Redação Pragmatismo
Barbárie 12/Mar/2019 às 13:04 COMENTÁRIOS

Escola de elite se pronuncia sobre criança de 8 anos estuprada em banheiro

Estupro no Geo Tambáu: Escola de elite se pronuncia sobre criança de 8 anos estuprada por quatro alunos em suas dependências. Vazou áudio de reunião entre diretor da instituição e pais de alunos. Diálogo sugere que o colégio teria tentado abafar o caso

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Entrada (esq) e sala de aula (dir) do Colégio Geo Tambaú (Imagens: divulgação)

O colégio Geo Tambaú divulgou uma nota oficial sobre o estupro de uma criança de 8 anos em suas dependências. O crime aconteceu em maio de 2018, mas o processo corria sob sigilo judicial e só foi revelado ao público nesta segunda-feira (11).

Em manifestação breve, a instituição de ensino diz que está empenhada em elucidar a verdade.

“A partir do momento que tomou conhecimento da notícia, o Colégio GEO tem buscado junto ao Poder Público a apuração dos fatos. Em respeito à privacidade dos menores envolvidos, o procedimento tramita em segredo de justiça e no âmbito do Poder Judiciário. O Colégio está empenhado no esclarecimento integral da verdade”, afirmou a escola através das redes sociais.

Desde a noite desta segunda-feira, passou a circular nas redes sociais um áudio que seria da reunião de pais de alunos com representantes do colégio Geo.

No áudio é possível ouvir um homem, que se identifica como Professor Roberto, diretor-geral das unidades Geo Tambaú e Geo Sul, informar que o processo estava correndo em segredo de justiça e que se surpreendeu pelo fato do caso ter sido divulgado, inclusive com imagens dos menores responsáveis pelo estupro. Ele revela que medidas internas serão tomadas para garantir a segurança dos alunos.

“A escola, por conta desse episódio, tomou uma série de cuidados e, por várias vezes, chegou a questionar se teria ocorrido ou não. A partir de amanhã, por exemplo, toda criança que precisar ir ao banheiro vai ser acompanhada por uma educadora, independente de ser menina ou menino”, declara.

Os pais não gostaram da postura: “eles tiveram conhecimento disso em maio de 2018 e só a partir de amanhã [março de 2019] é que vão tomar providências. Isso é um absurdo! É para fechar esse colégio, eu tenho vergonha”.

Ouça o áudio:

Entenda o caso

Três adolescentes foram apreendidos pela Polícia Civil de João Pessoa (PB) nesta segunda-feira (11) por estuprar uma criança de 8 anos de idade. Um quarto envolvido ainda está foragido.

Os abusos sexuais aconteciam no banheiro do Colégio Geo Tambaú — uma das mais famosas escolas da elite da capital paraibana. Os autores do crime têm idades entre 14 e 17 anos.

As apreensões foram realizadas a partir de um mandado judicial. O caso aconteceu em maio de 2018 e, desde então, há um processo que tramita em segredo de Justiça e só agora foi revelado.

Por se tratar de um crime que envolve filhos de famílias ricas e uma instituição de ensino de renome, a mídia local tem abordado o caso com cautela extraordinária. Alguns portais de notícias omitiram, por exemplo, o nome da escola onde o estupro aconteceu.

“A família da criança, que tinha oito anos na época do caso [hoje está com 9], trouxe o caso até a polícia. O caso foi para o âmbito judiciário e foi determinada a apreensão dos quatro adolescentes envolvidos”, explicou Roberta Neiva, delegada responsável pelo caso.

O caso repercute fortemente em João Pessoa e pais e mães têm se manifestado através das redes sociais. “Onde a gente menos espera que pode acontecer uma coisa dessas, por imaginarmos ser um lugar seguro, eis que a vida nos mostra como somos ingênuos”, escreveu uma internauta.

“Por que a maioria dos jornalistas paraibanos não divulgam o nome do colégio onde a criança foi estuprada? O colégio foi o GEO Tambaú. Bando de jornalistas fracos, sem compromisso com a sociedade. Tão com o rabo entre as pernas! Muitos jornalistas paraibanos só sabem arriar as calças para políticos que os compram”, protestou outro.

“Tudo filhinho de papai. Egoístas e mal educados que deveriam passar o resto da vida na cadeia. Mas como são endinheirados, logo mais estarão nas ruas”, desabafou mais uma usuária.

A nota do colégio:

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