Redação Pragmatismo
Meio Ambiente 06/Jun/2019 às 16:15 COMENTÁRIOS

Produtos brasileiros são boicotados por rede de supermercados da Suécia

Rede de supermercados da Suécia anuncia boicote a todos os produtos do Brasil, em consequência da liberação recorde de novos agrotóxicos pelo governo Bolsonaro

Produtos brasileiros boicotados por rede de supermercados da Suécia
Johannes Cullberg, presidente do grupo Paradiset (Imagem: Captura de tela)

Claudia Wallin, RFI

Precisamos parar (o presidente) Bolsonaro, ele é um maníaco”, disse à RFI o presidente do grupo Paradiset, Johannes Cullberg.

Quando li na imprensa a notícia da liberação de tamanha quantidade de agrotóxicos pelo presidente Bolsonaro e a ministra (da Agricultura) Tereza Cristina, fiquei tão enfurecido que enviei um email a toda a minha equipe, com a ordem ‘boicote já ao Brasil’”, acrescentou Cullberg.

A Paradiset é a maior rede de produtos orgânicos da Escandinávia. Ela já retirou de suas prateleiras os seguintes produtos brasileiros: quatro diferentes tipos de melão, melancia, papaya, limão, manga, água de coco e duas marcas de café, além de uma barra de chocolate que contém 76% de cacau brasileiro em sua composição.

Apelo por apoio de outros supermercados

Não podemos em sã consciência continuar a oferecer alimentos do Brasil a nossos consumidores, num momento em que tanto a quantidade como o ritmo da aprovação de novos agrotóxicos aumenta drasticamente no país. Decidimos portanto retirar os produtos de nossas prateleiras”, disse Johannes Cullberg em comunicado divulgado à imprensa sueca e publicado com destaque pelo Dagens Nyheter, um dos maiores jornais do país.

Não temos carne brasileira em nossas lojas, e certamente não iremos comprar”, acrescentou Alexander Elling, assessor de comunicação da Paradiset.

Cullberg espera que sua ação possa levar outros fornecedores a aderir ao boicote. “Não podemos aceitar este tipo de atitude insana em relação ao nosso planeta, ao nosso povo e à nossa saúde”, destacou o presidente.

Glifosato

Três dos 31 agrotóxicos liberados mais recentemente no Brasil são de produtos que usam como base o glifosato, substância classificada pela OMS como potencialmente cancerígena e que é alvo de milhares de ações judiciais no Estados Unidos. Estudos recentes também comprovaram a relação entre o glifosato e o linfoma Não-Hodgkin, um tipo de câncer que tem origem nas células do sistema linfático.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) alertou que, mesmo que alguns dos efeitos de intoxicação por agrotóxicos sejam classificados como medianos ou pouco tóxicos, não se deve perder de vista os “efeitos crônicos que podem ocorrer meses, anos ou até décadas após a exposição, manifestando-se em doenças congênitas” como câncer, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.

Segundo o sueco Johannes Cullberg, o Brasil já teve uma das mais progressistas estratégias de alimentação do mundo, mas agora os consumidores do país estão expostos a produtos extremamente perigosos. “Isto é uma loucura”, destacou Cullberg.

Não posso escolher o presidente do Brasil, mas posso escolher o que vou comer.”

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Comentários

  1. Eduardo Ribeiro Postado em 05/Jul/2019 às 16:21

    Se a gente começar a puxar a lista de paises que só importam/importavam produtos brasileiros mediante o alcance de determinados padrões de qualidade - aka respeitar uma PUTA LISTA ENORME de agrotoxicos/venenos proibidos - , a situação fica no mínimo temerosa. A reação a total estupidez e absoluta insanidade de liberação de agrotóxicos virá justamente do tão endeusado mercado (porque pra saúde dos brasileiros estão cagando...querem mais é que morram mesmo): a pauta de exportações corre riscos, e num cenario mais extremo não teremos pra quem vender, porque Bolsonaro e seus asseclas acharam que o mundo ia aceitar esse veneno que nós mesmos botamos na nossa mesa. Mais uma evidencia inconteste de que o Brasil não vai resistir aos 4 anos desse boçal. Sairemos destroçados, TERRA ARRASADA num grau pior que o pós-FHC.

  2. Roberto Pedroso Postado em 05/Jul/2019 às 16:21

    Soma-se a isso o prejuízo que este atual desgoverno promoveu ao se envolver em uma pinimba diplomática ao apoiar de forma incompressível e tresloucada o atual primeiro ministro Israelense o que prejudicou e muito as exportações de carne hallal para os países árabes que ficaram atônitos com essa aproximação repentina do atual governo brasileiro com o premier israelense, ferindo a nossa tradição na diplomacia sempre mais afeita ao dialogo e posturas mais cautelosas; esse apoio incondicional ao primeiro ministro israelense(acusado de corrupção) que impõe um regime de terror contra o povo palestino indiretamente também prejudicou recentemente nossa economia especificamente na área de exportações de proteína animal e agora mais essa......é comprovadamente e inequivocamente um governo de celerados, estúpidos e imbecis esse desgoverno do capitão lixo.