EUA revogam visto da embaixadora brasileira em Washington; Lula promete resposta na mesma moeda
Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti. O governo Lula classificou a decisão como injustificada, anunciou medidas de reciprocidade e elevou a tensão diplomática entre os dois países
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta semana. O governo norte-americano revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida considerada inédita nas relações recentes entre os dois países. A decisão foi anunciada pela administração do presidente Donald Trump como resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément — autorização diplomática necessária — ao indicado para comandar a embaixada dos EUA em Brasília, além da negativa de vistos a dois diplomatas americanos.
O Palácio do Planalto reagiu imediatamente. O governo Lula afirmou que o Brasil tem seguido os procedimentos previstos pela Convenção de Viena e pelas normas internacionais, destacando que não existe prazo obrigatório para a concessão do agrément. Em nota, integrantes do governo classificaram a justificativa americana como infundada e acusaram Washington de utilizar instrumentos diplomáticos para pressionar o Brasil em meio ao processo eleitoral de 2026. Como resposta, Lula anunciou que o país adotará medidas de reciprocidade, princípio amplamente utilizado na diplomacia internacional quando um Estado responde a outro com ações equivalentes.
Escalada amplia tensão entre Brasília e Washington
A revogação do visto ocorre em um momento de deterioração das relações bilaterais. Nas últimas semanas, Brasil e Estados Unidos já haviam trocado críticas sobre questões comerciais, diplomáticas e eleitorais. Segundo autoridades americanas, o visto da embaixadora poderá ser restabelecido caso o governo brasileiro aprove o nome indicado por Donald Trump para representar os EUA em Brasília. O Itamaraty, por sua vez, sustenta que a análise segue critérios técnicos e soberanos, sem qualquer obrigação de atender ao calendário político de outro país.
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Especialistas em relações internacionais ouvidos pela imprensa classificaram a decisão como uma medida incomum e de forte impacto diplomático, já que restrições desse tipo costumam atingir autoridades individuais, e não chefes de missão diplomática em exercício.
Eduardo Bolsonaro esteve na Casa Branca antes da decisão
A nova crise também ganhou contornos políticos no Brasil. Horas antes do anúncio da revogação do visto, Eduardo Bolsonaro esteve na Casa Branca para reuniões com integrantes do governo Trump. O encontro ocorreu em meio ao agravamento das tensões entre os dois países, mas, até o momento, não há evidências públicas de que a visita tenha influenciado ou participado da decisão americana.
A proximidade temporal entre os dois acontecimentos gerou repercussão no debate político brasileiro, mas qualquer afirmação de que Eduardo Bolsonaro tenha atuado para provocar a medida depende de provas que, até agora, não foram apresentadas publicamente.
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