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América Latina 29/Jun/2026 às 22:50 COMENTÁRIOS
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Keiko Fujimori vence eleição no Peru após disputa voto a voto e retorna ao poder 34 anos após autogolpe do pai

Publicado em 29 Jun, 2026 às 22h50
Keiko Fujimori vence eleição Peru disputa voto retorna ao poder anos autogolpe pai
Keiko Fujimori (Imagem: Stifs Paucca | Reuters)

A líder conservadora Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, é a virtual nova presidente do Peru. Com 100% das urnas apuradas, ela obteve 50,135% dos votos válidos, contra 49,865% do candidato de esquerda Roberto Sánchez, uma diferença de apenas 49.641 votos em um universo superior a 18 milhões de votos. Embora o resultado ainda dependa da proclamação oficial do Jurado Nacional de Eleições (JNE), prevista para até 3 de julho, a vantagem tornou-se matematicamente irreversível ainda na semana passada.

A eleição encerra uma das disputas mais acirradas da história recente do Peru e marca a quarta tentativa consecutiva de Keiko de chegar à Presidência. Depois de perder os segundos turnos de 2011, 2016 e 2021, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori finalmente conquistou o Palácio do Governo em meio a um cenário de forte polarização política e institucional.

Apuração teve reviravoltas e contestação da oposição

A contagem dos votos foi marcada por sucessivas mudanças na liderança. Keiko abriu vantagem no início da apuração, foi ultrapassada por Roberto Sánchez durante a contabilização e voltou à frente na madrugada de 11 de junho, mantendo uma diferença crescente até o encerramento da contagem.

O candidato da coalizão de esquerda Juntos por el Perú contestou o resultado e pediu a anulação de votos registrados por peruanos residentes no exterior, alegando irregularidades na apuração. O recurso foi levado à Justiça Eleitoral.

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Apesar das acusações, missões de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia afirmaram que o processo eleitoral transcorreu de forma regular e disseram não ter encontrado evidências que sustentassem denúncias de fraude.

Quem é Keiko Fujimori

Aos 51 anos, Keiko Fujimori é uma das figuras mais conhecidas da política peruana. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela ganhou projeção nacional ainda jovem, quando assumiu o posto de primeira-dama em 1994, após a separação dos pais.

Formada em Administração pela Universidade de Boston e mestre pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, foi eleita deputada em 2006, fundou o partido Fuerza Popular em 2009 e preside a legenda desde 2013.

Sua vitória representa o retorno do chamado fujimorismo ao comando do país após décadas exercendo influência principalmente no Congresso.

O legado controverso de Alberto Fujimori

A eleição de Keiko reacende o debate sobre o legado de seu pai, Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000.

Para parte da população, ele é lembrado pela estabilização da economia peruana e pelo combate aos grupos guerrilheiros Sendero Luminoso e MRTA. Já seus críticos destacam o caráter autoritário do governo, denúncias de corrupção e graves violações de direitos humanos.

O episódio mais emblemático ocorreu em 5 de abril de 1992, quando Alberto Fujimori dissolveu o Congresso, suspendeu a Constituição, interveio no Judiciário e passou a governar por decreto com apoio das Forças Armadas. O episódio ficou conhecido como “autogolpe” e marcou um dos períodos mais controversos da história política peruana.

Peru vive longa crise institucional

Keiko assume a Presidência em um país que atravessa uma prolongada crise política. Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes, entre eleições, impeachments, renúncias e sucessivas trocas de governo.

Seu adversário, Roberto Sánchez, foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e posteriormente preso após tentar dissolver o Congresso em 2022. Castillo continua sendo uma figura que divide opiniões no país: enquanto opositores classificam sua atitude como tentativa de golpe de Estado, apoiadores afirmam que ele foi vítima de um Parlamento que historicamente concentra grande poder político.

Após a queda de Castillo, o Peru passou por novos episódios de instabilidade, mudanças de presidentes interinos e protestos, até chegar às eleições deste ano.

Posse deve ocorrer em julho

O Jurado Nacional de Eleições deve oficializar o resultado até 3 de julho, enquanto a entrega das credenciais à chapa vencedora está prevista para 15 de julho.

A expectativa agora é sobre como será a relação entre o novo governo e um Congresso historicamente fragmentado, além da capacidade de Keiko Fujimori de reduzir a instabilidade política que marcou o Peru na última década.

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