Redação Pragmatismo
Meio Ambiente 18/Set/2019 às 14:13 COMENTÁRIOS
Meio Ambiente

Jair Bolsonaro libera mais 63 agrotóxicos; 15 extremamente tóxicos

Publicado em 18 Set, 2019 às 14h13

Não satisfeito em quebrar todos os recordes em liberação de agrotóxicos, Jair Bolsonaro autoriza nova remessa com 63, dos quais 15 são extremamente tóxicos. Sete são inéditos no país que já liberou 353 venenos em menos de nove meses

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(Imagem: Alan Santos/PR)

Cida de Oliveira, RBA

A Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou nesta terça-feira (17) no Diário Oficial da União nova remessa com 63 agrotóxicos liberados para venda no país.

Agora são 353 em menos de nove meses, os venenos autorizados desde o início do governo de Jair Bolsonaro (PSL). O país líder mundial no consumo desses produtos vai se tornando também o paraíso para fabricantes, importadores e exportadores.

Da lista publicada hoje, sete substâncias classificadas como extremamente tóxicas são princípio-ativo de 15 produtos liberados. Entre eles estão o sulfoxaflor e imazapir, um dos responsáveis pela mortandade de abelhas no Brasil e em todo o mundo.

Há quatro princípios altamente tóxicos em 10 novas liberações, como o clorfenapir, banido no Reino Unido, e o Fipronil, que não foi aprovado nem nos Estados Unidos nem pelos britânicos. O produto está entre os mais nocivos às abelhas, tanto que o Ministério Público do Rio Grande do Sul pediu à Justiça a sua suspensão do cadastro estadual de agrotóxicos.

E sete substâncias medianamente tóxicas compõem 22 novos itens do portfólio cada vez mais variado da indústria de agrotóxicos. Entre eles o clorpirifós. Proibido em diversos países, como Arábia Saudita, que anunciou hoje acordo de importação de frutas e castanhas do Brasil, é muito usado em lavouras de frutas cítricas.

Segundo o Ministério da Agricultura, a ampla maioria dos produtos registrados já tiveram a patente expirada. E esses genéricos “aumentam a concorrência no mercado e diminuem o preço, caindo o custo de produção”.

O problema é que quanto mais barato, maior o consumo. Além disso, as maiores lavouras – soja, milho, algodão, eucalipto – são à base de plantas geneticamente modificadas para resistir a maiores doses de venenos agrícolas.

A farra dos agrotóxicos no Brasil tem motivado diversas ações de boicote aos produtos brasileiros. É o caso de supermercadistas da Suécia.

Em janeiro, a Rússia havia imposto ao Ministério da Agricultura uma condição para continuar comprando a soja brasileira: reduzir o uso desses produtos.

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