Redação Pragmatismo
Eleições 2018 19/Oct/2018 às 15:31 COMENTÁRIOS

Vídeo do movimento Hip Hop contra a eleição de Jair Bolsonaro

Emicida, Mano Brown, Criolo, Marcelo D2 e outros rappers lançam manifesto #RapPelaDemocracia e assinalam os riscos de uma possível eleição de Jair Bolsonaro, sobretudo para a periferia e os mais pobres

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Movimento Hip Hop pela Democracia (Montagem: Pragmatismo Político)

RBA

Representantes do movimento hip-hop brasileiro publicaram, nesta quinta-feira (19), o manifesto “Rap Pela Democracia”, em defesa do Estado democrático e contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) a presidente.

Em vídeo que compõe o manifesto, nomes como Emicida, Criolo, Marcelo D2, BNegão, Preta Rara e Mano Brown, afirmam que os valores pregados pelo candidato de extrema-direita vão na contramão do movimento, representando “uma ameaça mortal“, sobretudo aos jovens pobres das periferias do país.

Emicida, que abre o vídeo da campanha, lembra das origens da cultura hip-hop: “nasceu de imigrantes jamaicanos radicados no Bronx, em Nova Iorque, em meio a chineses, latinos e afrodescendentes“. O rapper carioca Filipe Ret tem uma fala incisiva: “As ideias de Bolsonaro são irresponsáveis e ferem nosso senso crítico e nossa inteligência“, acrescenta.

No manifesto, os rappers falam em repressão e autoritarismo, que impedem que os artistas se expressem livremente e denunciem a violência do racismo. “O amor emanado pelo hip-hop deu força para os pretos, pobres, mulheres e à comunidade LGBT. Bolsonaro age diretamente contra essas pessoas“, diz o rapper Rico Dalasam, assumidamente homossexual.

Os artistas também recomendam não votar nulo ou em branco no segundo turno, como forma de demonstrar rejeição a um partido ou à própria política. “Hoje, anular ou votar em branco é correr o risco de não votar nunca mais, de abrir caminho para o autoritarismo. Por isso, o voto em 2018 é o mais importante da nossa história“, finaliza o nordestino Don L.

O manifesto já conta com a assinatura de 3 mil pessoas. Entre os artistas engajados na campanha estão: o grupo 3030, Aori, Baco Exu do Blues, Batoré (Cone Crew), Bivolt, BK, BNegão, Coruja BC1, Criolo, Dexter, Diomedes Chinaski, Dj Vivian Marques, Djonga, Don L, Drik Barbosa, Emicida, Fillipe Ret, Flávio Renegado, Gali (Primeiramente), Gog, Guigo (Quebrada Queer), Kamau, Karol de Souza (Rimas e Melodias), Lunna Rabetti, Marcelo D2, Mano Brown, Ogi, Preta Rara, Rael, Rappin Hood, Rashid, Rico Dalasam, Rincon Sapiência, Rubia (RPW), Spinardi (Haikaiss), Sharylaine, Síntese, Tassia Reis e Thaíde.

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Leia o manifesto na íntegra:

O Rap e a cultura hip hop nasceram do convívio entre comunidades de imigrantes jamaicanos, afrodescendentes de outras origens, latinos e chineses radicados no bairro do Bronx, em Nova York. Essa cultura se tornou a principal ferramenta de comunicação, expressão e resistência dos nossos. Mais do que música e entretenimento, o hip hop é um instrumento de expressão e transformação interna do jovem, que expõe a violência do racismo, do autoritarismo e da repressão.

No Brasil, o hip hop desenvolveu cultura e vocação próprias, abrindo mentes, corações e oferecendo um ambiente de liberdade e pertencimento a pessoas antes excluídas pela sociedade. Com isso, uma nova forma de música popular brasileira surgiu, e com ela uma nova arma para o povo: o microfone. Por essa trajetória, e por tantas histórias pessoais contidas dentro dela, é incontestável: o hip hop sempre teve lado.

Muitos de vocês não sabem o que é não ter direito de se expressar. Essa era a regra durante o longo período de ditadura no Brasil. Nesta eleição, um candidato idolatra abertamente esse período sombrio, e nós não podemos andar para trás. Entre muitas outras atrocidades, Jair Bolsonaro defende que policiais tenham direito de matar sem prestar contas à sociedade. Declara sem pudores que mulheres negras não são dignas de se casarem. Se refere a quilombolas como se fossem gado. Defende o fim de direitos duramente conquistados por domésticas. Muito por conta da herança escravocrata, o Brasil é um dos países mais desiguais e com uma das maiores taxas de mortalidade policial no mundo. Aqui, as vítimas são em absoluta maioria pessoas pretas de periferia. Você acha que isso faz algum sentido? Pensa com carinho se esse é o país onde você quer morar.

Devido à rejeição de um partido, votar em branco ou anular o voto acaba sendo uma opção para algumas pessoas. Isso é perigoso. Não viemos aqui fazer campanha, nem passar pano pra corrupção. Mas esta eleição diz respeito aos valores básicos da nossa democracia, e queremos poder cobrar postura do governo que for eleito. Para isso, é necessário que exista democracia.

Hoje, anular ou votar em branco é abrir caminho para o autoritarismo. Por isso, o voto em 2018 é o mais importante da nossa história. Temos poucas semanas e só uma opção para o segundo-turno. Está em nossas mãos a decisão sobre nosso próximo presidente. É fundamental escolher um candidato que não acabe com a democracia.

As falas de Jair Bolsonaro são irresponsáveis, ferem nosso senso crítico e nossa inteligência. Sua incompetência política e administrativa é tão evidente que ele foge de debates e não tem um plano de governo. É muito improvável que ele consiga reunir profissionais com a qualidade necessária para resolver a grave crise na qual o Brasil se encontra. Suas declarações e ações criam um clima de instabilidade que vai afetar nossa vida pessoal e os nossos negócios. Esse cara não tá do nosso lado, nem está do lado do Brasil. O amor emanado pelo hip hop deu força para pretos, pobres, mulheres e à comunidade LGBT. Bolsonaro age diretamente contra essas pessoas. Representa uma ameaça aos nossos valores.

Por isso, convocamos você, do hip hop. Jair Bolsonaro representa uma ameaça mortal aos nossos valores. Em quatro anos, é possível retroceder 500. Não podemos eleger o candidato que quer voltar no tempo. Se ele quiser, que viaje pro passado sozinho. A máquina do tempo do Hip Hop sempre olha para frente. Por isso, não anule seu voto, vote certo e converse com as pessoas. Explique o que está em jogo e muita gente vai entender. Ainda há tempo!

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