uma linha de investigação, como orientava os procuradores. Entre as mensagens estão a combinação de ações, cobranças sobre a demora em realizar novas operações, orientações e dicas de como a Força Tarefa da Lava Jato devia proceder. Além disso, o site revelou que o procurador duvidava das provas contra Lula e de propina da Petrobras horas antes da denúncia do tríplex e que a equipe de Ministério Público Federal atuou para impedir a entrevista de Lula antes das eleições por medo de que ajudasse a eleger o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad.

Moro e Dallagnol chegam a comemorar a repercussão das manifestações contra o governo da ex-presidenta Dilma Rousseef. Dallagnol parabeniza Moro “pelo imenso apoio público hoje”. “Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal”, continua.

Saiba mais:
Dallagnol usa argumento falacioso para tentar se vitimizar
Imprensa internacional repercute que Moro e Dallagnol agiram com fins eleitoreiros
Dallagnol duvidava de provas contra Lula, mas se apegou a matéria de jornal
“Maior escândalo do Judiciário brasileiro”, diz jurista sobre conluio da Lava Jato
320 juristas pedem afastamento imediato dos envolvidos na conspiração da Lava Jato
Lava Jato vai para o lixo da história se Lula não for solto

Depois, os dois conversam sobre a divulgação da conversa entre Lula e a ex-presidenta, quando da indicação dele para ministro, o que revela que a ação foi premeditada e negociada entre acusação e julgador. Dallagnol diz: “Não entendo que tivéssemos outra opção”. E Moro responde: “Não me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão.”

Apenas 15 dias depois de trocar essas mensagens, Moro ainda diria, na referida palestra, que quem o acusava de “juiz investigador” devia olhar nos autos e identificar algum ato em que isso estivesse demonstrado. “No máximo juntada de documentos. Eventualmente, oitiva de uma testemunha. Dentro desse rol enorme de casos criminais é praticamente nada”, disse o ministro.

Naquele momento, as conversas reveladas ontem já estavam registradas em seu celular.

Confira a íntegra da palestra abaixo:

Leia também:
Lava Jato do início ao fim: uma operação viciada e politicamente interessada
Ex-assessora de Sergio Moro na Lava Jato admite que “a imprensa comprava tudo”
Livro revela erros da Lava Jato e objetivos não-declarados da operação
Operação Lava Jato: como tudo começou
MPF aponta que esquema na Petrobras começou ‘há pelo menos 15 anos’

Siga-nos no InstagramTwitter | Facebook

Comentários