Venezuela chega a 1.719 mortos após terremotos; NASA revela dimensão da tragédia

A tragédia provocada pelos dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela continua se agravando. O número oficial de mortos chegou a 1.719, enquanto milhares de equipes de resgate seguem vasculhando os escombros em busca de sobreviventes e desaparecidos. Cinco dias após os tremores, um resgate emocionante renovou a esperança da população: Aaron Cantillo, de 21 anos, foi encontrado com vida após passar 106 horas soterrado sob um prédio destruído.
O jovem foi retirado dos destroços durante a madrugada desta segunda-feira (29), sob aplausos dos socorristas. Já no hospital, afirmou que foi o único sobrevivente localizado no edifício onde estava e chamou os bombeiros que o salvaram de “anjos”. O caso tornou-se um dos símbolos da maior operação de busca e salvamento já realizada no país.
NASA estima quase 59 mil construções destruídas ou danificadas
Enquanto as buscas continuam, análises por satélite ajudam a dimensionar a magnitude da destruição.
Pesquisadores ligados à NASA, utilizando imagens de radar do satélite Sentinel-1, estimam que aproximadamente 58,9 mil edificações foram destruídas ou sofreram danos nas regiões atingidas pelos terremotos. O levantamento utiliza modelos de intensidade sísmica combinados com imagens espaciais para identificar áreas com maior probabilidade de colapso estrutural.
As áreas mais afetadas concentram-se principalmente no estado de La Guaira, no litoral norte venezuelano, onde bairros inteiros foram reduzidos a montanhas de concreto. Imagens aéreas mostram edifícios completamente destruídos e dezenas de construções condenadas pela Defesa Civil.
Novo tremor interrompe operações de resgate
As operações de busca enfrentam novos obstáculos diariamente.
Na manhã desta segunda-feira, um tremor secundário de magnitude 4,6 voltou a atingir Caracas e obrigou bombeiros e voluntários a interromper temporariamente os trabalhos para buscar abrigo. Desde os terremotos principais, ocorridos na quarta-feira (24), as autoridades já registraram mais de 600 tremores secundários, mantendo elevado o risco de novos desabamentos.
A ONU alerta que o número de vítimas ainda deve aumentar nos próximos dias, já que milhares de pessoas continuam desaparecidas e diversas áreas permanecem inacessíveis.
Mais de 45 mil pessoas seguem desaparecidas
A dimensão da tragédia também aparece na quantidade de pessoas cujo paradeiro ainda é desconhecido.
Segundo uma plataforma colaborativa criada pela própria população venezuelana para localizar familiares, mais de 45 mil pessoas continuam desaparecidas. Paralelamente, as Nações Unidas informaram ter adquirido 10 mil sacos funerários para apoiar as autoridades diante da expectativa de aumento no número de mortes.
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Em uma das cenas que mais comoveram o país, um adolescente continua procurando sozinho pela mãe e pelo irmão mais novo utilizando apenas uma pá para remover os escombros.
“Seguimos em frente”, afirmou.
Ajuda internacional reúne 27 países
A resposta internacional à tragédia também cresce a cada dia.
Até o momento, 27 países enviaram algum tipo de assistência humanitária, entre eles Brasil, Estados Unidos, China, Alemanha, Suíça e Reino Unido.
Ao todo, já chegaram ao país:
mais de 500 toneladas de suprimentos humanitários;
cerca de 2.700 socorristas estrangeiros;
86 equipes especializadas de busca e resgate;
cães farejadores enviados pelo Reino Unido;
hospitais de campanha, medicamentos, equipamentos médicos e sistemas de purificação de água.
O Brasil participa da operação com equipes de resgate, militares, cães farejadores, hospital de campanha, purificadores de água e mais de 111 mil medicamentos e insumos médicos, enviados em três voos humanitários.
Terremotos foram os mais fortes em mais de um século
Os desastres ocorreram na quarta-feira (24), quando dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram o norte da Venezuela com apenas 39 segundos de intervalo. Especialistas consideram o evento um “duplo terremoto”, fenômeno raro em que dois grandes abalos ocorrem praticamente em sequência na mesma região tectônica.
Segundo pesquisadores, foi o terremoto mais intenso registrado na Venezuela desde o início do século XX.
Enquanto as equipes continuam trabalhando sem interrupção, autoridades reconhecem que o balanço oficial ainda está longe de refletir toda a dimensão da tragédia. Cada novo resgate reacende a esperança, mas também reforça o desafio enfrentado pelo país diante de um dos maiores desastres naturais de sua história recente.
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