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ELEIÇÕES 2026 11/Out/2026 às 23:28 COMENTÁRIOS
ELEIÇÕES 2026

Multidão se reúne na Paulista para ato de Lula marcado por debate sobre censura

Publicado em 11 Out, 2026 às 23h28

Multidão ocupa a Avenida Paulista em ato com Lula, que critica decisões do TSE e denuncia censura após suspensão de canal com milhões de seguidores

Multidão Paulista ato de Lula marcado debate censura
(Imagem: Ricardo Stuckert)

Multidão ocupa a Avenida Paulista em ato com Lula, que denuncia censura nas eleições

Uma multidão tomou a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11), durante uma manifestação pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Batizado de Marcha pela Democracia, o ato reuniu milhares de pessoas e ganhou uma dimensão política adicional depois que Lula criticou publicamente a atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, responsável por determinar a suspensão de um canal de WhatsApp com mais de 3 milhões de seguidores favoráveis à sua candidatura.

A mobilização ocorre em um momento de acirramento do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), marcado por disputas nas redes sociais e uma sequência de ações judiciais envolvendo as duas campanhas.

Paulista tomada por manifestantes

A concentração começou pela manhã, nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp), e reuniu estudantes, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, torcidas de futebol e grupos de fãs de artistas nacionais e internacionais.

Segundo a Agência Brasil, a Marcha pela Democracia foi organizada por diferentes coletivos, incluindo comunidades de fãs de Lady Gaga, Beyoncé, Taylor Swift e BTS, além de movimentos estudantis e entidades ligadas à defesa de direitos civis.

Imagens da manifestação mostram uma grande concentração de pessoas ao longo da avenida, com bandeiras, cartazes e manifestações de apoio ao presidente.

A presença expressiva de jovens foi uma das características do evento, realizado a duas semanas da votação decisiva.

A dimensão da mobilização também provocou mudanças na circulação de passageiros pelo transporte público. A estação Trianon-Masp do Metrô teve acessos temporariamente fechados para controle do fluxo de pessoas.

A medida foi justificada pela companhia como procedimento de segurança diante da concentração de manifestantes.

Embora o ato tenha reunido milhares de participantes, não havia uma estimativa independente e consolidada de público que permitisse estabelecer um número exato.

Metrô fecha estação na Paulista e multidão enfrenta dificuldades para voltar para casa

A dimensão da manifestação de Lula na Avenida Paulista levou o Metrô de São Paulo a fechar temporariamente a estação Trianon-Masp, da Linha 2-Verde, neste domingo (11). Segundo reportagem da Band, a concentração de pessoas foi tão intensa que a companhia acionou protocolos de segurança e orientou os passageiros a procurar as estações Brigadeiro e Consolação. A medida, entretanto, provocou grandes filas, aglomerações e dificuldades para quem tentava deixar a região após o ato.

De acordo com o UOL, usuários relataram restrições de acesso ou dificuldades de embarque em pelo menos seis estações, incluindo Trianon-Masp, Consolação, Brigadeiro, Paraíso, Paulista e Higienópolis-Mackenzie. Manifestantes afirmaram que precisaram caminhar longas distâncias para conseguir embarcar. Uma jornalista relatou ter percorrido aproximadamente três quilômetros, da estação Trianon-Masp até Ana Rosa, diante das dificuldades encontradas no trajeto.

As reclamações também chegaram às redes sociais, onde circularam imagens de passageiros aglomerados e portões fechados. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) responsabilizou o governo de Tarcísio de Freitas pelos transtornos e criticou a falta de aviso prévio sobre as restrições. A acusação de motivação política, entretanto, não foi comprovada.

Em nota, o Metrô afirmou que o fechamento temporário da Trianon-Masp ocorreu exclusivamente por razões de segurança, diante de uma demanda superior à capacidade de atendimento da estação. A companhia informou que ampliou a oferta de trens nas linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. A concessionária Motiva também adotou controles de acesso nas estações da Linha 4-Amarela.

O episódio evidencia a dimensão da mobilização na Paulista, mas também levanta questionamentos sobre o planejamento do transporte público para manifestações de grande porte. Embora o controle de multidões seja um procedimento utilizado em outros eventos, os relatos de passageiros demonstram que as restrições provocaram transtornos significativos durante a dispersão do público.

Lula denuncia decisões que considera tendenciosas

Durante a manifestação, Lula abordou a atuação da Justiça Eleitoral e demonstrou preocupação com decisões que, em sua avaliação, estariam prejudicando a comunicação de sua campanha.

O presidente afirmou desconfiar da imparcialidade de determinadas medidas adotadas pelo TSE e criticou a suspensão do canal Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

A declaração ocorreu depois que Kassio Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para interromper as atividades do canal no WhatsApp.

A candidatura bolsonarista alegou que o espaço estaria sendo utilizado para disseminar informações falsas contra o senador.

A campanha de Lula, por sua vez, classificou a decisão como censura e questionou a proporcionalidade da medida, que atingia integralmente um canal com milhões de seguidores.

A controvérsia ultrapassou a disputa entre os candidatos e passou a envolver os limites da intervenção judicial sobre a comunicação política durante o período eleitoral.

Decisão de Kassio foi revertida

A ordem de suspensão determinada por Nunes Marques foi posteriormente revogada pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, ainda no domingo.

Ao examinar o caso, Cueva considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a interrupção integral do canal.

O corregedor também ressaltou que eventuais irregularidades em publicações específicas não autorizam necessariamente a suspensão de toda uma estrutura de comunicação.

Com a nova decisão, o canal pôde continuar funcionando, enquanto a controvérsia foi encaminhada para apreciação do plenário do TSE.

A reversão ocorreu poucas horas depois da determinação inicial, evidenciando a divergência entre os magistrados sobre o alcance das medidas necessárias.

O episódio provocou críticas da campanha petista, que questionou a atuação do presidente da Corte.

A campanha de Flávio Bolsonaro sustenta que suas ações buscam impedir a disseminação de desinformação eleitoral.

Não há comprovação de que o candidato e o ministro atuem de maneira coordenada fora dos procedimentos judiciais para silenciar adversários. O fato documentado é que a campanha de Flávio apresentou o pedido de suspensão e Nunes Marques o acolheu, antes da reversão pelo corregedor.

Diferenças nos prazos de julgamento também são questionadas

A discussão sobre o funcionamento do TSE ganhou força após levantamento publicado pelo UOL neste domingo.

A reportagem identificou diferenças nos prazos de análise de ações apresentadas pelas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.

Entre os episódios mencionados está um julgamento virtual relacionado a publicações questionadas pela coligação petista.

Segundo o levantamento, cinco ministros já haviam votado em sentido contrário à posição inicial do relator quando Nunes Marques apresentou um pedido de destaque, transferindo a conclusão do julgamento para outra modalidade de sessão.

O instrumento está previsto nas regras do tribunal, mas sua utilização adiou o encerramento da análise.

A reportagem também apontou negativas de medidas urgentes solicitadas pela campanha de Lula, em contraste com a rapidez da ordem de suspensão do canal administrado por Janones.

Esses episódios alimentaram questionamentos sobre a uniformidade dos critérios de urgência adotados pela Justiça Eleitoral.

Entretanto, diferenças de prazo não demonstram, por si mesmas, favorecimento deliberado. Os processos possuem características jurídicas distintas, e a avaliação de eventual tratamento desigual exige considerar seus fundamentos e procedimentos.

Mobilização nas ruas e nas redes

A manifestação na Avenida Paulista também representou uma tentativa de ampliar a participação de diferentes setores da sociedade na campanha eleitoral.

O protagonismo de estudantes, coletivos culturais e grupos organizados nas redes sociais mostrou como a mobilização política passou a reunir estruturas partidárias tradicionais e comunidades formadas fora delas.

Durante o ato, Lula destacou a importância da participação dos jovens e afirmou que a semana seguinte seria decisiva para a disputa presidencial.

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A manifestação também ocorreu em um contexto de intensificação das campanhas digitais.

Segundo reportagem do UOL, o canal oficial de Lula no WhatsApp registrou crescimento expressivo de seguidores depois da controvérsia envolvendo o Exército do Lula.

O episódio mostra como decisões judiciais sobre plataformas digitais podem repercutir rapidamente na organização das campanhas.

Liberdade de expressão e combate à desinformação

A controvérsia envolve dois princípios importantes para a democracia.

De um lado, a Justiça Eleitoral tem a responsabilidade de combater conteúdos comprovadamente ilícitos, abusos e práticas que comprometam a integridade das eleições.

De outro, a Constituição protege a liberdade de expressão, o debate político e o direito à informação, especialmente durante a escolha de representantes.

A retirada de uma publicação específica considerada irregular possui consequências diferentes da suspensão integral de um canal com milhões de participantes.

Foi essa distinção que ganhou destaque na decisão de Ricardo Villas Bôas Cueva.

O debate também alcança veículos jornalísticos e páginas de conteúdo político que enfrentam questionamentos judiciais durante a campanha.

Nesses casos, é fundamental diferenciar a responsabilização por uma informação comprovadamente falsa de restrições genéricas à publicação de críticas, denúncias fundamentadas ou opiniões sobre candidatos.

O controle judicial de conteúdos eleitorais precisa observar critérios de necessidade, proporcionalidade e fundamentação, independentemente da candidatura envolvida.

Um ato que amplia o debate sobre a democracia

A Marcha pela Democracia colocou milhares de pessoas na Avenida Paulista e deu visibilidade a uma discussão que ultrapassa a disputa presidencial.

As críticas de Lula à atuação do TSE, a suspensão posteriormente revertida do canal de Janones e os questionamentos sobre os prazos de julgamento expõem a importância das garantias institucionais durante uma eleição.

A participação popular e a fiscalização das decisões judiciais são dimensões distintas do processo democrático, mas ambas dependem da possibilidade de expressão e do acesso a informações confiáveis.

O ato deste domingo demonstrou a capacidade de mobilização de diferentes movimentos e colocou no centro do debate público os limites das restrições à comunicação política.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as decisões da Justiça Eleitoral continuarão sendo acompanhadas de perto pelas campanhas, pelos veículos de imprensa e pela sociedade.

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