Adolescente de 14 anos tenta matar o próprio pai no Recife após orientação em desafio do Roblox
Adolescente de 14 anos afirmou à polícia que recebeu orientações para cometer o crime dentro da plataforma de jogos online Roblox e, em seguida, tirar a própria vida. O pai estava deitado no sofá da residência quando foi atacado com seis golpes de faca. Toda a ação foi filmada pelo adolescente
via Diario de Pernambuco
Um adolescente de 14 anos foi apreendido após esfaquear o próprio pai, de 43 anos, na noite da última quinta-feira (23), no bairro de San Martin, na Zona Oeste do Recife. Segundo o relato do jovem, ele recebeu orientações para cometer o crime dentro da plataforma de jogos online Roblox e, em seguida, tirar a própria vida.
O pai estava deitado no sofá da residência após consumir bebida alcoólica quando foi atacado com seis golpes de faca. Toda a ação foi filmada pelo adolescente. Após o crime, vizinhos prestaram socorro à vítima e acionaram a Polícia Militar.
O homem foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central do Recife, recebeu atendimento médico e já teve alta hospitalar.
Os envolvidos foram encaminhados à Delegacia de Atos Infracionais, onde o adolescente foi apreendido. Ele deve permanecer cerca de um mês internado em uma unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo de Pernambuco (Funase).
Para o professor e especialista em Segurança Digital, Eronides Meneses, casos como este podem acontecer devido ao excesso de confiança dos pais para com os filhos no ambiente virtual. Ele pontua que crianças e adolescentes não conseguem medir as consequências de infrações como a registrada em San Martin.
“Sem o devido discernimento, acabam praticando atos sem compreender plenamente as consequências. Mesmo sabendo que pode ser errado, são facilmente manipulados, porque há pedófilos e adultos dispostos a induzir crianças e adolescentes a fazer exatamente o que eles desejam”, alerta.
“Ele destaca que as crianças e adolescentes tomam tais atitudes por desejo de aceitação em uma comunidade. “Eles podem ser seduzidos para o crime, para situações de violência, porque querem ser aceitos naquele grupo em que estão inseridos, muitas vezes dentro de jogos online.”
Roblox recebeu restrições e novas regras
Nos últimos meses, o Roblox passou por mudanças para evitar ocorrências do tipo. Em 2025, a plataforma anunciou novas ferramentas de controle parental, incluindo a possibilidade de os pais bloquearem contatos específicos, limitarem quais experiências os filhos podem acessar e acompanharem quais jogos são mais utilizados pelas crianças.
A empresa informou ainda ter realizado mais de 40 atualizações de segurança apenas em 2024 e ampliado as restrições para usuários menores de 13 anos.
Entre as principais mudanças, o Roblox passou a exigir verificação de idade para acesso a recursos de chat, utilizando estimativa facial e outros mecanismos de autenticação. Os usuários passaram a ser divididos por faixas etárias, como menores de 9 anos, de 9 a 12, de 13 a 15 e maiores de idade, com limitação de comunicação entre adultos e menores. A medida começou a ser implementada globalmente entre o fim de 2025 e o início de 2026.
Agora, em 2026, a empresa anunciou ainda contas específicas por idade, como “Roblox Kids”, para crianças de 5 a 8 anos, com o chat desativado por padrão, e “Roblox Select”, para usuários de 9 a 15 anos, com regras mais rígidas de moderação e acesso restrito a conteúdos aprovados.
As mudanças ganharam ainda mais repercussão após o chamado “caso Felca”. O influenciador digital viralizou ao denunciar a exposição precoce de crianças a conteúdos inadequados e interações perigosas dentro do ambiente digital, especialmente em plataformas de jogos.
Criminosos costumam se infiltrar nesses ambientes oferecendo recompensas dentro dos jogos, ajuda para avançar de fase, itens virtuais e falsas relações de amizade. O objetivo inicial é conquistar confiança para depois manipular emocionalmente crianças e adolescentes.
“Esse modus operandi não é novo. Eles se infiltram em ambientes frequentados por crianças e adolescentes, como jogos online, oferecendo brindes, vantagens dentro do jogo, ajuda para alcançar objetivos ou evoluir de fase. Também atuam em aplicativos de comunicação, como o Discord, fingindo ter a mesma idade ou apenas um pouco mais velhos”, detalha Eronides Menezes.
“Além disso, o criminoso pode criar vários perfis falsos para reforçar essa manipulação, simulando uma comunidade inteira incentivando aquele comportamento. Em outros casos, realmente se trata de grupos organizados de criminosos agindo em conjunto”, complementa o especialista.


