Redação Pragmatismo
Eleições 2018 05/Oct/2018 às 16:22 COMENTÁRIOS

Como evitar a tragédia Bolsonaro?

Seremos capazes de evitar a eleição de um candidato que propõe implantar a ditadura militar, que congrega gente saudosa das piores experiências, das torturas, das relações com pistolagens e grupos de extermínio? Com grupos de pessoas violentas, e que defendem a violência de Estado contra a oposição?

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Josias Pires, Jornal GGN

Seremos capazes de evitar a eleição de um candidato que propõe implantar a ditadura militar, que congrega gente saudosa das piores experiências da ditadura militar, das torturas, das relações com pistolagens e grupos de extermínio? Com grupos de pessoas violentas, e que defendem a violência de Estado contra a oposição? E defendem a privatização de todas as empresas e instituições públicas, a exemplo das universidades, escolas de ensino médio, serviços de saúde, relações trabalhistas ainda mais extorsivas?

Precisamos lutar até o último momento para que a tragédia possa ser evitada.

Neste momento das eleições devemos refletir com toda atenção. Haddad, Ciro, Boulos, Marina e até Alckmin – ou pelo menos seus eleitores que vieram da luta contra a ditadura – são candidaturas que tem algum compromisso com a democracia.

A descrença na política faz imenso mal para a democracia. Desvalorizado, injuriado, o afeto político fica disponível para pregações de demagogos, supostamente antissistema, porém encarnação de valores ultraneoliberais.

A violência e a segurança são questões cruciais, sim. A violência é elemento constitutivo da formação histórica do Brasil, país que passou 350 anos (1500-1888) de escravidão, cuja herança continua visível e profunda. Para enfrentar e vencer a violência é preciso reforçar afetos de solidariedade.

É preciso investir na paz. A formação da polícia deve voltar-se para acabar com a mortandade de seres humanos. A matança de bandidos e policiais é barbárie a ser imediatamente interrompida. Assassinando jovens – milhares deles com enorme potencial de liderança e criatividade, se pudessem usufruir de políticas públicas e privadas favoráveis – estamos assassinando nosso futuro.

É preciso acabar com esta coisa odiosa de torturar pessoas nas prisões.

Torturar é ação (des)humana indigna. Torturador deve ser desautorizado. O objetivo deve ser acabar com as prisões.

Precisamos de campanhas de desarmamento; e da ação das forças policiais para coibir a entrada de armas pelas fronteiras e coibir a circulação de armas no país.

As energias e recursos do Estado devem ser direcionadas para os investimentos na formação e na manutenção do bem-estar dos brasileiros e na melhoria da infraestrutura do país: saúde, educação, geração de renda, cultura, transportes, produção econômica, cidadania, solidariedade.

Precisamos de polícia humana, de Estado que pare de matar, pare de fazer guerra às drogas, controle este comércio; e invista com qualidade na formação das pessoas. A polícia precisa deixar de ser formada para ter ódio, ao contrário, o papel da polícia é prevenir e combater o crime com astúcia e inteligência.

A estratégia do neoliberalismo é disseminar competição em todas as esferas da vida. No mundo oficial e no submundo a ideia é reforçar o indivíduo como capital humano ativado pelo desejo de consumir, de competir, de acumular, de fazer prevalecer seus interesses particulares.

O futuro que promete os neoliberais é a tragédia de mais mortes e austericídio que sacrifica os mais pobres, e propõe a continuação da barbárie por outros meios.

É preciso estimular e fortalecer afetos de solidariedade, de defesa da liberdade e da promoção da igualdade. É um projeto antigo, que um dia se chamou liberal e que produziu as revoluções americana (1760) e francesa (1789) e estimulou o pensamento e ação política libertária em todo mundo ao longo do século XIX e seguintes.

O liberalismo no Brasil do Império, assim como o da República, esteve inteiramente voltado para justificar e garantir a propriedade – particularmente de seres humanos – e excluir escravos e os mais pobres.

Ao invés de liberalismo, o que tem prevalecido na cultura política brasileira são soluções autoritárias. Sempre tutelada – pelo Rei, pelo Imperador e desde a República pelos militares – nossa democracia ainda é incapaz de defender os interesses nacionais. O Brasil é uma nação inconclusa, a maioria da população continua excluída. Brasileiros expatriados em sua própria terra.

Vote Certo.

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