Redação Pragmatismo
Direita 24/Aug/2018 às 11:00 COMENTÁRIOS

Práticas que Bolsonaro admite em campanha são ilegais e cabe prisão

Lei pune com prisão de três a seis anos de reclusão prática que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) admite em campanha

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O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quinta-feira (23) que todos os seus filhos atiraram com munição de verdade a partir dos cinco anos de idade.

A prática é proibida por lei e o responsável pode ser punido com três a seis anos de prisão. O artigo 242 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) estabelece como crime “vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, arma, munição ou explosivo“.

Bolsonaro estava em ato de campanha em Glicério (SP), sua cidade natal, quando disse que “nós não podemos criar uma geração de covardes”.

A arma é inerente à defesa da sua vida e à liberdade de um país. Meus filhos todos atiraram com cinco anos de idade, real, não é de ficção nem de espoleta não, tá ok?“, declarou, em resposta a um jornalista.

Minutos depois, ele foi abordado por uma mulher que lhe entregou um envelope cujo conteúdo disse ser um projeto sobre “atiradores mirins“.

Em vídeo gravado por ela, ele disse que leria o texto e voltou a contar que os filhos atiraram com munição real a partir dos cinco anos. “Nós temos que criar uma geração de homens e mulheres com responsabilidade e com coragem“, disse o candidato.

O deputado federal disse ainda que a arma está na Bíblia e citou entrevista da candidata Marina Silva (Rede) na qual ela foi questionada se já sofreu algum tipo de violência sexual e disse que, na infância, ela e a irmã levavam uma espingarda para cortar seringa.

Em entrevista coletiva no fim da tarde, em Araçatuba (SP), Bolsonaro disse que encoraja o ensino do uso de armas pelos pais e se irritou ao ser questionado pela reportagem sobre o tema. “Esse ECA [Estatuto] tem que ser rasgado e jogado na latrina“, declarou o candidato, no momento em que ficou mais inflamado.

Sobre o fato de a prática ser proibida pela lei, Bolsonaro disse defender “que o pai ensine ao filho o que é uma arma de fogo e para que serve“. “Porque nas comunidades tem moleques de oito anos de idade usando fuzil maior do que ele“, explicou.

 

Um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, estava ao lado do pai e interveio dizendo que tinha cinco anos de idade em 1989, e que o ECA foi aprovada no ano seguinte. “[O pai] tem que mostrar para o filho dele que aquilo é uma arma, até para o filho se um dia achar não saber o que é que é e fazer besteira com ela“, acrescentou Jair.

O presidenciável disse ainda que a sociedade não pode continuar “se entregando” sem reagir. Antes, afirmou que “não podemos ter uma geração de covardes, de ovelhas morrendo nas mãos de bandidos sem reagir” e que a realidade é muito diferente da teoria.

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Gustavo Maia, UOL

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