Redação Pragmatismo
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Geral 09/Sep/2013 às 15:18
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Diário do Centro do Mundo

A propósito da morte de Champignon

O baixista do Charlie Brown Jr viu dois amigos se suicidarem antes de tirar a própria vida com um tiro na boca

morte champignon
Chorão e Champignon (Divulgação)

Um tiro na cabeça, trancado num quarto, a mulher grávida de cinco meses. O suicídio do baixista do Charlie Brown Jr., Champignon, acontece seis meses depois da overdose de drogas de seu amigo e líder da banda, Chorão.

Luiz Carlos Leão Duarte Junior, o Champignon, tinha montado A Banca. Fazia turnês em homenagem a Chorão. O último foi em Santos, para levantar fundos para a pista de skate que Chorão construiu na cidade.

Era uma relação clássica de amor e ódio. Os dois se conheceram crianças em Santos, montaram o grupo nos anos 90, ralaram, fizeram sucesso. Em 2005, Champignon saiu por causa do acúmulo de discussões causadas pelo temperamento intempestivo de Chorão, que piorava com as drogas. Voltou em 2011. Num show no Paraná, Chorão, num de seus rompantes, pegou o microfone e passou-lhe uma esculhambação em público, num dos momentos mais estúpidos da história da música.

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No desabafo, Chorão falava em “400 mil reais” e que o músico havia retornado para a banda por causa de dinheiro. Grana: é por isso que 99,9% dos grupos terminam — e por isso se juntam, também. Como resumiu Paul McCartney no último disco dos Beatles, “you never give me your money, you only give me your funny paper”.

Ficou visivelmente abalado com a morte de Chorão. Era um baixista talentoso. Reconhecia no amigo um irmão. Ambos sabiam que funcionavam melhor na companhia um do outro. Em sua A Banca, abandonou o baixo para assumir o posto de cantor, numa espécie de troca de identidade com Chorão.

Champignon morava num apartamento no Jardim Caboré, região do Morumbi. Voltava de um jantar com a mulher. De acordo com testemunhas, a câmera do elevador registrou o instante em que ele passou dois dedos na garganta enquanto subia para o décimo andar.

Ninguém se mata de uma hora para outra. É uma ideia que amadurece. O suicídio de outro colega, o guitarrista Peu, em maio, não ajudou no quadro. Na época, Champignon comentou: “Os dois perderam a fé. Quando perdem a fé, perdem a vontade de viver. Eu acho que as pessoas, em algum momento da vida, perdem a fé. Independentemente se morrem por droga, ou enforcadas. Se perdem a vida sem culpa de ninguém, acredito que em algum momento perderam a fé”.

Champignon já havia perdido a fé antes do tiro na madrugada de segunda. RIP.

Kiko Nogueira, diário do centro do mundo

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Comentários

  1. Guilherme Postado em 09/Sep/2013 às 15:31

    Cabecinha fraca...

    • Matheus Postado em 09/Sep/2013 às 17:05

      cabecinha fraca? acho que um cara que tem a foto das meninas super poderosas não tem moral nenhuma para julgar esse tipo de coisa.

      • Guilherme Postado em 10/Sep/2013 às 12:11

        não é menina super poderosa, é um garoto desordeiro...

    • Marcelo Ronconi Postado em 09/Sep/2013 às 19:09

      "Cabeça fraca"? De onde é que você desinfetou isso? A depressão é uma d-o-e-n-ç-a, cidadão! Você já teve o desprazer de ver alguém realmente em depressão? É uma doença terrível e que desgraça a vida de todo o tipo de gente que você puder imaginar! O rapaz que faleceu claramente estava perturbado, perdido, talvez sem amparo de familiares, você sabe o quanto isso é lastimável? Se você tiver menos de vinte anos, só justifica a bobagem que disse por ainda não ter vivência. Já, se tiver mais de vinte, está na hora de colocar a mão em sua consciência.

      • Guilherme Postado em 11/Sep/2013 às 16:18

        Depressão é uma doença típica de cabeças fracas...

  2. Rosa Maria da Costa Postado em 09/Sep/2013 às 15:32

    Quase nunca comento mais nada...mas, vamos lá. Me parece que devíamos dar o devido valor aos profissionais que nos cercam. Tenho uma banda e preciso de um baixista, contrato um. Problemas com a Lei, contrato um advogado. Não entendo por que se despreza a necessidade de um psicólogo e um psiquiatra. Não é fácil para 'quase' ninguém, mas é preciso admitir que se precisa de ajuda, que certamente não virá de droga nenhuma. Se eu tivesse grana, como estes caras todos, não dispensaria os que cuidam da saúde da psique e da alma. Auto-suficiência é improvável. Bom, que ele encontre a Paz lá do outro lado!

    • Marcelo Ronconi Postado em 09/Sep/2013 às 19:10

      Rosa, Ainda que eu não compartilhe de sua opinião quanto ao "outro lado", e com isso quero dizer que para mim não há "outro lado" algum, todo o restante do que você disse tem minha rubrica. Um belo comentário o seu.

  3. Marco Postado em 09/Sep/2013 às 15:36

    "Cabecinha fraca..." ai ai, falou o Freud!

  4. Pietro Postado em 09/Sep/2013 às 15:43

    Sempre leio o Pragmatismo, e daqui saem matérias excelentes. Desculpem, mas não é o caso dessas. Isso mais parece uma matéria do UOL, ou de um lugar qualquer, desses que soltam notícias mesmo quando já sabidas por todos, mesmo sem ter muito para acrescentar, em troca de um clique a mais e de uma gordurinha extra no número de acessos diários. Muita hora nessa calma! Antes de falar em suicídio, é preciso esperar o laudo pericial. Antes de afirmar verdades sobre motivações, é preciso esperar que a poeira abaixe. Essa matéria é a primeira do Pragmatismo, que li, que fede a sensacionalismo. Péssimo! Vocês precisam ser diferentes. É isso que espero quando clico em quase tudo que vocês publicam, e por isso clico: quero algo diferente.

  5. Luiz Carlos Postado em 09/Sep/2013 às 15:55

    Esteja em paz, irmão!! Muita luz..

  6. renato Postado em 09/Sep/2013 às 15:58

    Que pena, deixa muitos ao seu redor tristes e solitários. Deixa uma criança... e morre em desespero de alma ...

    • miriamk Postado em 09/Sep/2013 às 17:43

      concordo Renato.....ler voce me trouxe alento e esperanca de que algum dia a dor de um sera a dor de todos...e assim havera a felicidade de fato. felicidades

  7. Maurício Postado em 09/Sep/2013 às 16:21

    Olha, esses dias estava conversando com um amigo sobre alguns casos de morte no meio da música. Nossa conversa passou por Michael Jackson; Kurt Cobain; e o Chorão ( salvo circunstancias peculiares de cada um), chegamos na seguinte conclusão. Esses astros chegam em um apice de vida ao qual não precisam lutar por dinheiro, um grande amor, reconhecimento em fim, tudo que o resto do mundo esta lutando cegamente. Logo a vida perde o sentido, cai em uma repetição, repetição essa que se torna especulada por todos, afinal são figuras públicas. Imagine tudo isso potencializado com frequentes doses dos mais variados intorpecentes. Em relação o Chapignom, a música brasileira perde muito, afinal ele era um Grande baxista, melhor que muito gringo que a molecada baba entre redes sociais aí a fora, por essa não esperava!

    • Marcelo Postado em 09/Sep/2013 às 17:23

      E como explicar os pobres, classes média e os não usuários de drogas que também se suicidam?

      • Maurício Postado em 09/Sep/2013 às 23:31

        Olha Marcelo, como explicar sobre os "podres" e "classes médias" eu teria que trabalhar com outras variáveis, como a complexidade dos grandes centros urbanos; as pressões sobre o que vc deve ser somado a velocidade que deve ser blá blá. Não sei se você quis chamar ele de Burgues por tabela ou me chamar, mas para que vc entenda um pouquinho mais, eu indico a obra Suicidio de Durkheim ( quem compilou a sociologia) ele pode explicar bem melhor sobre isso do que eu e mais algumas palavras moratas em um site, abraços!

  8. Lênine Postado em 09/Sep/2013 às 18:03

    Pena,acho triste quando qualquer pessoa tenta se suicidar ou o faz pois a vida e muito boa e quando a pessoa chega neste estado significa que ela deve estar carregado de tristeza

  9. Caio Postado em 09/Sep/2013 às 18:04

    Musica boa que eh bom....... Bom, enquanto isso vou ouvir aqui os verdadeiros grandes baixistas como Geezer Butler..

    • Maurício Postado em 16/Sep/2013 às 16:20

      Está aí um grande baxista man, bem colocado, por outro lado, queria ver ele fazendo os slaps que o champgnon fazia!

  10. Alexandre Postado em 09/Sep/2013 às 18:15

    Nariz mata

  11. Guilherme Postado em 09/Sep/2013 às 18:23

    Caio, sugiro você ouvir algumas músicas do Charlie Brown Jr. , claro que não são obras-primas, mas ele, de fato, era um baixista talentoso. É uma grande perda.

  12. Fabiana Postado em 09/Sep/2013 às 18:47

    Triste a frieza de alguns comentários! Quem somos nós para julgar? É triste, mas ninguém sabe o que se passa dentro de uma pessoa para ela chegar a esse ponto. Um foco nas coisas materiais, sucesso, fama? Pode ser. Mas, quem sabe?

  13. Müller Postado em 09/Sep/2013 às 18:59

    Vão se f..para aqueles que ficam fazendo julgamento moral da atitude do cara que nem aqui está para se defender. Existem milhares de circunstâncias que podem levar alguém a essa atitude, só ele poderia dizer o motivo, isso se ele tivesse um consciência disso ou aonde ele estava indo. Vêm uns espíritos de porco detonar o cara, porr@, se não gosta da pessoa ou se ela não faz diferença, então nem comenta...mas não, tem que falar alguma merda...sempre falar dos defeitos do outro, ninguém se lembra das qualidades...

    • Nádia Postado em 09/Sep/2013 às 19:17

      Falou e disse. Não entendo de música e pra falar a verdade nem sei se já vi. Mas concordo com você com respeito a figura de um cidadão que chegou a este ponto ,seja lá qual for o motivo.

    • Junior Postado em 10/Sep/2013 às 07:34

      Quais qualidades? cite algumas pra nós... Deixar a mulher grávida de cinco meses? Deixar uma filha de 7 anos? Você já pensou por exemplo em se colocar do outro lado da situação? Já pensou que ele mesmo pode ser o causador de uma depressão dos filhos num futuro, por conta de os filhos saberem que o pai se suicidou pq não aguentou a pressão da vida e se entregou? Não né? Só vê o lado "artista", como a maioria da população, e salve o "santinho" que morreu. Minha opinião se resume em apenas uma palavra: covarde. Se tinha problemas com a doença da depressão, que procurasse um especialista, condições pra isso ele tinha.

  14. jaqueline Postado em 09/Sep/2013 às 22:47

    diz uma coisa super positiva na música, mas na realidade a pessoa tá mal... muito triste...

  15. Marcos Postado em 10/Sep/2013 às 02:08

    Prejuízo grande para o trafico, para mim não era exemplo nem de pessoa nem de musico, o tipo de pessoa que influencia milhares de jovens para as drogas.

  16. Danilo Postado em 10/Sep/2013 às 15:20

    Ninguém ao certo vai saber o que passou na cabeça dele, mas acho que independente do motivo, ele abandonou uma mulher grávida de 5 meses e automaticamente também abandonou o futuro filho. Ele tinha dinheiro, recursos, tempo,amigos e era querido por muitos, mas ainda sim quis se matar..., vejo gente em situação bem pior e ainda sim continua a seguir em frente e luta, sinceramente nunca vou entender esses artistas, tem tudo, mas ainda sim diz que a vida não vale a pena e se mata.

  17. luiz carlos ubaldo Postado em 13/Sep/2013 às 13:44

    Porra, vejo como tem gente mal informada e mal intencionada, entendo bem o cara é muita dôr, muito sofrimento, são amores não concretizados, a luta diaria pela sobrevivência e que nem sempre é de forma licíta, é a porra de um mundo que te persegue e te julga até na hora da morte e como diz o poeta, "estou sobrevivendo da caridade de quem me detesta", até os amigos por vezes não te enchergam mais, a religião já não nos basta para aplacar as dores que nos consomem, ninguém quer morrer , quer apenas se livrar dessa dôr que parece não ter fim,porra nos deixe descansar em paz, afinal a escolha desse ato é só de quem quer um analgesico e nada mais, quem sabe amanha acordo bem!