Redação Pragmatismo
Exploração Trabalhador 29/Jun/2026 às 13:18 COMENTÁRIOS
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Trabalhador denuncia agressão em fábrica da Midea; gestor chinês é afastado e caso vai parar no Ministério do Trabalho

Publicado em 29 Jun, 2026 às 13h18
Trabalhador denuncia agressão fábrica Midea gestor chinês afastado Ministério do Trabalho
Trabalhadores denunciam agressão física em MG

Um gestor chinês da fábrica da Midea em Pouso Alegre (MG) foi afastado após denúncias de agressão física a um trabalhador, incluindo a acusação de que ele teria sido chicoteado com uma borracha usada para vedação de geladeiras. A empresa chinesa de eletrodomésticos chama o caso de “incidente” e nega a chicotada.

A agressão ocorreu no dia 15 de junho e ganhou tração com a denúncia da vítima. Na terça (23), trabalhadores cruzaram os braços em protesto na unidade, que reúne cerca de 1.200 empregados. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre, isso acabou sendo a gota d’água de uma série de reclamações de assédio moral e condições precárias. Prometeram greve caso medidas não fossem adotadas.

Uma reunião foi convocada pelo Ministério do Trabalho e Emprego com trabalhadores, sindicato e a direção da empresa. Carlos Calazans, que está à frente da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, contou ao Uol que exigiu o imediato afastamento do acusado até que a agressão fosse apurada. Também foi demandado que a vítima não sofra nenhuma retaliação.

Calazans chamou a situação de “inadmissível” e reforçou a esta coluna a gravidade que representa esse tipo de agressão, ainda mais diante da história de trabalho escravo no Brasil. Uma comissão com trabalhadores, sindicato, empresa e governo foi criada para acompanhar as investigações e discutir o cumprimento da legislação brasileira.

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Na reunião, o sindicato reforçou denúncias de assédio e condições precárias de trabalho, o que incluiria limitação de acesso ao banheiro.

Em nota, a Midea Indústria do Brasil confirma que houve um “incidente envolvendo um gestor expatriado e um colaborador local, mas não nas dimensões noticiadas”. Afirma que não houve chicoteamento e que adotou medidas para preservar o respeito no ambiente de trabalho, mas que afastou o gestor envolvido. E refuta que as atividades da fábrica foram paralisadas.

“A Midea também reforçará iniciativas voltadas à integração intercultural, ao desenvolvimento de lideranças e à capacitação de profissionais expatriados que atuam no Brasil, com foco em comunicação, legislação trabalhista, práticas locais e conduta no ambiente de trabalho”, diz a nota.

O caso sobre desrespeito aos direitos trabalhistas envolvendo empresas chinesas que ganhou mais repercussão foi o do resgate de 163 operários chineses que atuavam nas obras da fábrica da BYD em Camaçari (BA). A operação foi revelada por esta coluna em dezembro de 2024.

Segundo a fiscalização, contratos analisados previam jornada de dez horas por dia, seis dias por semana, com possibilidade de extensão — o que levaria a uma jornada semanal de 60 a 70 horas, muito maior do que o limite legal no Brasil, de 44 horas. Foram constatadas condições degradantes nos alojamentos. Um deles contava com um único vaso sanitário para 31 trabalhadores. Segundo a fiscalização, muitos dormiam sem colchões. Também não havia armários: os alimentos se misturavam a roupas e pertences pessoais, criando um ambiente insalubre.

A empresa alegou que os trabalhadores eram de terceirizadas, o que não foi acatado pela Inspeção do Trabalho. A gigante chinesa dos automóveis elétricos foi inserida na “lista suja” do trabalho escravo do governo federal, o cadastro de empregadores responsabilizados por esse crime, no dia 6 de abril, mas conseguiu uma liminar da Justiça e foi retirada.

Após a inclusão, o secretário nacional de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, foi dispensado de suas funções no Ministério do Trabalho e Emprego. Auditores fiscais do trabalho alegaram interferência política do governo na decisão. O governo afirmou que a exoneração foi “ato administrativo de gestão, de prerrogativa do ministro de Estado”.

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