Redação Pragmatismo
Barbárie 14/Dec/2018 às 18:53 COMENTÁRIOS

O diário do atirador que abriu fogo na Catedral de Campinas

Delegados revelam novos trechos do diário de Euler Fernando Grandolpho, atirador que abriu fogo na Catedral de Campinas e matou cinco fiéis

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Euler Fernando Grandolpho escrevia seus pensamentos em um diário

A Polícia divulgou novos trechos do diário de Euler Fernando Grandolpho, o homem que atirou e matou cinco pessoas na Catedral de Campinas nesta semana.

Os delegados José Henrique Ventura e Hamilton Caviola destacaram que alguns dos novos trechos do diário divulgados foram escritos por Grandolpho no ano passado.

Confira a transcrição dos novos trechos:

“Infelizmente elas [vozes ou pessoas] só param com ajuda profissional (o estado negou, minha família negou) ou com um massacre […] Tenho que fazer algo “grande” p/q isso provoque a necessidade do “estado” fazer uma investigação rigorosa do q. aconteceu e quem são os verdadeiros culpados”

[…]

“Minha família, infelizmente é de deficientes mentais. E eu sei bem disso; Não sei pq motivo mas hj (29/08/2018) elas estão com fogo no… Desde a madrugada”

[…]

“Comecei a ver live ‘PUBG’. Depois de +/- 3 minutos elas invadem e começam a interferência (escandalosa, por sinal) Depois de uns dez minutos, levantei e fui carregar a CZ [arma que ele tinha em casa]. Pararam na hora. Liguei o rádio”.

A Polícia Civil destacou que a sigla PUBG refere-se a um game de tiro. Segundo a polícia, este último trecho demonstra que o atirador se sentia perseguido e, para “proteção”, carregou a pistola 9 milímetros que ele tinha em casa.

Para os delegados, o trecho em que o atirador menciona “fazer algo grande para que isso provoque a necessidade do estado fazer uma investigação rigorosa” indica insatisfação do atirador com o retorno da Polícia Civil após ter registrado boletins sobre supostas perseguições.

Ceará e Realengo

Na última quarta-feira (12) a polícia já havia divulgado uma parte do conteúdo do diário do atirador em que ele fazia possível referência a um massacre no Ceará e outro em Realengo.

“Passei com o meu cão em frente uma construção ao lado de uma casa q os moradores tem uma veterinária e uma delas gritou com ‘as paredes’: ‘e aí Ceará’, sobre o massacre ocorrido dias atrás. Ok. Hj, 31/01/18 passei por lá e falei alto com o celular desligado na orelha E AÍ REALENGO”, escreveu.

A referência provável é à chacina ocorrida no dia 27 de janeiro deste ano em uma casa de shows de Fortaleza onde 14 pessoas foram assassinadas. O crime teria sido fruto da disputa por territórios de tráfico de drogas entre o PCC (Primeiro Comando da Capital), o CV (Comando Vermelho) e o GDE (Guardiões do Estado).

Já “Realengo” é uma possível referência ao que ficou conhecido como massacre de Realengo, quando 12 crianças foram mortas e outras 11 ficaram feridas na Escola Municipal Tasso da Silveira, na zona oeste do Rio, em 2011. O atirador era o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, que invadiu duas salas do 8º ano atirando com dois revólveres.

O crime

Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos foi à igreja na terça-feira (11), abriu fogo contra fiéis durante a missa, matou cinco pessoas e cometeu suicídio. Outras três ficaram feridas.

Imagens de uma câmera interna da catedral mostram que o atirador estava sentado em um banco próximo aos fundos da Catedral de Campinas. Ele se levanta e atira em pelo menos três pessoas atrás dele. Duas delas permanecem caídas enquanto uma outra se levanta, cambaleante, e vai em direção à porta. Enquanto isso, um grupo de pessoas que estava do lado oposto da igreja também vai em direção à porta. O homem então passa a atirar em direção a elas.

Uma pessoa que estava no centro da catedral fica no chão. O homem então vai até o corredor, atira em direção à saída da igreja e caminha até ela. Ele recarrega a arma e, enquanto isso, uma mulher escondida entre os bancos se levanta e consegue escapar. O atirador caminha em direção ao altar e sai do campo de visão da câmera. As próximas imagens mostram dois policiais entrando na igreja.

De acordo com a PM, enquanto atirava, Euler Fernando Grandolpho foi atingido por um disparo efetuado por policiais e, ferido, se suicidou — o que, na avaliação da corporação, impediu que o homem continuasse atirando contra quem estava dentro da igreja.

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