Redação Pragmatismo
Economia 21/Fev/2019 às 16:02 COMENTÁRIOS
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Caso de gêmeos idênticos revela quão nociva é a reforma da Previdência de Bolsonaro

Publicado em 21 Fev, 2019 às 16h02

Caso de gêmeos idênticos revela como são estapafúrdias as situações geradas pelo emaranhado de regras da proposta de Reforma da Previdência de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Esse é apenas um exemplo

Caso de gêmeos idênticos revela quão nociva é a reforma da Previdência de Bolsonaro
Foto ilustrativa de irmãos gêmeos (Imagem: Sue Sapp)

Fernando Brito, Tijolaço

Vinícius Torres Freire e Ana Estela de Souza Pinto, na Folha, didaticamente, mostram o quão estapafúrdias são as situações geradas pelo emaranhado de regras da proposta de Reforma da Previdência e sigo o roteiro criado por eles.

João e José são gêmeos e se na idade têm os mesmos 51 anos, João tem 33 anos de contribuição e José, que amargou uns meses de desemprego, tem 32.

Pelas regras dos gênios do Paulo Guedes, João pode se aposentar, usando a regra dos dois anos faltantes mais um de pedágio, aos 54 anos de idade, em 2022, com 36 anos de contribuição.

Já o José, adotando a regra “mais vantajosa”, só em 2030, quando terá 62 anos e 43 de contribuição, perfazendo os tais 105 pontos exigidos naquele ano.

João vai receber menos 30% que José, por conta do fator previdenciário. Calculando, como na reportagem, com o teto do INSS – esta diferença ficaria na casa de R$ 1.840 mensais.

Se João, ainda novo, conseguir continuar trabalhando até os mesmos 62 com que seu irmão gêmeo irá se aposentar e aplicar a aposentadoria que recebe – e o outro, não – a juros de 0,4% ao mês, terá acumulado R$ 468.889,42, o equivalente a quase 22 anos da diferença com que o irmão receberá a mais.

Se a mesma situação for imaginada com duas gêmeas, ambas com 49 anos, mas com 28 e 27 anos de contribuição respectivamente, a diferença é um pouco menor: a primeira se aposenta em 2022, com 52 anos e 31 de contribuição e a segunda só em 2029, com 59 anos de idade e 37 de contribuição. Ah, sim: e ainda perdendo 6% do benefício cheio.

Não pense, porém, que a multidão de guarda-livros do Ministério da Fazenda provocou tais absurdos por distração ou erro. Tiveram quatro meses e vários programas de computador para simular isso e muito mais.

É que quando, na ânsia de produzir “caixa” rapidamente optaram por uma regra de transição muito mais curta, provocaram estas desigualdades gritantes.

Quer dizer: gritantes para nós, que temos senso de justiça. Eles, que não vêem pessoas, mas cifrões, são surdinhos para isso.

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