Redação Pragmatismo
Cultura 17/Jan/2020 às 10:42 COMENTÁRIOS
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Secretário de Bolsonaro copia discurso nazista e causa revolta

Publicado em 17 Jan, 2020 às 10h42

Em vídeo, secretário de Jair Bolsonaro copia Goebbels, ministro de Hitler, e provoca onda de repúdio e revolta nas redes sociais. Episódio é um dos mais bizarros já protagonizados pelo atual governo

Roberto Alvim
Roberto Alvim

Um vídeo em que o secretário da Cultura Roberto Alvim copia trechos de um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, sobre as artes provocou uma onda de indignação nas redes sociais na madrugada desta sexta-feira (17).

O vídeo foi postado pela Secretaria Especial da Cultura do governo Bolsonaro para divulgar o Prêmio Nacional das Artes, que havia sido lançado horas antes em live com a participação do próprio presidente.

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”, disse o ministro de cultura e comunicação de Hitler em um pronunciamento para diretores de teatro, segundo o livro “Joseph Goebbels: uma Biografia”, de Peter Longerich.

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, afirmou Alvim no vídeo postado nas redes sociais.

Além dos trechos do pronunciamento, a estética do vídeo, a aparência do secretário, o vocabulário, o tom de voz e a trilha sonora escolhida também fizeram várias personalidades compararem a divulgação à propaganda nazista.

A fala de Alvim levou o nome de Goebbels a ser um dos mais citados no Twitter durante a madrugada e fez com que centenas de internautas repudiassem a referência nazista e postassem comparações com a propaganda de Hitler.

Uma das referências no vídeo é a música de fundo, que veio da ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, uma obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida.

O pronunciamento de Alvim foi gravado em uma sala que tem o retrato do presidente Jair Bolsonaro ao fundo, a bandeira brasileira de um lado e uma cruz do outro.

Ele começa citando um pedido do presidente: que a cultura não destrua e sim salve a juventude brasileira.

“A cultura é a base da pátria. Quando a cultura adoece, o povo adoece junto. E é por isso que queremos uma cultura dinâmica, mas ao mesmo tempo enraizada na nobreza de nossos mitos fundantes. A pátria, a família, a coragem do povo e sua profunda ligação com Deus, amparam nossas ações na criação de políticas públicas. As virtudes da fé, da lealdade, do autosacrifício e da luta contra o mal serão alçadas ao território sagrado das obras de arte”, disse o secretário.

Demissão

Por meio de seu perfil no Twitter, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) pediu a demissão de Roberto Alvim. “O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo”, postou Rodrigo Maia.

“Hey, Alvim! esse vídeo em que você ouve a música preferida de Hitler e faz um plagio de uma frase Goebbels foi feito para que a gente esquecesse o escândalo se corrupção da secretaria de comunicação? Não deu certo”, afirmou a ex-candidata à vice-presidência da República Manuela d’Ávila.

“Roberto Alvim está querendo chamar a atenção? Sim. É um ressentido? Claro. Mas não se parafraseia o nazismo impunemente. É impossível inspirar-se em tal mentalidade sem conspurcar-se com ela. A marca fascista desse governo está mais do que nunca desmascarada”, postou em seu perfil no Twitter a deputada federal Margarida Salomão.

“Roberto Alvim, ao citar Joseph Goebbels, intelectual da propaganda nazista, em discurso oficial da secretaria de Cultura, escancara as intenções autoritárias deste governo”, disse o também deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ).

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