Redação Pragmatismo
Justiça 12/Jun/2019 às 12:30 COMENTÁRIOS

General Villas Boas volta a fazer ameaças após reportagens do The Intercept

Para quem estuda Direito Romano não é difícil decifrar a mensagem do General Villas Boas. Ele acredita – ou quer fazer o respeitável público acreditar – que a Lava Jato está acima de qualquer limitação legal ou controle judiciário

General Villas Boas ameaças após reportagens do The Intercept
Eduardo Dias da Costa Villas Bôas (Imagem: José Cruz | ABr)

Fábio de Oliveira Ribeiro, Jornal GGN

Os líderes de esquerda costumavam dizer que o general Villas Boas era um defensor da democracia, mas ele revelou sua natureza autoritária no exato momento em que ele ameaçou transformar o STF num puxadinho do Exército que ele comandava. Afastado do cargo e aposentado, ele continua usar o Twitter para fazer ameaças de cunho político.

Para quem estuda Direito Romano não é difícil decifrar a mensagem do General Villas Boas. Ele acredita (ou quer fazer o respeitável público acreditar) que a operação Lava Jato está acima de qualquer limitação legal ou controle judiciário. O poder que ela exerce é excepcional e originário e, como tal, inquestionável pelos poderes constituídos. A mensagem dele reforça a tese de indiscutibilidade das decisões proferidas por Sérgio Moro que tem sido difundida pela Rede Globo.

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A CF/88 prescreve que todo poder emana do povo e organiza seu exercício por intermédio de três corpos públicos distintos e harmônicos (Executivo, Legislativo e Judiciário) e garante a a liberdade de imprensa.

Mas o que nós temos visto desde o começo da Lava Jato é a submissão dos três poderes à agenda política de uma única empresa de comunicação (a Rede Globo). Nosso regime político, que era formalmente republicano, se transformou numa monarquia midiática.

Os juízes não tem mais a obrigação de cumprir e fazer cumprir fielmente a Lei. Eles podem se limitar a homologar por sentença as proclamações jurídicas dos jornalistas regiamente pagos pelo clã Marinho endossadas pelo General Villas Boas.

As reportagens (não deveríamos chamá-las de rePORCAgens?) contra o PT e em favor da Lava Jato funcionam como se fossem “senatus consultum ultimum”. A imprensa cria o “tumultus” e impõe um “iustitium” por meio do qual é suspensa a aplicação da Constituição e do Direito.

Não por acaso o maior defensor da Lava Jato no Judiciário (Luís Barroso) é também advogado da Rede Globo.

Villas Boas e Barroso são Castor e Polux, assim como Sérgio Moro e Deltan Dellagnol podem agir impunemente como se fossem Spurio Melio e Lucius Sergius Catilina.

Não seria melhor o general foca aposentado parar de sabotar a democracia brasileira e aproveitar o resto de sua aposentadoria tentando comandar os netos dele?

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