Redação Pragmatismo
Barbárie 09/May/2018 às 14:16 COMENTÁRIOS

Marcello Siciliano rebate acusações de ter sido mandante da morte de Marielle

Acusado de ter mandado executar Marielle Franco, o vereador Marcello Siciliano se manifestou em nota divulgada por sua assessoria e se disse revoltado com a denúncia

Marcello Siciliano rebate acusações de ter sido mandante da morte de Marielle
Marielle Franco e Marcello Siciliano (reprodução)

O vereador Marcello Siciliano (PHS) negou, na noite desta terça-feira (8), que tivesse interesse na morte da vereadora Marielle Franco, sua colega na Câmara do Rio, assassinada em 14 de março passado no centro da cidade. Siciliano foi citado em matéria do jornal O Globo na internet como alvo de um delator à polícia, que teria fornecido detalhes de sua ligação com um miliciano, conhecido como Orlando da Curicica, atualmente preso, e que teriam combinado a morte da parlamentar.

Siciliano se manifestou em nota divulgada por sua assessoria e se disse revoltado com a acusação, ressaltando, inclusive, manter amizade com Marielle, com quem teria assinado projetos de lei em conjunto.

Expresso aqui meu total repúdio à acusação de que eu queria a morte de Marielle Franco. Ela é totalmente falsa. Não conheço Orlando da Curicica e acho uma covardia tentarem me incriminar dessa forma. Marielle, além de colega de trabalho, era minha amiga. Tínhamos projetos de lei juntos. Essa acusação causa um sentimento de revolta por não ter qualquer fundamento. Eu, assim como muitos, já esperava que esse caso fosse elucidado o mais rápido possível. Agora, desejo ainda mais celeridade”, expressou Siciliano.

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Segundo a reportagem de O Globo, o delator afirmou que Marielle estaria contrariando interesses políticos de Siciliano na Cidade de Deus, na zona oeste. O delator teria trabalhado para a milícia, mas decidiu revelar o que sabia à polícia em troca de proteção. Um dos colaboradores de Siciliano, Alexandre Pereira, foi morto na noite de 8 de abril, na Taquara, zona oeste, dois dias depois do vereador prestar depoimento à Delegacia de Homicídios.

Marielle e seu motorista, Anderson Gomes, foram mortos na noite de 14 de março, no bairro do Estácio, após ela ter participado de seu último compromisso político, na Lapa. Seu carro passou a ser perseguido por dois veículos e ela e Anderson foram metralhados, em uma sucessão de 13 tiros. A assessoria de Siciliano informou que o parlamentar deverá convocar uma coletiva de imprensa para esta quarta-feira (9), com o objetivo de se defender das acusações.

Marcello Siciliano

Marcello Siciliano exerce seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Seus votos concentram-se na região de Jacarapeguá que abrange o Anil, a Cidade de Deus, a Gardênia Azul e Rio das Pedras. O vereador era conhecido por promover reuniões de campanha na casa de shows Barra Music, badalado local frequentado por artistas e jogadores de futebol.

Siciliano já protagonizou episódios polêmicos. Em uma sessão na qual era discutido um projeto de lei que autorizava a volta dos cobradores de ônibus, ele se desentendeu com rodoviários e precisou ser contido por colegas. Alguns de seus projetos estão relacionados ao seu reduto eleitoral. Curiosamente, ele protocolou em conjunto com Marielle um projeto de lei que criaria o Programa de Desenvolvimento Cultural do Funk Tradicional Carioca.

O nome de Siciliano já havia surgido na mídia recentemente. Colaborador do vereador, Carlos Alexandre Pereira Maria foi executado na Zona Oeste, pouco após a morte de Marielle. Uma das linhas de investigação apontava que ele poderia ter sido morto por ligação com uma milícia que atuava na região. Os policiais também não descartavam que o crime tivesse conexão com seu trabalho para Siciliano.

A proximidade um miliciano da Zona Oeste e outro vereador do PHS, partido de Siciliano, também veio à tona recentemente. Reportagem do “The Intercept Brasil” apontou que em 7 de março, o ex-vereador Cristiano Girão Matias, acusado de chefiar uma milícia em Jacarepaguá, foi à Câmara dos Vereadores do Rio. Marielle Franco trabalhou ativamente na CPI das Milícias que indiciou Cristiano Girão.

Imagens do circuito interno de câmeras apontaram que o miliciano esteve no sétimo andar da Casa. No local, estão os gabinetes dos vereadores Chiquinho Brazão (PMDB-RJ) e Zico Bacana (PHS). Zico Bacana foi citado na CPI das Milícias como integrante do grupo organizado que atua nas favelas da Palmeirinha e da Eternit, ambas em Guadalupe, na Zona Norte da capital fluminense.

com Agência Brasil e CartaCapital

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