Leonardo DiCaprio se encontra com Lula no Brasil sete anos após acusação sem provas de Bolsonaro
Leonardo DiCaprio se reúne com Lula e visita Raoni e o Xingu durante viagem ambiental pelo Brasil, sete anos após acusação sem provas de Bolsonaro.

Leonardo DiCaprio desembarcou no Brasil para uma agenda dedicada à preservação ambiental e aos povos indígenas e encerrou uma das etapas da viagem em um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja, no Palácio do Planalto, em Brasília. A reunião aconteceu nesta quarta-feira (2) e contou também com representantes da organização ambiental Re, da qual o ator é cofundador.
A visita ganhou um simbolismo político adicional pela história recente. Sete anos atrás, em 2019, o então presidente Jair Bolsonaro acusou DiCaprio, sem apresentar provas, de financiar organizações que supostamente estariam envolvidas em incêndios criminosos na Amazônia. Agora, o ator retorna ao país para conversar diretamente com o governo brasileiro e com algumas das principais lideranças indígenas sobre proteção da floresta, biodiversidade e mudanças climáticas.
DiCaprio se reúne com Lula no Palácio do Planalto
A reunião em Brasília durou cerca de 40 minutos e teve como principais temas a preservação ambiental, as mudanças climáticas e os direitos dos povos indígenas. Lula apresentou ações de seu governo relacionadas à redução do desmatamento, ao combate ao garimpo ilegal e à demarcação de terras indígenas, enquanto DiCaprio falou sobre sua passagem pelo Xingu e o trabalho desenvolvido pela Re.
“Parabenizei DiCaprio pelo seu compromisso com a causa ambiental e indígena”, afirmou Lula após o encontro. O ator também apresentou ao presidente iniciativas da organização ambiental em parceria com comunidades e instituições brasileiras.
A Re trabalha na conservação e recuperação de ecossistemas ameaçados em diferentes partes do mundo. No Brasil, a organização mantém projetos relacionados à proteção de florestas e territórios indígenas. Em 2023, chegou a estabelecer uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente para ações de recuperação de áreas amazônicas degradadas pelo garimpo ilegal.
Ator percorreu Amazônia, Pantanal e Cerrado
Antes de chegar a Brasília, DiCaprio passou por diferentes regiões do país. A viagem incluiu Amazônia, Pantanal e Cerrado, onde o ator conheceu projetos de conservação e conversou com indígenas, cientistas, ambientalistas e organizações locais.
DiCaprio afirmou que o Brasil é fundamental para o futuro ambiental do planeta e destacou a importância das populações que há gerações atuam na conservação dos ecossistemas brasileiros.
Durante a viagem, o ator voltou a defender uma ideia presente em boa parte de seu ativismo ambiental: preservar florestas não significa apenas conservar árvores e animais, mas também garantir a sobrevivência e os direitos das populações responsáveis pela proteção desses territórios.
Encontro com Raoni marcou passagem pelo Brasil
No sábado (29), DiCaprio esteve em Mato Grosso para encontrar o cacique Raoni Metuktire, uma das lideranças indígenas brasileiras mais conhecidas internacionalmente. A visita ocorreu enquanto Raoni se recupera de problemas recentes de saúde.
O encontro teve participação de Sônia Guajajara e de representantes da Re. A organização apoia iniciativas ligadas ao legado de Raoni e à proteção dos territórios Kayapó, incluindo projetos destinados ao fortalecimento da governança indígena e da conservação territorial.
A trajetória do cacique atravessa décadas de mobilização pela Amazônia. Raoni levou a defesa dos territórios indígenas a encontros com presidentes, autoridades internacionais, artistas e organizações ambientais, transformando-se em uma das vozes mais reconhecidas da floresta fora do Brasil.
DiCaprio retornou ao Xingu 22 anos depois
Outro momento simbólico da viagem aconteceu no Alto Xingu. DiCaprio retornou à região que havia visitado em 2004 e se encontrou com lideranças como Tapi Yawalapiti e Watatakalu Yawalapiti.
Mais de duas décadas depois da primeira passagem, o ator conheceu iniciativas indígenas de prevenção a incêndios, preservação das línguas e culturas tradicionais, proteção territorial e desenvolvimento de alternativas econômicas sustentáveis.
As lideranças entregaram a DiCaprio uma carta com demandas da comunidade e pedidos de apoio. A visita colocou no centro da agenda ambiental justamente aqueles que vivem nos territórios e participam diretamente de sua preservação.
Bolsonaro acusou DiCaprio de financiar queimadas em 2019
A atual passagem pelo Brasil também resgata um episódio emblemático do governo Jair Bolsonaro.
Em novembro de 2019, Bolsonaro acusou publicamente Leonardo DiCaprio de financiar pessoas que estariam provocando incêndios na Amazônia. “Leonardo DiCaprio é um cara legal, não é? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia”, afirmou o então presidente.
Bolsonaro não apresentou provas para sustentar a acusação. A declaração surgiu no contexto da controversa prisão de quatro brigadistas voluntários de Alter do Chão, no Pará, investigados pela Polícia Civil sob suspeita de provocar incêndios para posteriormente obter recursos destinados ao combate às queimadas.
A investigação foi duramente questionada. Naquele momento, o Ministério Público Federal informou que brigadistas e organizações não governamentais não estavam entre os suspeitos apontados por sua própria investigação sobre os incêndios na área de proteção ambiental de Alter do Chão.
DiCaprio também negou ter financiado as organizações mencionadas na acusação. Em resposta, declarou apoio às pessoas que trabalhavam pela preservação da Amazônia e afirmou ter orgulho de participar de iniciativas destinadas à proteção do patrimônio natural e cultural brasileiro.
Sete anos depois, cenário é completamente diferente
O contraste entre os dois momentos é expressivo. Em 2019, um dos atores mais conhecidos do mundo era publicamente acusado pelo presidente brasileiro, sem provas, de financiar queimadas na Amazônia. Em 2026, DiCaprio é recebido no Palácio do Planalto para discutir com o presidente da República políticas de preservação ambiental e proteção dos povos indígenas.
A mudança não apaga os desafios ambientais brasileiros nem elimina divergências sobre a política do atual governo. Mas revela uma transformação significativa na relação institucional do país com organizações e personalidades internacionais envolvidas na defesa do meio ambiente.
Ao final de sua passagem, DiCaprio voltou a destacar o papel estratégico do país no enfrentamento à crise climática. Para o ator, proteger Amazônia, Pantanal e Cerrado significa também proteger os povos indígenas e comunidades que mantêm esses ecossistemas vivos.
A mensagem coincide com o que lideranças indígenas brasileiras repetem há décadas: qualquer política climática capaz de produzir resultados duradouros precisa reconhecer que a conservação das florestas está diretamente ligada à proteção dos territórios e ao protagonismo de quem vive neles.
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