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Mulheres violadas 13/Fev/2026 às 19:33 COMENTÁRIOS
Mulheres violadas

"Eu conhecia Thales, que atirou nos filhos, e ele não era nenhum exemplo de moral", diz moradora de Itumbiara

Publicado em 13 Fev, 2026 às 19h33

Reviravolta: familiares revelam que casal já estava oficialmente separado desde dezembro, mas Thales não aceitava o fim do casamento. As crianças, inclusive, já viviam em guarda compartilhada e estavam com o pai essa semana por conta do seu aniversário. Moradores de Itumbiara relatam que o homem tinha obsessão pela ex-eposa e seria capaz de tudo para prejudicá-la. "Eu o conhecia e ele não era nenhum exemplo de moral. Tinha muitos podres". São informações duras para os que tentavam justificar esse crime sob a ótica do adultério

thales machado itumbiara

por Ana Oliveira

A narrativa que circulou nas redes sociais desde a noite da última quarta-feira (11), tentando enquadrar a morte de duas crianças como consequência de uma suposta traição conjugal, começa a ruir diante de novos elementos revelados por familiares. Segundo parentes próximos, o casal já estava oficialmente separado desde dezembro. As crianças viviam em regime de guarda compartilhada e, naquela semana, estavam com o pai em razão do aniversário dele.

O caso ocorreu em um condomínio residencial de Itumbiara, no sul de Goiás. Thales Machado, de 40 anos, então secretário de Governo do município e genro do prefeito Dione Araújo, atirou contra os dois filhos e, em seguida, tirou a própria vida. O filho mais velho, Miguel Araújo Machado, de 12 anos, chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal Modesto de Carvalho, mas não resistiu aos ferimentos. O mais novo foi submetido a cirurgia e permanece internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara.

Horas antes do crime, Thales publicou em uma rede social uma mensagem direcionada às crianças: “Que Deus abençoe sempre meus filhos. Papai ama muito”. Também teria deixado uma carta de despedida sugerindo que a motivação estaria ligada ao fim do relacionamento com a ex-esposa, Sarah Araújo.

A divulgação da carta desencadeou uma onda de ataques virtuais contra Sarah. Durante o velório de Miguel, realizado na quinta-feira (12), ela precisou deixar o local após ser hostilizada e ameaçada por pessoas que a responsabilizavam pelo desfecho trágico. Parte da revolta foi alimentada por um vídeo que passou a circular na internet, supostamente mostrando a mãe das crianças com outro homem. A gravação foi usada como “prova” de uma traição que, segundo familiares, não existia no contexto apresentado.

“Eles já estavam separados desde dezembro. Ele não aceitava o fim do casamento”, afirmou um parente para a imprensa local. No perfil do Instagram da Prefeitura de Itumbiara, moradores da pequena cidade relatam que Thales demonstrava comportamento obsessivo em relação à ex-companheira. “Eu o conhecia desde a juventude e ele não era nenhum exemplo de moral, como algumas pessoas estão imaginando por conta daquela carta. [Ele] Tinha muitos podres. Essa história de traição não explica nada”, disse uma moradora.

As informações confrontam diretamente a versão difundida por perfis nas redes sociais que tentavam justificar o crime sob a ótica do adultério. Especialistas em violência doméstica classificam casos como esse como violência vicária, quando filhos são utilizados como instrumento para atingir emocionalmente a mãe. Nessa dinâmica, a motivação central não é a “honra ferida”, mas o desejo de controle e punição.

A tragédia provocou forte comoção em Itumbiara. Nas redes do prefeito Dione Araújo, mensagens de pesar se misturaram a debates acalorados sobre machismo e responsabilização. “Para punir a mulher, ele tira a vida dos próprios filhos”, escreveu uma seguidora, em comentário que sintetiza parte da indignação pública.

Thales filiado ao União Brasil, partido do sogro, e havia sido recentemente lançado como pré-candidato a deputado estadual neste ano. Conforme informado pela Polícia Civil de Goiás, “o caso é tratado como homicídio consumado e homicídio tentado, seguidos de autoextermínio por parte do autor”.

Enquanto a cidade tenta lidar com o luto, a família pede que a memória das crianças não seja atravessada por boatos. O que emerge das novas informações é um cenário mais complexo do que a narrativa simplista que ganhou tração nas primeiras horas: não se trata de um “crime passional” desencadeado por traição, mas de um desfecho violento marcado por inconformismo, obsessão e incapacidade de aceitar o fim de um relacionamento.

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