Redação Pragmatismo
ELEIÇÕES 2026 13/Out/2026 às 16:05 COMENTÁRIOS
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Bolsonaristas comemoram circulação de foto falsa de mulher usando drogas, associada indevidamente a uma manifestação de Lula: "Tá dando muito certo, fazendo estrago. Continuem espalhando"

Publicado em 13 Out, 2026 às 16h05
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O Pragmatismo Político teve acesso a canais e grupos bolsonaristas no WhatsApp e no Telegram em que participantes comemoram a repercussão de uma imagem falsamente associada à manifestação de apoio ao presidente Lula, realizada no domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo. O registro mostra uma jovem supostamente consumindo drogas e foi utilizado para atacar os participantes do ato, embora tenha sido publicado na internet antes da manifestação e não tenha sido produzido no Brasil. Mesmo após a associação enganosa ter sido desmentida, integrantes desses grupos continuaram incentivando a circulação do conteúdo. “Tá dando muito certo, fazendo estrago. Continuem espalhando”, dizia uma das mensagens às quais o portal teve acesso.

Saiba mais: Flávio, Tarcísio e aliados espalham fake news sobre ato de Lula; TSE aponta grave manipulação

Em outras conversas, participantes comemoravam que a publicação estava “fazendo efeito”, tratando sua repercussão como um resultado positivo para a disputa eleitoral. As mensagens mostram que, ao menos entre os integrantes desses espaços, o alcance do conteúdo continuava sendo celebrado mesmo depois de surgirem informações que desmentiam sua relação com a manifestação.

A desinformação também foi compartilhada por figuras de destaque do bolsonarismo, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Ambos divulgaram publicações que associavam indevidamente as imagens à mobilização realizada na Avenida Paulista. O registro, entretanto, já circulava anteriormente em publicações de outros países, o que desmente a alegação de que teria sido produzido durante o ato.

Na segunda-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de publicações que estabeleciam essa associação enganosa. A decisão buscou impedir que o conteúdo continuasse sendo apresentado como registro da manifestação. Apesar disso, constatou-se que mensagens incentivando sua disseminação permaneceram em circulação nos grupos e canais monitorados.

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O episódio evidencia como imagens retiradas de seu contexto original podem ser utilizadas para construir narrativas falsas sobre acontecimentos políticos. Também demonstra que a remoção de publicações em perfis públicos não necessariamente interrompe sua circulação em aplicativos de mensagens, nos quais conteúdos podem continuar sendo encaminhados mesmo depois de desmentidos.

As mensagens obtidas acrescentam um elemento à apuração. Não se trata apenas da circulação de uma imagem enganosa, mas da existência de participantes que comemoram expressamente seus efeitos e incentivam sua continuidade. O material, por si só, não permite afirmar que essas conversas tenham sido coordenadas pelas campanhas ou pelos políticos que compartilharam a publicação.

A identificação da origem do conteúdo e de eventuais responsáveis por sua disseminação organizada depende de investigação. O que os registros revelam é que, dentro dos grupos, a repercussão da imagem falsamente associada ao ato pró-Lula continuava sendo tratada como motivo de comemoração, mesmo depois de sua contextualização ter sido contestada publicamente.

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