Lucas Ribeiro contraria direção nacional do PP e intensifica campanha pela reeleição de Lula

Governadores aliados de Lula vencem em cinco estados e Lucas Ribeiro assume protagonismo na Paraíba
A eleição de cinco governadores aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno de 2026 consolidou uma importante base política no Nordeste. Jerônimo Rodrigues, na Bahia, Elmano de Freitas, no Ceará, Rafael Fonteles, no Piauí, Lucas Ribeiro, na Paraíba, e Fábio Mitidieri, em Sergipe, conquistaram novos mandatos já no dia 4 de outubro. Entre eles, Lucas ganhou destaque por sua atuação na campanha presidencial, inclusive contrariando a orientação nacional de seu próprio partido.
Os cinco governadores representam diferentes correntes partidárias. Três são filiados ao PT, enquanto Lucas integra o Progressistas (PP) e Fábio Mitidieri pertence ao PSD. O alinhamento com Lula, portanto, ultrapassa as fronteiras partidárias da esquerda e envolve alianças regionais construídas em torno de projetos administrativos e eleitorais.
Cinco vitórias no Nordeste
Na Bahia, Jerônimo Rodrigues conquistou a reeleição pelo PT, preservando a continuidade de um grupo político que governa o estado desde 2007. O resultado manteve uma das principais bases estaduais do partido e de Lula.
No Ceará, Elmano de Freitas também garantiu um novo mandato. Sua vitória reforçou a presença petista em um estado no qual a aliança entre lideranças regionais e o governo federal tem desempenhado papel relevante na organização política.
O mesmo ocorreu no Piauí, onde Rafael Fonteles foi reeleito governador. O estado integra o conjunto de unidades federativas nas quais Lula mantém uma base eleitoral expressiva.
Em Sergipe, Fábio Mitidieri, do PSD, conquistou a reeleição e permaneceu entre os governadores alinhados ao presidente.
Na Paraíba, Lucas Ribeiro obteve 64,3% dos votos válidos, superando Efraim Filho (PL), que terminou a disputa com aproximadamente 24,1%.
O resultado deu ao governador uma vitória expressiva e fortaleceu sua posição nas articulações políticas estaduais.
Lucas Ribeiro contraria o PP e mantém apoio a Lula
O caso paraibano apresenta uma particularidade.
Lucas Ribeiro é filiado ao Progressistas, partido que integra a Federação União Progressista, formada com o União Brasil. Nacionalmente, a federação declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
Apesar disso, Lucas reafirmou seu compromisso com a reeleição de Lula.
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Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 8 de outubro, o governador afirmou que respeitava a decisão nacional da legenda, mas que não abandonaria o posicionamento adotado durante o primeiro turno.
Segundo Lucas, sua campanha estadual foi construída em associação com a candidatura do presidente, e uma mudança de posição após a eleição seria politicamente incoerente.
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A declaração evidencia a diferença entre as decisões tomadas pelas direções nacionais dos partidos e os compromissos estabelecidos nas alianças regionais.
Na Paraíba, o PT integrou a coligação que reelegeu Lucas Ribeiro, enquanto o ex-governador João Azevêdo (PSB), também aliado de Lula, conquistou uma vaga no Senado.
Governador organiza campanha no segundo turno
A atuação de Lucas não ficou restrita a declarações públicas.
Após a eleição, o governador participou de reuniões com Lula e outras lideranças em Brasília para discutir a estratégia do segundo turno.
Em 7 de outubro, reuniu presidentes de partidos e representantes de sua base política em João Pessoa para organizar a mobilização em favor da reeleição presidencial.
A articulação envolve lideranças municipais, parlamentares e integrantes de diferentes legendas que participaram da campanha estadual.
O objetivo declarado é ampliar a votação de Lula na Paraíba, onde o presidente obteve aproximadamente 61% dos votos no primeiro turno.
Lucas também procura aproximar setores políticos que estiveram em campos diferentes na eleição para governador, mas que mantêm relações com o presidente.
A iniciativa demonstra como as alianças estaduais podem assumir uma configuração própria, mesmo quando as direções partidárias nacionais seguem caminhos distintos.
Aliança construída antes da eleição
A relação política entre Lucas Ribeiro e Lula não começou no segundo turno.
O governador assumiu o comando da Paraíba em 2026, após a saída de João Azevêdo para disputar o Senado, e construiu sua candidatura à reeleição com apoio de partidos ligados ao presidente.
Durante a campanha, Lucas destacou investimentos federais e a importância da cooperação entre o governo estadual e a União.
Após a vitória, reafirmou a defesa de políticas relacionadas à educação pública, à proteção das mulheres e à redução das desigualdades.
A continuidade dessa aliança ajuda a explicar por que o governador manteve seu posicionamento mesmo diante da decisão nacional do PP.
Sua atuação também demonstra que o apoio a Lula não se limita aos governadores formalmente identificados com a esquerda.
Governadores têm papel relevante na articulação eleitoral
A influência de um governador em uma campanha presidencial não depende apenas de sua popularidade.
Governadores possuem relações políticas com prefeitos, deputados estaduais, parlamentares federais e lideranças municipais. Essas redes podem contribuir para a organização de eventos, a mobilização de apoiadores e a divulgação de propostas.
Entretanto, o apoio de um governador não significa transferência automática de votos ao candidato presidencial.
A eleição para o governo estadual e a disputa pela Presidência envolvem diferentes critérios de escolha, alianças e avaliações dos eleitores.
Ainda assim, a participação de lideranças regionais pode ampliar a presença territorial de uma campanha, especialmente em municípios onde a estrutura partidária nacional é menos consolidada.
No caso de Lucas Ribeiro, a articulação reúne a legitimidade de uma vitória recente no primeiro turno e a continuidade de uma aliança política já estabelecida com Lula.
O mapa político também mostra os limites da aliança
Embora os cinco governadores aliados de Lula tenham conquistado vitórias importantes, o resultado nacional apresenta um cenário mais amplo.
Dos 20 governadores eleitos no primeiro turno, dez apoiaram Flávio Bolsonaro, cinco apoiaram Lula, quatro adotaram posição de neutralidade e um esteve alinhado a outra candidatura presidencial.
Isso significa que a base estadual do presidente está concentrada no Nordeste, enquanto Flávio conta com governadores aliados em diferentes regiões do país.
A distribuição evidencia a importância das disputas estaduais para a formação dos palanques presidenciais, mas não permite antecipar o resultado do segundo turno.
Em sete unidades da Federação, as eleições para governador ainda serão decididas em 25 de outubro, simultaneamente à votação presidencial.
O protagonismo da Paraíba
A reeleição de Lucas Ribeiro e sua participação ativa na campanha de Lula mostram como a política regional pode produzir alianças que não seguem rigidamente as divisões partidárias nacionais.
Mesmo filiado a uma legenda cuja federação apoia Flávio Bolsonaro, o governador da Paraíba manteve seu compromisso público com o presidente e passou a organizar ações concretas para o segundo turno.
Ao lado das vitórias de Jerônimo Rodrigues, Elmano de Freitas, Rafael Fonteles e Fábio Mitidieri, o resultado paraibano compõe um quadro de continuidade administrativa e de alianças regionais no Nordeste.
A participação desses governadores será um dos elementos da disputa presidencial nas próximas semanas. Mais do que declarações formais de apoio, o que está em questão é a capacidade de cada liderança de transformar sua articulação política em mobilização efetiva, respeitando a autonomia de escolha dos eleitores.
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