Flagrante mostra momento em que adolescentes de famílias ricas que mataram Orelha rentornam dos EUA
Imagens mostram chegada de adolescentes no Brasil após viagem à Disney. Polícia preparou um esquema especial de segurança para receber os responsáveis pela morte do cão Orelha, que tiveram celulares e roupas apreendidos

por Felipe Borges
Dois adolescentes investigados pela agressão que resultou na morte do cão comunitário Orelha, no início de janeiro, em Florianópolis, retornaram ao Brasil nesta quinta-feira (29) após uma viagem aos Estados Unidos. Os jovens haviam participado de uma excursão para a Disney, em Orlando, logo após o episódio que gerou forte comoção pública em Santa Catarina e repercussão nacional.
Imagens obtidas com exclusividade pelo Cidade Alerta, da TV Record, registraram o momento em que os adolescentes desembarcam no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e são conduzidos por policiais até viaturas ainda dentro do terminal. A Polícia Civil montou um esquema especial de segurança para o retorno dos investigados, com o objetivo declarado de preservar a integridade física dos adolescentes e de terceiros que circulavam pelo local.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, o monitoramento do retorno foi realizado em conjunto com a Polícia Federal. As autoridades identificaram que o voo de volta ao Brasil foi antecipado e que as passagens foram adquiridas na quarta-feira (28), um dia antes do desembarque. De Guarulhos, os adolescentes seguiram para Florianópolis, escoltados pelas forças de segurança.
Ao chegarem à capital catarinense, os jovens foram novamente acompanhados pela Polícia Civil em uma operação planejada para evitar tumultos. No aeroporto, foram cumpridos mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Os adolescentes foram levados a uma sala restrita, onde tiveram celulares e peças de roupa apreendidos, materiais que agora passam a integrar o inquérito.
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), que apuram as circunstâncias da agressão contra o cão Orelha, considerado comunitário e conhecido na região onde vivia. A morte do animal provocou protestos, manifestações de indignação nas redes sociais e cobranças por responsabilização dos envolvidos.
Em nota enviada à imprensa, a família dos adolescentes afirmou que a viagem aos Estados Unidos já estava programada anteriormente e não teve relação com o episódio. A defesa também declarou que o retorno ao Brasil “foi integralmente acompanhado, alinhado e organizado em conjunto com as autoridades competentes”.
Ainda segundo o comunicado, os jovens estariam prestando “apoio irrestrito às investigações conduzidas pela Polícia Civil” e demonstrariam confiança de que “o trabalho técnico e responsável das autoridades permitirá que o caso seja rapidamente esclarecido e que a inocência dos dois jovens seja comprovada”.
O inquérito segue em andamento. Por se tratar de adolescentes, os detalhes do procedimento correm sob sigilo, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente. Enquanto isso, o caso de Orelha continua a expor tensões recorrentes entre comoção social, proteção legal de menores e a cobrança por respostas efetivas do sistema de Justiça em episódios de violência contra animais.



