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ELEIÇÕES 2026 09/Out/2026 às 07:55 COMENTÁRIOS
ELEIÇÕES 2026

GRAVE: Flávio Bolsonaro aciona o TSE e pede monitoramento judicial do Pragmatismo, remoção de publicações e restrições à divulgação de notícias

Publicado em 09 Out, 2026 às 07h55

Flávio Bolsonaro pede ao TSE monitoramento e remoção de posts do Pragmatismo Político. Entenda a ação e os riscos apontados à liberdade de imprensa

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(Imagem: Adriano Machado)

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma ação que inclui o Pragmatismo Político entre os veículos de comunicação sujeitos a pedidos de monitoramento, remoção de publicações e restrições à divulgação de determinados conteúdos. A iniciativa, protocolada na quinta-feira (8) e divulgada nesta sexta-feira (9), também alcança a Mídia NINJA, jornalistas e outros perfis que publicaram críticas à candidatura do senador. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) repudiou a medida e alertou para seus possíveis efeitos sobre a liberdade de expressão.

O processo foi apresentado durante a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, e levanta uma discussão sobre os limites da intervenção da Justiça Eleitoral na atividade jornalística.

Pragmatismo Político aparece expressamente na ação

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi registrada sob o número 0602742-32.2026.6.00.0000 e distribuída ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

Na petição, que possui 197 páginas, a defesa de Flávio Bolsonaro apresenta uma relação de perfis e publicações que considera irregulares.

Entre os veículos citados está o Pragmatismo Político, identificado pelo perfil @pragmatismopolitico no Instagram.

O portal aparece no chamado Quadro B-2, ao lado de outros perfis classificados pela própria campanha como veículos de mídia.

Para essa categoria, os advogados solicitam medidas que incluem a remoção de publicações apontadas como irregulares, a proibição de republicação de conteúdos semelhantes e o monitoramento das atividades.

A inclusão do Pragmatismo Político no processo foi noticiada pelo Brasil 247 e confirmada em manifestação pública da Associação Brasileira de Imprensa.

É importante destacar que a existência do pedido não significa que o TSE tenha reconhecido alguma irregularidade praticada pelo portal.

Também não significa que tenha sido determinada a suspensão de suas atividades.

Campanha aponta suposta rede de desinformação

Na ação, a defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que teria identificado uma estrutura coordenada de divulgação de conteúdos eleitorais contrários à sua candidatura.

Segundo os advogados, a análise realizada pela campanha identificou 1.525 perfis no Instagram, conectados por 5.882 relações de coautoria.

A petição também menciona 218 publicações consideradas falsas ou descontextualizadas, que teriam alcançado aproximadamente 11,6 milhões de visualizações.

Esses números são apresentados pela própria defesa do candidato e não constituem, por si só, comprovação de que os perfis mencionados tenham cometido irregularidades.

A campanha argumenta que a atuação conjunta de determinadas contas poderia caracterizar uso indevido dos meios de comunicação social e divulgação coordenada de desinformação eleitoral.

Entretanto, a colaboração entre perfis, o compartilhamento de notícias e a publicação de conteúdos jornalísticos não são atividades ilícitas por natureza.

Para caracterizar uma infração eleitoral, é necessário demonstrar quais condutas específicas violaram a legislação e apresentar elementos que sustentem essa conclusão.

Pedido também alcança Mídia NINJA e jornalistas

O Pragmatismo Político não é o único veículo de comunicação mencionado na iniciativa.

A Mídia NINJA também aparece entre os perfis para os quais a campanha solicita medidas restritivas.

Um dos conteúdos questionados é um vídeo apresentado por Titi Müller, publicado em 7 de outubro, no qual a comunicadora comenta declarações de Flávio Bolsonaro sobre possíveis mudanças na Constituição.

Segundo os dados reproduzidos na petição, o vídeo havia alcançado aproximadamente 991 mil visualizações.

A campanha considera que a interpretação apresentada no conteúdo extrapola o significado das declarações do senador.

Outra publicação contestada é da jornalista Laís Gouveia, editora do Brasil 247 nas redes sociais.

Na postagem, a jornalista questionou as declarações de Flávio sobre alterações constitucionais e associou o tema aos riscos que identifica para a democracia.

A defesa do candidato classificou a publicação como descontextualizada e sem confirmação suficiente.

As interpretações apresentadas pelos jornalistas são objeto de contestação judicial, mas não foram demonstradas como ilícitas apenas pelo fato de integrarem a petição.

Campanha também pede suspensão de perfis

Além das medidas relacionadas a veículos de comunicação, a ação solicita a suspensão temporária de 32 perfis até o encerramento do segundo turno.

É necessário distinguir os diferentes pedidos apresentados.

No caso do Pragmatismo Político e da Mídia NINJA, a documentação descrita pela imprensa aponta solicitações de remoção, restrição à republicação e monitoramento.

Isso não equivale a afirmar que a campanha tenha solicitado a suspensão integral do perfil do Pragmatismo Político.

A distinção é relevante porque diferentes medidas possuem consequências jurídicas e práticas distintas.

A retirada de uma publicação específica, a proibição de republicação e a suspensão completa de uma conta não podem ser tratadas como se fossem a mesma providência.

Todas exigem fundamentação e análise das circunstâncias concretas.

Associação Brasileira de Imprensa repudia iniciativa

A Associação Brasileira de Imprensa divulgou nesta sexta-feira (9) uma manifestação de repúdio à ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro.

A entidade classificou a iniciativa como uma tentativa de restringir a liberdade de expressão e silenciar veículos de comunicação.

Na manifestação, a ABI destacou a inclusão do Pragmatismo Político, da Mídia NINJA e de profissionais da imprensa entre os alvos dos pedidos judiciais.

A associação manifestou preocupação com a possibilidade de que medidas destinadas ao enfrentamento da desinformação sejam utilizadas para limitar críticas políticas e manifestações jornalísticas.

A posição da ABI representa uma avaliação institucional sobre os riscos da iniciativa. Não constitui uma decisão judicial sobre a legalidade dos pedidos.

Ainda assim, a manifestação tem relevância por partir de uma entidade historicamente vinculada à defesa da liberdade de imprensa no Brasil.

Críticas a candidatos não são automaticamente desinformação

A Constituição Federal assegura a liberdade de expressão e protege a atividade jornalística.

O artigo 220 estabelece que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação não podem sofrer restrições incompatíveis com as garantias constitucionais.

A legislação eleitoral também prevê mecanismos para combater informações falsas, propaganda irregular e outras condutas que possam comprometer a disputa.

O desafio está em distinguir conteúdos efetivamente ilícitos de críticas políticas, opiniões e interpretações jornalísticas.

Um candidato pode contestar informações publicadas sobre sua trajetória, apresentar documentos, solicitar correções e recorrer à Justiça quando entender que seus direitos foram violados.

Isso não significa, entretanto, que toda crítica contundente ou interpretação desfavorável deva ser retirada das redes sociais.

O exercício do jornalismo envolve examinar declarações públicas, confrontar propostas, investigar contradições e questionar agentes políticos.

Essas atividades integram o debate democrático e não podem ser confundidas automaticamente com a divulgação de informações falsas.

O que diz a defesa de Flávio Bolsonaro

Na petição, os advogados do candidato afirmam que o objetivo das medidas é impedir a circulação coordenada de conteúdos que consideram falsos ou gravemente descontextualizados.

A defesa sustenta que determinadas publicações ultrapassariam os limites da crítica política legítima e poderiam interferir irregularmente na disputa eleitoral.

A campanha também busca responsabilizar judicialmente a chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin por suposto uso indevido dos meios de comunicação social.

Essas alegações dependem da análise das provas e do contraditório.

Até o momento retratado nesta reportagem, a apresentação da ação não representa comprovação de uma rede ilícita nem de participação irregular dos veículos de comunicação mencionados.

A presunção de inocência e o direito de defesa devem ser assegurados a todos os envolvidos.

O impacto sobre o jornalismo independente

A inclusão de veículos de comunicação em pedidos de monitoramento e remoção de publicações suscita preocupações que ultrapassam o processo eleitoral.

A possibilidade de sofrer restrições judiciais por conteúdos jornalísticos pode produzir efeitos sobre o funcionamento de redações, especialmente de veículos independentes.

Mesmo quando não há uma ordem de suspensão integral, medidas abrangentes de monitoramento ou proibição de republicação podem gerar insegurança sobre quais conteúdos poderão continuar circulando.

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Isso não impede a responsabilização por eventuais publicações ilícitas, mas exige que as restrições sejam específicas, fundamentadas e proporcionais.

A discussão também envolve o direito da sociedade de receber informações e análises sobre candidatos que disputam cargos públicos.

Durante uma eleição presidencial, o escrutínio da trajetória e das propostas dos concorrentes é parte essencial da atividade jornalística.

Uma disputa que chega à Justiça Eleitoral

A ação contra perfis e veículos de comunicação ocorre em meio à intensificação das disputas judiciais entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.

Nesta sexta-feira (9), a imprensa também noticiou decisões do TSE determinando a retirada de publicações de Lula, Janja e parlamentares aliados ao presidente.

Essas decisões foram proferidas em processos distintos e não devem ser confundidas com os pedidos específicos envolvendo o Pragmatismo Político.

No caso da ação que cita o portal, a questão central é verificar se os conteúdos apontados pela campanha de Flávio efetivamente violam a legislação eleitoral e se as medidas solicitadas são compatíveis com as garantias constitucionais.

O Pragmatismo Político aparece expressamente entre os veículos mencionados na petição, mas a simples inclusão de seu nome não comprova qualquer irregularidade.

A iniciativa já provocou reação da Associação Brasileira de Imprensa e colocou em discussão os limites entre o combate à desinformação e a proteção do jornalismo.

Em uma democracia, a fiscalização da legalidade das publicações deve coexistir com a liberdade de investigar, informar e criticar os candidatos que pretendem governar o país.

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