Redação Pragmatismo
Eleições 2018 15/Aug/2018 às 19:50 COMENTÁRIOS

Lula é oficialmente registrado como candidato; manifestantes comemoram

Com o apoio de milhares nas ruas, Lula é registrado oficialmente como candidato a presidente da República na eleição de 2018. Carta escrita pelo petista foi divulgada

registro candidatura de Lula
Milhares acompanharam o registro da candidatura de Lula nas ruas de Brasília nesta quarta-feira (15) (Imagem: Claudia Mota)

A candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República foi registrada na tarde desta quarta-feira (15), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. Foi protocolado também o Plano Lula de governo, coordenado pelo candidato a vice na chapa, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

Depois do registro, Lula afirmou, através de carta, que quer que “o povo possa decidir se me dará a oportunidade de consertar o país”.

“Vamos nos espalhar pelo Brasil para nas ruas, no trabalho, nas redes sociais, mas principalmente olhando nos olhos das pessoas, lembrar que esse país um dia já foi feliz e que os mais pobres estavam contemplados no orçamento da União como investimento, e não como despesa”, disse o ex-presidente e agora oficialmente candidato.

“A candidatura de Lula está registrada. De agora por diante, se a legislação for cumprida, o Lula é candidato até o final das eleições e vai ganhar”, afirmou Haddad.

“Agora é irmos para a rua defender Lula, defender o plano de governo e ganhar essa eleição. Não pretendemos arredar pé das ruas até reconduzir o presidente ao Palácio do Planalto. Ele (Lula) manda dizer, por meio de uma carta, que pode fazer muito para tirar o Brasil de uma das piores crises da nossa história.”

“Esse é o papel mais famoso da nossa vida. Vamos subir agora para mostrar ao povo”, destacou Manuela D’Ávila, que participará da campanha de Lula. “Vamos fazer essa eleição conversando com o povo, pois estamos conscientes de que as pessoas sabem que com Lula o povo pode voltar a ser feliz. É isso que essa multidão está provando aqui, hoje”.

Manifestantes

Em clima de paz e diversidade, manifestantes explicaram por que acompanharam o registro da candidatura de Lula. “Nunca antes na história desse país alguém conseguiu reunir tanta gente para o registro da sua candidatura”, afirmou o funcionário da Receita Federal Fernando Neves, de 55 anos. Segundo ele, o que move a maioria dos manifestantes é a luta contra a injustiça.

“É uma forma de resposta em relação a esse tipo de injustiça que estão fazendo. A população está dando uma resposta necessária e firme. É principalmente pela injustiça que esse povo está aqui. A gente se desloca até onde a gente puder ir para lutar contra isso”, afirmou Neves.

A pesquisadora social Lígia Albuquerque, de 62 anos, diz que há décadas desenvolve trabalhos na região Nordeste, e pôde testemunhar as mudanças vivenciadas pela população durantes os governos petistas.

“O povo vivia na miséria, passando fome. Depois das políticas adotadas nos governos do PT, melhorou sensivelmente a vida dessas pessoas, que nunca pensaram em ter um liquidificar em casa. Não pensavam em ter água dentro de casa, não pensavam em fazer uma viagem de avião, ter um celular ou uma televisão. Eram coisas só para os ricos.”

Ela diz que agora, durante o governo Temer, fenômenos como a fome, o desemprego e a migração para outras regiões voltaram a assolar a região.

“É uma região carente, mas com uma cultura tão rica, e que tem tanto a oferecer ao Brasil, não podemos desperdiçar esse potencial. Esse pessoal vem correndo para São Paulo para arranjar emprego, para depois o paulista dizer que tudo que dá errado na política é culpa dos nordestinos. Faça-me o favor…” Segundo a pesquisadora, em toda a região se referem a Lula como “o pai”, “grande presidente” e “homem que livrou o nordeste da miséria”.

Abaixo, leia a íntegra da carta de Lula:

Registrei hoje a minha candidatura a Presidência da República, após meu nome ter sido aprovado na convenção do PT e com a certeza de que posso fazer muito para tirar o Brasil de uma das piores crises da história.

A partir dessa aprovação do meu nome pelas companheiras e companheiros do PT, do PCdoB e do Pros, passei a ter o direito de disputar as eleições.

Há um ano, um mês e três dias, Sérgio Moro usou do seu cargo de juiz para cometer um ato político: ele me condenou pela prática de “atos indeterminados” para tentar me tirar da eleição. Usou de uma “fake news” produzida pelo jornal O Globo sobre um apartamento no Guarujá.

Desde então o povo brasileiro aguarda, em vão, que Moro e os demais juízes que confirmaram a minha condenação em segunda instância apresentem alguma prova material de sou o proprietário daquele imóvel. Que digam qual foi o ato que eu cometi para justificar uma condenação. Mas o que vemos, dia após dia, é a revelação de fatos que apenas reforçam uma atuação ilegítima de agentes do Sistema de Justiça para me condenar e me manterem na prisão.

Chegou-se ao ponto em que uma decisão de um desembargador que restabelecia a minha liberdade não foi cumprida por orientação telefônica dada por Moro, pelo presidente do TRF4 e pela procuradora Geral da República ao Diretor-Geral da Polícia Federal.

Como defender a legitimidade de um processo em que conspiram contra a minha liberdade desde o juiz de primeira instância até a Procuradora-Geral da República?

Sou vítima de uma caçada judicial que já está registrada na história.

Tenho certeza de que se a Constituição Federal e as leis desse país ainda tiverem algum valor serei absolvido pelas Cortes Superiores.

A expectativa de que os recursos apresentados pelos meus advogados resultem na minha absolvição no STJ ou no STF é o que basta, segundo a legislação brasileira, para afastar qualquer impedimento para que eu possa concorrer.

Não estou pedindo nenhum favor. Quero apenas que os direitos que vem sendo reconhecidos pelos tribunais em favor de centenas de outros candidatos há anos também sejam reconhecidos para mim. Não posso admitir casuísmo e o juízo de exceção.

O Comitê de Direitos Humanos da ONU já emitiu uma decisão que impede o Estado brasileiro de causar danos irreversíveis aos meus direitos políticos – o que reforça a impossibilidade de impedirem que eu dispute as eleições de 2018.

Quero que o povo brasileiro possa decidir se me dará a oportunidade de, junto com ele, consertar este país.

A partir de amanhã, vamos nos espalhar pelo Brasil para nas ruas, no trabalho, nas redes sociais, mas principalmente olhando nos olhos das pessoas, lembrar que esse país um dia já foi feliz e que os mais pobres estavam contemplados no orçamento da União como investimento, e não como despesa.

Cada um de vocês terá que ser Lula fazendo campanha pelo Brasil, lembrando ao povo brasileiro que nos governos do PT o povo trabalhador teve mais emprego, maiores salários e melhores condições de vida.

Que um nordestino que mora no Sul podia visitar sua família de avião e não somente de ônibus.

Que um pobre, um negro, ou um índio podia ingressar na universidade.

Que o pobre podia ter casa própria e comer três vezes ao dia.

Que a luz elétrica era acessível a todos.

Que o salário mínimo foi aumentado sem causar inflação.

Que foi posto em prática aquele que a ONU considerou o melhor programa de transferência de renda do mundo, beneficiando 14 milhões de famílias e tirando o Brasil do mapa da fome.

Que foram criadas novas universidades e novos cursos técnicos.

Para recuperar o direito de fazer tudo isso e muito mais é que sou candidato a Presidente da República.

Vamos dialogar com aqueles que viram que o Brasil saiu do rumo, estão sem esperança mas sabem que o país precisa resolver o seu destino nas urnas, não em golpes ou no tapetão.

Lembrar que com democracia, com nosso trabalho, o Brasil vai voltar a ser feliz.

Enquanto eu estiver preso, cada um de vocês será a minha perna e a minha voz. Vamos retomar a esperança, a soberania e a alegria desse nosso grande país.

Companheiras e companheiros, o Moro tinha até hoje para mostrar uma prova contra mim. Não apresentou nenhuma! Fato indeterminado não é prova! Por isso sou candidato.

Repito: com meu nome aprovado na convenção, a Lei Eleitoral garante que só não serei candidato se eu morrer, renunciar ou for arrancado pelo Justiça Eleitoral. Não pretendo morrer, não cogito renunciar e vou brigar pelo meu registro até o final.

Não quero favor, quero Justiça. Não troco minha dignidade por minha liberdade.

Um forte abraço,

Lula

informações da RBA

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