Redação Pragmatismo
Educação 05/Feb/2019 às 16:02 COMENTÁRIOS

Ministro da Educação espalha fake news e mãe de Cazuza reage

Ministro da Educação atribui a Cazuza frase que ele nunca disse. Mãe do artista afirma que vai processar Ricardo Vélez Rodríguez caso ele não se retrate publicamente

cazuza ministro da educação
Lucinha e Cazuza (esq) / Ricardo Vélez Rodriguez (dir)

O atual ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, atribuiu a Cazuza uma frase que jamais foi dita pelo artista. Em entrevista à revista Veja, o ministro afirmou que “Cazuza pregava que liberdade é passar a mão no guarda”.

“No Brasil, por força de ciclos autoritários, temos uma visão enviesada da liberdade. Liberdade não é o que pregava Cazuza, que dizia que liberdade é passar a mão no guarda. Não! Isso é desrespeito à autoridade”, disse Vélez Rodriguez.

Lucinha Araújo, mãe do cantor, indignou-se com a fake news espalhada pelo chefe da Educação no governo Bolsonaro e exigiu uma retratação pública.

O caso gerou repercussão na internet, e o ministro foi criticado por Fernando Haddad: “Ignorância: ministro da Educação de Bolsonaro atribui a Cazuza frase que ele nunca disse e Lucinha Araújo, mãe do compositor, pede respeito à sua memória.”

A frase que Vélez Rodríguez disse ser de Cazuza é de autoria desconhecida e foi popularizada pelos humoristas do Casseta e Planeta nos anos 80.

Ao atribuir a frase a Cazuza, o ministro suprimiu a palavra ‘bunda‘, essencial na frase original para fazer a graça que a transformava em chacota.

“Liberdade é passar a mão na bunda do guarda”, dizia o meme impresso na revista ‘Casseta Popular’ e que depois se tornou uma das camisetas de sucesso vendidas pela publicação.

Anúncio de camiseta com a frase ‘Liberdade é passar a mão na bunda do guarda’ publicado na revista Casseta Popular. Foto: Reprodução/Casseta Popular

Veja a nota oficial divulgada por Lucinha Araújo:

“Caro Sr. Ricardo Vélez Rodriguez, Ministro da Educação, se meu filho estivesse vivo tenho a certeza de que pediria piedade, mas como não sou ele e minha idade suprimiu os panos quentes, considero inadmissível uma pessoa ocupando o cargo que ocupa não ter a preocupação de citar uma pessoa pública sem compromisso com a verdade.

Não venho a público para discussão política, nesse momento, por mais que os discursos retrógrados, que agridem a liberdade individual dos cidadãos brasileiros em suas escolhas pessoais vão contra a todos os princípios pelos quais trabalho à frente da Viva Cazuza há 28 anos.

Cazuza foi um artista que deixou um legado através de sua obra, e isso não é a mãe do artista quem está dizendo, mas sim pela importância de sua obra, do número de novos artistas que a regravam, do quanto é tocado nos rádios, do quanto é baixado nos streamings, mesmo depois de 28 anos longe de nós.

Se achar que é pouco, gostaria de lembrar que Cazuza foi a primeira pessoa pública no Brasil a assumir sua condição de HIV positivo, o que possibilitou a luta pelo acesso universal do tratamento, o que fez do Brasil um país reconhecido mundialmente pelo programa de Aids e posteriormente imitado por outros tantos.

Posso vislumbrar que não seja prioridade do atual governo programas sociais que visem a igualdade de direitos, respeito as minorias, educação e saneamento básico como prioridades, mas respeito a democracia que elegeu o atual presidente e que lhe nomeou. Mas, não posso deixar que declarações levianas coloquem na boca de Cazuza o que ele nunca disse. Gostaria de deixar aberta a possibilidade de se retratar publicamente para que não seja necessário ter que tomar providências jurídicas.

Atenciosamente,
Lucinha Araújo”

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