Redação Pragmatismo
América Latina 26/May/2018 às 11:10 COMENTÁRIOS

Greve de caminhoneiros no Chile durou 26 dias e derrubou o governo

No Chile, greve de caminhões durou 26 dias – e derrubou o governo. Paralisação de 1972 agravou a crise econômica pela qual passava o país e resultou no golpe de Estado que retirou do poder o presidente Salvador Allende

Greve de caminhoneiros no Chile durou 26 dias e derrubou o governo

Há 5 dias o Brasil está parado pela greve dos caminhoneiros, que já afeta o abastecimento de alimentos, combustíveis e da indústria. A situação, que fica mais caótica a cada dia que passa, pode ficar ainda pior, a julgar pelo histórico: em 1972, no Chile, uma greve de caminhoneiros que durou 26 dias agravou a crise econômica pela qual passava o país, incendiou diversos outros movimentos grevistas e culminou no que seria o golpe de Estado que retirou do poder o então presidente Salvador Allende.

Greves de caminhoneiros são notórias em outros países, como na França, por justamente ameaçar toda a cadeia de distribuição de um país. No Brasil, onde quase 80% dos serviços de transporte de carga utilizados são rodoviários, o exemplo chileno merece ser lembrado.

Em outubro de 1972, os caminhoneiros paralisaram o país pela primeira vez, protestando contra a criação de uma autoridade nacional de transporte, e ativando o gatilho do que seria uma crise trabalhista no país. Estimativas do governo apontam que aquela paralisação inicial custou ao país 200 milhões de dólares na época. Hoje, esse valor seria de mais de 1,2 bilhão de dólares. O governo de Allende resolveu a situação sentando para conversar com os caminhoneiros no final de outubro, mas já era tarde.

Salvador Allende, então presidente de um governo de esquerda, havia sido eleito em 1970 com uma plataforma de nacionalização de serviços, como o sistema de saúde, e da indústria mineral, além de propor a redistribuição de terras. Um ano depois, em agosto de 1973, 40.000 caminhoneiros voltariam a paralisar o país, ao lado de outros 210.000 donos de pequenos negócios e empresários.

A instabilidade e a crise econômica levariam o governo de Allende a ser deposto pelo exército e pela força nacional em 11 de setembro de 1973, numa tomada de poder que incluiria o bombardeio do palácio presidencial de La Moneda e o suicídio de Allende, em um dos episódios mais sangrentos da democracia chilena.

Em agosto de 1973, nos momentos derradeiros do governo, a paralisação dos caminhoneiros foi tão catastrófica para a economia que o ministério do Planejamento Nacional emitiu um comunicado sobre as consequências econômicas da paralisação. “A agricultura está seriamente ameaça, a indústria desacelerou e o suprimento de commodities atingiu um ponto crítico”, afirmava o relatório, depois de 23 dias da segunda greve de caminhoneiros.

Esta é uma greve política, com o objetivo de derrubar o governo com a ajuda do imperialismo”, afirmou Gonzalo Martner, então ministro da pasta. A segunda paralisação foi mais intensa porque o Chile ainda não havia sequer se recuperado integralmente da que havia acontecido um ano antes.

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Thiago Lavado, Exame

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Comentários

  1. Pedro Postado em 06/Jul/2019 às 13:08

    Ou seja, quem não se mexe cai.

  2. Leonardo Barros Postado em 06/Jul/2019 às 13:08

    Creio que os caminhoneiros ganhariam a maioria da população se incluíssem os outros combustíveis ao pleito. O que hoje é apoio, daqui a 3 ou 4 dias se torna ranço, e em 1 semana a galera começa a ir totalmente contra essa paralisação.

  3. Roberto Pedroso Postado em 06/Jul/2019 às 13:08

    E só para constar devemos deixar bem claro que mais esta crise deve ser colocada na conta daqueles que alegremente auxiliaram no processo que defenestrou a ex presidente,afinal para quem tem mais de vinte anos e sabe o minimo sobre politica entende que a escolha do vice se deve a certas contingencias politico eleitoreiras com vistas a se garantir a governabilidade,então a escolha do vice nada tem a ver com afinidade ideológica e com uma pauta programática ou plano de governo em comum! e sim com negociação de apoio para se garantir a governabilidade com uma base aliada no parlamento,isso fica evidente haja vista as mudanças perpetradas por este atual governo no campo social e econômico bem como a nova politica adotada pela Petrobras,portanto quem diz que ''quem votou em Dilma também votou em Temer'' ou é burro ou é moleque ou é mal intencionado! basta verificar as mudanças adotadas por este presidente e sua atual equipe econômica que estão em um ponto diametralmente oposto aos ideais de esquerda de víeis popular,democrático e do interesse publico. Isso deve ser avisado, pois tem muita gente burra e ignorante difundindo sandices,despautérios e imbecilidades ultimamente nas redes corroborando e convalidando com a máxima de Umberto Eco