Redação Pragmatismo
Saúde 11/Apr/2019 às 12:30 COMENTÁRIOS

Brasileiros desistem do Mais Médicos e provocam rombo na atenção básica

Saída de cubanos e desistência de brasileiros deixam Brasil em situação crítica. Na última semana, Ministério da Saúde informou que 15% dos profissionais que aderiram ao Mais Médicos no último edital – todos brasileiros – desistiram de continuar no programa

Brasileiros desistem Mais Médicos e provocam rombo na atenção básica
Programa Mais Médicos (Imagem: MS)

A saída dos profissionais cubanos do programa Mais Médicos tem refletido nas unidades de saúde em todo o Brasil, como mostra reportagem da TVT, que aponta as dificuldades causadas pela falta de atendimento à atenção básica em Embu-Guaçu, região sudoeste da Grande São Paulo. Naquela cidade, seis profissionais se revezam entre 11 Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Na última-quinta (4), o Ministério da Saúde informou que 15% dos profissionais que aderiram ao Mais Médicos no último edital – todos brasileiros – desistiram de seguir participando do programa. Nos editais anteriores, a desistência média foi de cerca de 10%.

Temos um médico trabalhando, por enquanto só um está com agenda“, relatou uma funcionária do Ambulatório Municipal de Especialidades (AME) de Embu-Guaçu ao repórter Leandro Chaves.

As 11 UBS de Embu-Guaçu atendem uma demanda de cerca de 68 mil habitantes, situação que já era precária e se agravou após a saída dos cubanos. “O impacto foi de 70% do atendimento, que ficou prejudicado. A secretaria de Saúde reorganiza o atendimento médico, distribuindo os seis profissionais que tinham ficado até agora para cobrir todas essas unidades sem médico um dia por semana“, explicou Maria Júlia Barbosa, coordenadora de Atenção Básica da secretaria de saúde do município.

Saiba mais: “O povo cubano não dá o que sobra, mas compartilha o que tem”

O cenário se estende por todo o Brasil. Após a saída dos cubanos, o governo Bolsonaro abriu às pressas um edital para contratação de médicos para cobrir as vagas deixadas. Cerca de 7 mil médicos brasileiros ingressaram no programa.

Porém, três meses depois de terem assumido, 1.052 médicos já haviam desistido de continuar no Mais Médicos – o último balanço foi divulgado na segunda (8). Os principais motivos alegados foram a incompatibilidade com os locais de trabalho designados, além da busca por outra modalidade de residência médica.

Isso precisa ser revisto, é uma questão macro, (é preciso) fixar um médico na atenção primária. Envolve uma questão inclusive de residência médica e medicina de família e comunidade“, disse Fernanda Kimura, diretora técnica de saúde.

De acordo com os profissionais da área, o Ministério da Saúde ainda não estipulou um prazo para a reposição das vagas abertas. “Nesse momento não tem previsão, então também estamos aguardando algumas decisões do ministério“, acrescenta Fernanda.

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Comentários

  1. chichano goncalvez Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    E pensar que mais de 50 milhões votaram no Bolso Nada, e tenho certeza alguns milhões desses que votaram nessa imundice, estarão desassistidos não só na saude, como na educação , segurança e tambem estarão na fila do desemprego. Sei que vou me ralar tambem, mas alguns até que merecem morrer nas filas dos postos de saude. A medicina no Brasil tem que mudar, tornar ela mais humana, pois o que se vê é os medicos quererem entrar somente para ganhar dinheiro, chega !

  2. Consul Olivar Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Como a inconsequência de um Presidente, pode causar tanto problema, uma situação resolvida no governo anterior, dando assistência médica para os brasileiros mais carentes, que vivem nos grotões do Brasil. Falta de sensibilidade com administração pública, não percebe que com seus desmandos, pôde ter pessoas morrendo por falta de assistência médica.

  3. Agamenon Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Os médicos são os culpados pelo "rombo" na atenção básica? Se ao invés de um emprego no qual já se sabe que não irá durar mais do que 3 anos, em locais de trabalho sem o mínimo de estrutura (onde em muitos postos o que há disponivel são apenas abaixadores de língua para examinar o paciente ), tendo que exercer tamanha responsabilidade na vida de milhares de pessoas, houvesse uma carreira médica com garantias reais, tantos não desistiriam. Será que não é óbvio que se mais de mil desistiram é porque o erro está do outro lado ? É justo que após um mínimo de 6 anos de estudos diários exaustivos do curso (sem contar qualquer especialização de pelo menos 2 anos), o médico seja obrigado a se submeter a esse cenário de "gambiarras" construído pelos governos até então? Há sim maus exemplos na categoria, mas certamente são minoria. Pela valorização dos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e todos os outros profissionais de saúde do Brasil!

  4. GM Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Melhor do que dar dinheiro pra país comunista imundo! Cuba e Venezuela não deveriam ter recebido 1 centavo do Brasil, agora quero ver quando os líderes ladrões desses países vão devolver o que é nosso!

  5. Paulo Roberto Galliac Postado em 05/Jul/2019 às 16:36

    Só bravata de patriotismo pelo visto desses médicos e encheram a paciência que cubanos atrapalhavam. Ai não aguentam ir pra regiões inóspitas como médicos sem fronteiras. : https://www.msf.org.br/noticias/medicos-sem-fronteiras-assina-acordo-de-cooperacao-com-o-governo-brasileiro