Redação Pragmatismo
PT 06/Sep/2018 às 14:44 COMENTÁRIOS

A íntegra da entrevista de Fernando Haddad na Record News

entrevista Fernando Haddad Record News eleições 2018

Luciano Velleda, RBA

Um projeto importante foi interrompido em 2014. Os resultados não foram aceitos, a democracia ficou em risco, a oposição começou a sabotar este país com pautas-bombas com Eduardo Cunha, Aécio Neves… Desde a eleição de 2014, com toda a sabotagem feita contra o país, a vida do brasileiro piorou. Não precisamos disso. Por 12 anos governamos um país que deu certo, um projeto tão bem encarnado na figura do presidente Lula. Precisamos resgatar esse projeto. É esse nosso desejo para 2018. Vamos resgatar o Brasil para os brasileiros”, disse Fernando Haddad, candidato a vice-presidente e representante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha eleitoral, ao encerrar sua participação, na noite desta terça-feira (4), em entrevista na Record News.

Durante cerca de 30 minutos, Haddad falou sobre alguns dos principais temas do país e da eleição à Presidência da República. Afirmou, por exemplo, que os recursos impetrados no Comitê de Direitos Humanos da ONU para que o órgão avalie a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rejeitou a candidatura de Lula, e no Supremo Tribunal Federal (STF), são também um compromisso com a história.

Temos que esgotar todos os recursos internamente para que a ONU possa julgar o mérito. Não podemos abrir mão dos recursos para a história do Brasil”, explicou, ressaltando que defenderá o ex-presidente até o fim, no Brasil e no exterior. Haddad ainda disse acreditar no discernimento da população brasileira em analisar a perseguição jurídica em curso contra a candidatura do ex-presidente, líder em todas as pesquisas de intenção de voto.

Coordenador do programa de governo do PT, o ex-prefeito de São Paulo explicou algumas propostas do partido, como a regulação da mídia, a reforma tributária, a forma de baixar a taxa de juros praticada pelos bancos no Brasil e a segurança pública. Haddad defendeu a regulação econômica da mídia, de modo a impedir que uma única família ou grupo detenha todos os principais veículos de comunicação de um estado.

Mas isso é um assunto do século 20”, se surpreendeu o jornalista Heródoto Barbeiro, da Record News, ao que Haddad ponderou que sim, o tema de fato já foi analisado há tempos nos países mais desenvolvidos do mundo, mas ainda não no Brasil. “Quando uma empresa vai comprar a outra, não tem que consultar o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)? Então por que na comunicação não é igual?”, questionou o ex-prefeito de São Paulo, enfatizando que no país algumas poucas famílias seguem mantendo a hegemonia dos meios de comunicação.

Haddad ainda lembrou que corre no STF uma ação impetrada por grupos da mídia brasileira que querem o fechamento de sites jornalísticos estrangeiros no país, como BBC Brasil, El País Brasil, The Intercept Brasil, entre outros. Para o candidato a vice de Lula, tal ação demonstra o descompasso entre o discurso de defesa do livre mercado adotado pela mídia tradicional e sua prática.

Juros e segurança

Na entrevista, o candidato a vice defendeu uma reforma do sistema bancário por meio da cobrança progressiva de impostos para estimular a concorrência entre os bancos privados. O objetivo é reduzir o spread bancário, ou seja, a diferença entre o que os bancos pagam como remuneração ao poupador e o quanto cobram para emprestar. Desse modo, diminuirá a taxa de juros cobrados dos clientes.

Não vamos sair da crise se os bancos continuarem cobrando esses juros da população”, afirmou o ex-prefeito de São Paulo, enfatizando que quanto mais juros o banco cobrar, mais imposto pagará, e quanto menos juros cobrar, menos imposto pagará.e

Um dos temas de maior apelo nas eleições, a segurança pública teve destaque durante a entrevista. Haddad explicou que uma das propostas da candidatura do PT é federalizar determinados crimes, principalmente aqueles ligados a organizações criminosas, como o PCC, pois tais grupos têm atuação nacional.

O governo do estado de São Paulo não deu conta (de lidar com o PCC). E hoje também não adianta cobrar dos governos do nordeste”, ponderou. “Estamos prendendo muita gente e mal. Estamos prendendo o varejo do problema e os grandes criminosos ficam de fora”, afirmou, lembrando que a taxa de resolução de homicídios no Brasil é de meros 8%.

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