Fortaleza e Recife cancelam shows da dupla Jorge e Mateus; vocalista havia debochado dos eleitores de Lula
A pressão do povo nordestino funcionou: as prefeituras de Recife e Fortaleza, duas das maiores cidades brasileiras, cancelaram os shows de Jorge e Mateus que seriam pagos com dinheiro público

Apresentações de Réveillon foram retiradas da programação após repercussão de vídeo em que Jorge declara apoio a Flávio Bolsonaro e ironiza o PT.
As prefeituras de Fortaleza e Recife anunciaram o cancelamento dos shows da dupla sertaneja Jorge e Mateus que estavam previstos para as festas de fim de ano das duas capitais nordestinas. A decisão ocorreu após uma onda de críticas nas redes sociais, motivada pela circulação de um vídeo em que o cantor Jorge manifesta apoio a Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial e ironiza o Partido dos Trabalhadores (PT). As manifestações de internautas ganharam força depois da reeleição do presidente Lula, levando os gestores municipais a rever a participação dos artistas nas comemorações de Réveillon.
Vídeo de apoio a Flávio Bolsonaro provocou reação
A polêmica começou com a repercussão de imagens gravadas durante um encontro de artistas sertanejos com Flávio Bolsonaro, realizado em Nerópolis, Goiás, durante a campanha eleitoral.
Na ocasião, Jorge declarou apoio ao candidato do PL e participou de uma paródia de um dos sucessos da própria dupla, cantando: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.
Após a vitória de Lula, o vídeo voltou a circular e provocou críticas de internautas, especialmente no Nordeste. Parte do público passou a questionar a presença da dupla em festas organizadas por prefeituras de cidades onde o presidente havia recebido a maioria dos votos.
Mateus não participou do encontro político e não há confirmação de que tenha manifestado o mesmo posicionamento eleitoral do parceiro.
Prefeitos anunciam cancelamentos após cobranças
Em Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão (PT) anunciou que a participação da dupla no Réveillon havia sido cancelada de comum acordo, após a controvérsia ganhar repercussão.
Segundo o gestor, a polêmica estava desviando a atenção do objetivo principal da festa, que é reunir a população em uma celebração popular.
No Recife, o prefeito Victor Marques (PCdoB) chegou a defender inicialmente a manutenção do show, argumentando que diferenças políticas deveriam ser respeitadas e que as eleições já haviam terminado.
Entretanto, diante da continuidade das manifestações e do cancelamento anunciado em Fortaleza, o prefeito recuou e também retirou a dupla da programação.
Marques afirmou que já não havia clima para manter a apresentação, prevista para 27 de dezembro.
As duas prefeituras informaram que os cachês seriam custeados por patrocinadores privados e que os cancelamentos não provocariam prejuízo aos cofres públicos.
Jorge nega ofensas ao povo nordestino
A controvérsia também envolveu publicações que atribuíam ao cantor declarações ofensivas contra a população nordestina.
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Em nota, Jorge negou ter feito comentários depreciativos sobre o Nordeste e afirmou que mantém uma relação de carinho, admiração e respeito com a região.
O artista também esclareceu que sua manifestação política foi individual e não representa necessariamente o posicionamento de Mateus.
O episódio provocou reações divergentes. Enquanto parte dos internautas comemorou os cancelamentos, políticos de oposição criticaram as decisões, argumentando que artistas não deveriam perder contratos em razão de suas preferências eleitorais.
As administrações municipais sustentam que a retirada das apresentações ocorreu para preservar o caráter festivo das comemorações, diante da repercussão pública.
A sequência dos acontecimentos demonstra que as cobranças nas redes sociais antecederam as decisões das duas prefeituras, embora os gestores tenham apresentado a preservação do ambiente das festas como justificativa oficial para os cancelamentos.
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