Redação Pragmatismo
Lula 08/May/2019 às 08:00 COMENTÁRIOS

Lula é reconhecido como preso político pela Associação Americana de Juristas

Associação Americana de Juristas publica declaração na qual reconhece o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como preso político

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Luiz Inácio Lula da Silva (Imagem: Ricardo Stuckert)

RBA

A Associação Americana de Juristas publicou no último dia 2 declaração na qual reconhece Luiz Inácio Lula da Silva como preso político. A organização não-governamental já havia denunciado a perseguição a Lula durante a Assembleia Geral da 39ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, no ano passado. No entanto, é a primeira vez em que a entidade faz essa declaração de forma oficial.

A declaração destaca a alta popularidade de Lula ao deixar seu segundo mandato, em 2010, com mais de 80% de aprovação, e que no ano passado foi impedido de concorrer à Presidência e também de dar entrevistas ou de se manifestar publicamente. O documento condena ainda a violação do preceito constitucional da presunção de inocência até que todas as instâncias do processo sejam esgotadas.

Para a AAJ, está demonstrada motivação política da prisão, sem relação com o delito a que Lula foi acusado e que cuja pena pretende “afastar a figura pública de Lula da Silva do processo político nacional“.

Assinada pela presidenta da AAJ Continental, a porto-riquenha Vanessa Ramos, o secretário-geral da entidade, o brasileiro Luis Carlos Moro, e o presidente do Conselho Consultivo da AAJ, o argentino Beinusz Szmukler, a declaração é direta ao afirmar que “esses fatos enquadram o caso naquilo que o Conselho da Europa define juridicamente como uma prisão política, e a Anistia Internacional, como uma prisão de consciência“.

Clique aqui para acessar a postagem original, em espanhol, da Associação Americana de Juristas no Facebook.

Leia a tradução livre

Declaração da Associação Americana de Juristas reconhecendo Luiz Inácio Lula da Silva como preso político

A Associação Americana de Juristas (AAJ), organização não-governamental com estatuto consultivo nas Nações Unidas, manifesta sua preocupação pelo prolongado encarceramento de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, ainda que a pena tenha sido reduzida por uma corte superior. Esta condenação foi determinada como consequência de uma acusação produzida em violação do devido processo legal, com prejuízo ao direito da defesa, sem provas, e em um processo dirigido pelo juiz Sérgio Moro. Moro é o atual Ministro da Justiça e foi nomeado tão logo o novo governo entreguista e ultradireitista de Jair Bolsonaro tomou posse, beneficiado nas eleições pelo afastamento de Lula da Silva como candidato presidencial, que tinha ampla preferência nas pesquisas eleitorais.

Lula da Silva deixou seu governo com mais de 80% de aprovação. Em agosto de 2018, o Tribunal Superior Eleitoral invalidou sua candidatura e lhe proibiu de se manifestar politicamente da prisão, assim como proibiu seu partido de usar sua popular imagem na campanha eleitoral.

É importante assinalar que a Constituição Brasileira garante a presunção de inocência até o julgamento final do devido processo, o que nem sequer se alcançou até o momento.

É evidente que essas condições demonstram uma prisão feita com violação das garantias fundamentais e com motivações claramente políticas, sem guardar relação com um delito que se enquadre em um marco típico penal, com uma duração e penas acessórias que pretendem afastar a figura pública de Lula da Silva do processo político nacional, e assentar as bases para discriminar a outras pessoas de tendências ideológicas distintas por meio de procedimento irregular.

Esses fatos enquadram o caso naquilo que o Conselho da Europa define juridicamente como uma prisão política, e a Anistia Internacional como uma prisão de consciência.

Portanto, a Associação Americana de Juristas declara que Luiz Inácio Lula da Silva é um preso político e se soma à campanha internacional por sua libertação imediata, participando da campanha “LulaPresoPolítico” para que alcance repercussão internacional ampla. Exortamos as organizações de juristas no mundo a participar desta campanha e a se pronunciar no mesmo sentido.

30 de abril de 2019

Assinam:
Vanessa Ramos, presidenta da AAJ Continental
Luis Carlos Moro, secretário geral
Beinusz Szmukler, presidente do Conselho Consultivo da AAJ

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