Redação Pragmatismo
Educação 15/Mai/2019 às 12:00 COMENTÁRIOS
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Governo volta atrás sobre cortes do MEC e deputados aliados se revoltam

Publicado em 15 Mai, 2019 às 12h00

"Não admito ser chamado de mentiroso". Deputados da base de Jair Bolsonaro se revoltam após governo desmentir recuo do corte no MEC. O presidente anunciou a parlamentares aliados que iria rever os cortes na educação, mas logo depois voltou atrás

Governo cortes do MEC deputados aliados se revoltam
Wagner Sousa Gomes, capitão da PM-CE e deputado federal pelo PROS/CE (Imagem: Captura de tela)

O governo de Jair Bolsonaro gerou um conflito com deputados que são seus aliados por conta dos cortes de verbas no Ministério da Educação (MEC).

Nesta terça-feira (14), o presidente realizou uma reunião com líderes de sete partidos (Novo, PSL, Podemos, Cidadania, PV, PSC e Patriota) onde anunciou que o governo iria rever o bloqueio de recursos no orçamento do MEC.

A informação, porém, foi desmentida logo em seguida pela Casa Civil, pelo Ministério da Educação e também pela equipe econômica. “Não procede a informação de que haverá cancelamento do contingenciamento no MEC. O governo está controlando as contas públicas de maneira responsável”, disse a Casa Civil em nota à imprensa.

A decisão do presidente havia sido divulgada pelos líderes do PSL, Delegado Waldir (GO), do Novo, Marcel Van Hattem (RS), do Podemos, José Nelto (GO), e do Cidadania, Daniel Coelho (PE).

Segundo eles, durante o encontro, Jair Bolsonaro telefonou para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e determinou que novos cortes deixem de ser feitos. “O presidente falou que não haverá contingenciamento na pasta da Educação”, disse Diego Garcia (Podemos-PR).

A confusão acontece às vésperas de uma grande manifestação que acontece por todo o Brasil nesta quarta-feira (15) contra o corte de verbas na Educação.

O MEC afirmou que a ligação entre o presidente e o ministro nem sequer existiu. Após a confusão, Weintraub dirigiu-se ao Planalto para falar com o presidente. Segundo a pasta, Bolsonaro disse a ele que o bloqueio será mantido. O Ministério da Economia afirmou em nota que a Presidência não pediu revisão no contingenciamento.

A reportagem procurou novamente os líderes. Van Hattem se disse “surpreso” com o desmentido. Garcia também reafirmou ter visto o telefonema.

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, enviou o seguinte esclarecimento: “O presidente disse que, se dependesse dele, não haveria corte em nenhum ministério. Contudo, afirmou sermos escravos da lei de responsabilidade fiscal”.

“Boato barato”

Assim que a notícia foi repercutida, a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP) creditou a situação a um “boato barato”. Deputados se incomodaram com sua fala.

O líder do PROS, Capitão Wagner (CE), disse que o “boato barato” é do governo. Um dos presentes à reunião com Bolsonaro, Wagner se disse surpreso e afirmou que foi chamado para discutir o contingenciamento no MEC e a MP 870, que reestrutura a Esplanada dos Ministérios.

Se boato ocorreu e se o boato é barato, o boato é do governo. Não vou admitir, sendo aliado do governo, ser chamado lá no Palácio do Planalto para tratar uma questão séria como essa, presenciar o presidente da República pegar um celular, ligar para o ministro na presença de vários líderes partidários e, com todas as letras, o presidente disse ‘a partir de agora o corte está suspenso’. Se o governo não sustenta o que o presidente falou na frente de 12 líderes parlamentares não sou eu que vou estar por mentiroso perante a nação”, afirmou Wagner, revoltado, na tribuna da Câmara.

Como estava o líder do governo na Câmara, o líder do partido do presidente e vem a líder do governo no Congresso e diz que é boato? De quem é o boato? Quem criou o boato foi o governo, que voltou atrás e voltou atrás de novo. Recuou duas vezes. Não admito ser chamado de mentiroso. Espero que amanhã os deputados que estavam na reunião possam indagar o ministro da Educação se ele recebeu ligação do presidente. Porque ou o ministro está mentindo, ou o presidente não ligou para ele. Será que o presidente forjou a ligação na nossa frente? Tenho certeza que não. Então, que o governo possa se pronunciar e ter peito para dizer ‘estou cortando mesmo e pronto’.”

Wagner disse que deseja ajudar o governo, mas que as confusões entre apoiadores de Bolsonaro levarão a uma crise de falta de comando no país.

O governo está demonstrando mais uma vez que está batendo cabeça. Estão batendo cabeça o PSL, a família do presidente e esse guru lá dos Estados Unidos que fica atrapalhando. Ou o presidente assume a liderança dessa nação ou de fato vamos ter um problema grave de falta de condução desse país”, concluiu.

Acordos

A confusão criada nesta terça-feira pode ser vista como um reflexo de um descrédito por parte dos parlamentares em confiar na capacidade do Executivo em cumprir acordos estabelecidos com o Congresso Nacional.

Uma pesquisa de março, da consultoria Prospectiva, mostrou que 56,9% dos parlamentares temem que as negociações com o Planalto sejam descumpridas por deslealdade ou incapacidade. Dentro da base aliada do presidente, a descrença é de 40,5%.

Convocação na Câmara

Em meio aos recuos e protestos, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, deverá comparecer nesta quarta-feira (15) na Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre os anunciados cortes no orçamento de universidades públicas e de instituições federais.

Na noite desta terça-feira (14), os parlamentares aprovaram por 307 votos a 82, sua convocação. O ministro deve comparecer à Câmara às 15h.

Esta será a segunda vez que ele vai ao Congresso para explicar seus planos para o ministério em uma semana. Na última terça-feira (7), o ministro afirmou que “todo mundo no país está apertando o cinto” para justificar os bloqueios, que, segundo ele, podem ser revertidos após a aprovação da reforma da Previdência.

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