Redação Pragmatismo
Juristas 10/Set/2019 às 13:33 COMENTÁRIOS
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Campanha ironiza procurador que não consegue viver com R$ 24 mil

Publicado em 10 Set, 2019 às 13h33

Campanha recolhe doações para procurador que passou a tomar antidepressivos por conta do salário “miserê” de R$ 24 mil. Em desabafo, Leonardo Azeredo reclamou que poderia até virar “pedinte” pois teve que reduzir suas despesas com cartão de crédito

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Em Belo Horizonte, manifestantes colocam caixa para arrecadar doações para o procurador Leonardo Azeredo (dir)

O áudio com a reclamação do procurador Leonardo Azeredo dos Santos a respeito do seu salário “miserê” de R$ 24 mil foi o assunto mais repercutido na internet brasileira nesta segunda-feira (9).

Nesta terça-feira (10), manifestantes colocaram uma caixa de papelão em frente à Igreja São Francisco de Assis da Pampulha, em Belo Horizonte, com o seguinte pedido: “Ajude o procurador do MPMG a sair do miserê. Deposite aqui sua doação”.

A declaração de Leonardo Azeredo dos Santos foi gravada durante a 5ª reunião extraordinária do colegiado do MPMG, que discutia o Orçamento de 2020.

Neste momento, o procurador-geral de Justiça, Antônio Sérgio Tonet, informava que, caso o estado assine o acordo de recuperação fiscal com o governo federal, não haverá qualquer reajuste salarial, mesmo que haja aumento dos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o procurador, ele já estaria baixando o padrão de vida por causa do salário.

“Estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou gastando R$ 8 mil. Pra poder viver com os R$ 24 mil. Eu e vários outros já estamos vivendo à base de comprimido, à base de antidepressivo. Estou falando assim com dois comprimidos de sertralina por dia, e ainda estou falando deste jeito. Se não tomasse, ia ser pior do que Ronaldinho”, afirmou em tom exaltado.

Durante a reunião, Leonardo Azeredo ainda questiona Antônio Sérgio Tonet se não é possível alguma forma para “incrementar” os salários no próximo ano.

“Dentro do orçamento, não há nenhuma perspectiva, nenhum sonho, de incrementar qualquer tipo de vantagem que aumente nossa remuneração? Ou plantão? Ou qualquer coisa que aumente remuneração?”, questionou.

Azeredo justifica o motivo de sua angústia. “Infelizmente, não tenho origem humilde. Não sou acostumado com tanta limitação”, diz. “Todo mundo já verificou que é um salário relativamente baixo. Sobretudo para quem tem mulher e filho (…) Não sei se vou receber a mais, se vai ter algum cálculo dos atrasados que vai me salvar, salvar a minha pele.”

Mais que R$ 24 mil

Embora tenha se queixado do “miserê” de R$ 24 mil por mês, Leonardo Azeredo ganha bem mais do que isso. Segundo dados do Portal da Transparência do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), nos últimos sete meses a média mensal recebida por ele foi de R$ 68.275,34.

As informações que constam no Portal da Transparência do MPMG mostram que o rendimento líquido total do procurador é, realmente, um pouco abaixo de R$ 24 mil. Mesmo assim, outros valores se somam ao salário.

Em julho, por exemplo, que é o último mês com os dados disponíveis para consulta, Leonardo recebeu indenização de R$ 9.008,30, e remunerações retroativas/temporárias, de R$ 32.341,19. Além do salário de R$ 24 mil.

Em janeiro, o procurador recebeu indenização de R$ 42.256,59, e o valor de R$ 21.755,21, relativo de outras remunerações retroativas/temporárias.

Os procuradores ainda têm outros benefícios, como o auxílio-alimentação, de R$ 1,1 mil, e o auxílio-saúde, valor equivalente a 10% do subsídio.

Realidade do brasileiro

Atualmente, a renda média do brasileiro, incluindo super salários, é de R$ 2.270 por mês, de acordo com o IBGE. A dos trabalhadores no serviço público é de R$ 3.666.

Outros 38,6 milhões trabalhadores estão em situação de informalidade, sem registro, sendo que 10 milhões vivem com rendimento abaixo do mínimo necessário à sua sobrevivência; nem nos 13 milhões de desempregados.

O Dieese, na Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos calcula que o salário mínimo necessário para uma família viver, de acordo com o que determina a Constituição, deveria ser de R$ 4.044,58.

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