Redação Pragmatismo
Educação 20/Apr/2018 às 17:12 COMENTÁRIOS

57 mil crianças esperavam vaga em creche no dia em que Doria prometeu zerar fila

No dia em que João Doria anunciaria fila zerada, 57 mil crianças esperavam vaga em creche. Número de crianças esperando vaga segue aumentando

crianças esperavam vaga em creche Doria prometeu zerar fila

Rodrigo Gomes, RBA

Era nosso compromisso de campanha e, em 12 meses, até 30 de março do ano que vem, vamos zerar esta fila (da creche)“, disse, em 3 de março de 2017, no lançamento do Programa Nossa Creche, o agora ex-prefeito da capital paulista e pré-candidato ao governo de São Paulo João Doria (PSDB). No dia 30 de março deste ano, quando Doria devia anunciar que tinha zerado a fila da creche, havia 57.819 crianças esperando uma vaga na rede municipal. Doria não teve sequer agenda pública neste dia. A gestão se limitou a dizer que a fila é 34% menor que no mesmo período do ano passado.

A agora gestão Bruno Covas (PSDB), vice-prefeito que assumiu a gestão em 7 de abril, diz que de janeiro de 2017 a março deste ano foram matriculadas em creches 27,5 mil crianças. Além disso, mais 90 convênios foram assinados, o que deve criar mais 14,2 mil vagas. No entanto, como a RBA mostrou em janeiro, a prefeitura matriculou crianças em creches que ainda estavam construção e sem previsão de conclusão das obras, o que torna difícil comprovar os números apresentados.

A promessa de zerar a fila da creche foi feita por Doria ainda na campanha e consolidada no início do ano. Primeiro, o ex-prefeito dizia que a meta era criar 103 mil vagas para zerar o déficit. Ainda em janeiro, o secretário Municipal da Educação, Alexandre Schneider, anunciou que seriam 66 mil.

Doria disse também que criaria 96 mil vagas até o final da gestão, mas a promessa acabou alterada no Programa de Metas, que propõe o aumento, até 2020, de 30% das 284.217 vagas que haviam no início da gestão. O que totaliza aproximadamente 85 mil novas vagas, já incluídas as 65 mil previstas para 2018. E não cumpridas.

Para ampliar o número de vagas na educação infantil, a gestão municipal realizou medidas como fechar salas de atividades pedagógicas, permitir o aumento do número de crianças por sala e reduzir o atendimento integral de algumas unidades para abrir dois turnos de aula. Essas medidas foram alvo de manifestações de mães de alunos e de questionamentos do Ministério Público.

A gestão também parou de publicar trimestralmente os dados relativos à demanda por educação no portal da Secretaria Municipal da Educação, com números por região da cidade, desrespeitando o Decreto Municipal 47.155, de 2006, e a Nota Técnica 01/2017/CIEDU/Coged, da própria Secretaria da Educação.

Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a gestão Doria vem “precarizando” a rede municipal de creches com o pretexto de ampliar as vagas. E, ainda assim, não cumpre com as promessas de expansão. “Ele primeiro vai matando a qualidade, o que já é um erro. E pior, vai matando a qualidade e, de forma muito grave, não tem expandido as vagas na medida em que promete“, afirmou.

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Daniel diz que a atual gestão municipal tem sido “incapaz de compreender” as questões pedagógicas que envolvem os primeiros anos da educação infantil. Segundo ele, para que as crianças recebam o cuidado necessário para o adequado desenvolvimento cognitivo, “é preciso, sim, ter equipamentos com brinquedotecas, bibliotecas, e acesso a insumos, como laboratórios“.

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